Na mira de 20 negócios, ES atrai mais investimentos que 'vizinhos'

Em maio, foram anunciados ao menos novos quatro projetos de negócios mesmo em meio à pandemia. Estado também tem conseguido manter negócios já anunciados, como as indústrias de eletrodomésticos e a fábrica de papel

Publicado em 01/06/2020 às 07h12
Atualizado em 01/06/2020 às 10h58
Eucalipto estocada na fábrica da Suzano em Aracruz
Eucalipto estocada na fábrica da Suzano em Aracruz. Empresa vai investir em fábrica de papel e expansão da base florestal. Crédito: Siumara Gonçalves

Os tempos para a economia não têm sido fáceis. Mas, em meio à crise provocada pelo novo coronavírus, Espírito Santo tem conseguido manter investimentos previstos e até atrair novos projetos privados para desenvolver atividades ligadas à indústria, ao comércio e ao segmento de serviços. Os resultados observados em terras capixabas têm sido melhores do que os divulgados pelos Estados vizinhos, como Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro já caiu 1,5% no primeiro trimestre, segundo a pesquisa das Contas Nacionais divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última sexta-feira (29). A expectativa é de que a economia nacional tenha uma retração ainda mais forte nos próximos meses

Para o Espírito Santo, especialistas já preveem uma queda de 4,3% no ano devido aos impactos do coronavírus.  Ainda que o cenário seja de incerteza, o anúncio de projetos para cá e mesmo a sondagem de empresários para se instalarem aqui podem amenizar os efeitos da pandemia na geração de riquezas e também nos empregos.

“No Estado nós desenvolvemos uma política de atração de investimentos muito agressiva. Nós identificamos a necessidade das indústrias que já estão instaladas por aqui e fazemos contato com outros empresários que podem vir e agregar no cenário. Atualmente, estamos em negociação com mais de 20 empresas que podem vir para o Espírito Santo”, revela o secretário de Estado de Desenvolvimento, Marcos Kneip.

O secretário não revelou quais são as empresas, nem quantos empregos podem ser gerados, mas disse que as empresas são de setores que já estão instalados no Estado. “São empresas do setor de rochas, e-commerce, grandes distribuidoras, e indústrias ligadas ao café e logística. Não adianta ir atrás de coisas que não produzimos e não temos relações fortes”, acrescenta Kneip.

Desde o fim do ano passado, o Espírito Santo anunciou o investimento de diversas empresas: a fábrica de papel da Suzano; a Britânia e a Brinox, empresas de eletrodomésticos, anunciou a construção de uma fábrica em Linhares; a expansão das atividades da Fibracem, de fibra ótica; a construção de uma unidade da Laticínios Porto Alegre; a criação do centro de distribuição da chocolate Hershey’s; a ampliação da Biancogrês porcelanatos, na Serra; e a expansão da Proteinorte, em Linhares.

“A gente tem um conjunto de fatores que jogam a favor do Espírito Santo. Temos uma boa mão de obra, os custos são menores do que nos grandes centros, temos leis de incentivos fiscais – o que dá mais segurança ao investidor –, e certamente isso também passa pela nossa regularidade fiscal”, pontua o secretário de Estado de Desenvolvimento.

Os governos dos Estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro foram questionados sobre os investimentos privados anunciados este ano. O único a responder foi o de Minas Gerais, que citou protocolos de intenções referentes a 45 projetos em 2020. Um dos projetos citados é o investimento de R$ 800 milhões da Cervejaria Petrópolis, anunciado ainda em junho do ano passado.

O governo baiano não respondeu, mas o site apresenta informações sobre o aumento da produção industrial baiana, o crescimento das exportações, diversas ações referentes ao combate ao coronavírus, mas sem citar investimentos privados.

Da mesma forma, o governo do Estado do Rio de Janeiro não respondeu com relação aos investimentos privados. A comunicação do governo chegou a publicar matérias sobre a oferta de vagas de emprego e leis para facilitar a concessão de crédito e dar incentivos fiscais a empresas. No entanto, não há nenhum material falando sobre o sucesso de tais ações de incentivo.

