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Coronavírus: plataforma no ES paralisa produção para fazer desinfecção

Maioria dos trabalhadores já foi retirada da FPSO Capixaba, que passará por serviço de limpeza total. Número de infectados na embarcação é de 34 pessoas, segundo a ANP e o MPT

Publicado em 10/04/2020 às 06h00
Atualizado em 10/04/2020 às 08h38
FPSO Capixaba, fundeada no campo de Cachalote e Baleia Branca, fica na porção da Bacia de Campos localizada no Espírito Santo
FPSO Capixaba, fundeada no campo de Cachalote, fica na porção da Bacia de Campos localizada no Espírito Santo. Crédito: Valter Monteiro/Agência Petrobras

O navio-plataforma no Espírito Santo que registrou contaminação de 34 trabalhadores por coronavírus vai parar totalmente a produção para realização de trabalho de desinfecção da unidade. A FPSO Capixaba produz petróleo e gás na porção capixaba da Bacia de Campos, localizada no Sul do Estado, mais precisamente na região petrolífera conhecida como Parque das Baleias.

A informação é da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Ministério Público do Trabalho (MPT). Os trabalhos de desinfecção deverão ser contratados pela SBM Offshore, proprietária da plataforma que é arrendada pela Petrobras para produção nos campos de Cachalote e Jubarte.

Segundo a ANP, os trabalhadores que tiveram a Covid-19 diagnosticada foram desembarcados, sendo a produção interrompida para descontaminação da unidade. "Mantém-se a bordo apenas o pessoal essencial para a manutenção segura da unidade na locação", informou a agência.

A procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) Flávia Veiga Bauler, da Coordenadoria Nacional do Trabalho Portuário e Aquaviário (Conatpa), disse que o desembarque precisa ser feito aos poucos, para que seja providenciada a paralisação segura da plataforma. Essa parada total pode ser feita em até quatro dias.

Ela explicou que a desinfecção total da unidade é necessária, já que o vírus pode permanecer por mais tempo no local, inclusive em áreas comuns de convivência dos trabalhadores. O MPT pode investigar se houve alguma irregularidade trabalhista no caso.

“A preocupação com relação ao coronavírus é maior para quem trabalha em confinamento. Isso porque os trabalhadores compartilham áreas de refeição, de lazer, camarotes. Até por conta disso, o MPT tem orientado para diminuir o número de empregados a bordo”, explicou a procuradora.

A FPSO Capixaba tem capacidade de processar 110 mil barris de petróleo por dia, sendo, em capacidade, a terceira maior do Espírito Santo (atrás apenas das plataformas P-57 e P-58, que também operam no Parque das Baleias). A paralisação deve afetar a produção de petróleo e gás no Estado.

NÚMERO DE INFECTADOS

Ao contrário do número de 53 trabalhadores infectados fornecido pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) na quarta-feira (8), tanto a ANP quanto o MPT informaram que o número oficial é de 34 tripulantes da FPSO Capixaba que testaram positivo para a Covid-19 e que, na verdade, 53 é o total de funcionários que estavam atuando na embarcação.

Segundo a ANP, do restante da tripulação, outros 15 testaram negativo e para quatro a testagem foi inconclusiva. "A responsabilidade pelo tratamento de saúde é da empresa com a qual o profissional possui vínculo empregatício", informou a agência.

Procurada, a Petrobras não comentou o caso e orientou a reportagem a procurar a SBM. Sem dar mais detalhes, a empresa informou, em nota, que "confirma que um número significativo de tripulantes de um de seus FPSOs no Brasil testou positivo para Covid-19. Eles estão recebendo atenção médica e sendo monitorados de perto".

"Algumas pessoas já desembarcaram e estão recebendo atendimento médico em terra. A bordo, medidas preventivas permanecem em vigor – como distanciamento social e reforço das regras para aumentar a higiene dentro do navio", ressaltou a empresa.

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