MOMENTO DE INCERTEZA PARA OS MERCADOS

O economista do IBRE/FGV Marcel Balassiano destaca que o momento ainda é de muita incerteza para os mercados, o que dificulta a atração de investimentos principalmente para os Estados em crise fiscal.  “Isso está acontecendo em todo o mundo, mas no Brasil é ainda pior. Além da crise da saúde pública temos uma forte crise política”, destaca.

Marcel Balassiano

Economista do Ibre/FGV

"O Rio de Janeiro, por exemplo, também sofre com uma crise política local, com escândalos de corrupção sendo descobertos e o fato de o Espírito Santo não ter esse registro coloca o Estado numa posição de vantagem."

Além disso, Balassiano avalia outro fator que foge um pouco à situação do coronavírus. “O Rio foi o último Estado a entrar em recessão – por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas –, mas também foi o último a sair. Foram quatro anos de crescimento negativo. Acredito que o Espírito Santo tenha se estruturado em segurança pública, saúde, educação, e todas esses fatores têm relação com a economia”, pontua.

“Até mesmo o fato de o Estado estar um pouco mais avançado na fase de retomada das atividades pode favorecer na atração de investimentos”, conclui lembrando que as atividades comerciais no Espírito Santo estão sendo retomadas desde as últimas semanas.

“ESPÍRITO SANTO DEVERIA TER MAIS AMBIÇÃO”, AVALIA PRESIDENTE DA FINDES

O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Léo de Castro, admite que o Estado tem feito um bom trabalho ao longo dos últimos 18 anos para construir uma boa reputação no que diz respeito ao ambiente de negócios. Porém, segundo ele, ainda falta um pouco de ambição para deslanchar de vez.

Léo de Castro

Presidente da Findes

"A gente poderia estar muito à frente. Desde 2016 que o Espírito Santo cresce menos que o Brasil, e olha que crescer como o Brasil é uma péssima referência."

Léo de Castro destaca a importância que deveria ser dada para a navegação de cabotagem, para transportar produtos por mar em vez de rodovias. “A economia do Brasil está 70% no litoral, mas hoje o transporte de cargas por cabotagem é menos de 10% – sendo que a maior parte é óleo e gás. Nós acabamos de resolver o problema do calado no Porto de Vitória e podemos pular na frente se zerarmos o ICMS do combustível bunker”, sugere.

O combustível bunker, ou combustível marítimo, é o utilizado para abastecer os navios. Segundo Léo, uma possível redução do ICMS neste produto pode fazer com que mais navios abasteçam em portos capixabas, facilitando, dessa forma, o envio e a chegada de produtos por portos do Espírito Santo.

“Acredito que também precisamos aumentar a competitividade tributária do Espírito Santo. Em diversos setores cobramos mais impostos que os nossos vizinhos diretos e isso incentiva as empresas a irem para esses Estados. Não queremos ser menos tributados que os outros, defendemos uma tributação igual”, comenta. “Se a gente fizesse isso, deveríamos ter como meta crescer num padrão chinês. Potencial a gente tem”, conclui o presidente da Findes.

ESTADOS VIZINHOS NÃO FALAM SOBRE SEUS INVESTIMENTOS

Os governos dos Estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro foram questionados sobre os investimentos privados anunciados este ano. O único a responder foi o de Minas Gerais, que citou protocolos de intenções referentes a 45 projetos em 2020. Um dos projetos citados é o investimento de R$ 800 milhões da Cervejaria Petrópolis, anunciado ainda em junho do ano passado.

O governo baiano não respondeu, mas o site apresenta informações sobre o aumento da produção industrial baiana, o crescimento das exportações, diversas ações referentes ao combate ao coronavírus, mas sem citar investimentos privados.

Da mesma forma, o governo do Estado do Rio de Janeiro não respondeu com relação aos investimentos privados. A comunicação do governo chegou a publicar matérias sobre a oferta de vagas de emprego e leis para facilitar a concessão de crédito e dar incentivos fiscais a empresas. No entanto, não há nenhum material falando sobre o sucesso de tais ações de incentivo.

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