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Petrobras reduz produção e pode demitir ou cortar salário de 2 mil no ES

Trabalhadores terceirizados já estão sendo demitidos, segundo sindicato, e os da área administrativa deverão ter jornada e salário reduzidos em 25%

Publicado em 02/04/2020 às 06h00
Atualizado em 02/04/2020 às 11h13
Plataforma P-58 está localizada no Parque das Baleias, porção capixaba da Bacia de Campos
Produção na P-58, a maior plataforma do Estado, já caiu cerca de 80%, segundo o Sindipetro-ES. Crédito: Divulgação/Agência Petrobras

Petrobras tomou medidas ainda mais duras para cortar gastos e se adequar aos preços baixos do barril do petróleo, por conta da "guerra" de preços entre Rússia e Arábia Saudita, e à demanda em queda por conta do coronavírus. A estatal anunciou nesta quarta-feira (1º) que vai reduzir sua produção nacional em 200 mil barris ao dia e cortar a jornada e o salário de funcionários administrativos em todo o país.

No Espírito Santo, segundo o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-ES), a produção de petróleo e gás já está sendo reduzida e ao menos 2 mil funcionários devem ser impactados, seja com os cortes proporcionais de 25% ou mesmo 30% na jornada e no salário (para trabalhadores administrativos), seja com possíveis demissões (no caso de terceirizados).

Alguns terceirizados que atuam na operação das plataformas P-58 e P-57, ambas localizadas no Parque das Baleias, no Litoral Sul Capixaba, já foram dispensados segundo o coordenador do Sindipetro, Valnisio Hoffman.

Oficialmente, a Petrobras não informou o número de profissionais impactados no Estado. Em todo o país, a redução temporária da jornada de trabalho, de 8 horas para 6 horas, com o corte proporcional no salário afetará cerca de 21 mil empregados, segundo a estatal.

A empresa também comunicou que fará a postergação do pagamento, entre 10% a 30%, da remuneração mensal de demais empregados com função gratificada (gerentes, coordenadores, consultores e supervisores).

Segundo Hoffman, as medidas devem afetar muito os trabalhadores da empresa no Espírito Santo. O sindicato também demonstrou indignação alegando que "se for para cortar na carne, isso deveria ser para todos", incluindo os cargos de chefia, que terão apenas o adiamento no pagamento de parte dos benefícios.

Valnisio Hoffman

Coordenador do Sindipetro-ES

"É uma situação complicada, com previsão de que o barril do petróleo chegue a US$ 15 e a queda na demanda externa e interna. As refinarias estão com estoque no gargalo e devem reduzir a produção, bem como as plataformas, e isso deve acarretar uma demissão em massa de terceirizados, o que já está começando"

PRODUÇÃO DA P-58 É REDUZIDA EM 80%

A produção no Estado também já está sendo afetada. Segundo Hoffman, a P-58, que é a maior plataforma em operação nos mares do Espírito Santo em capacidade, reduziu sua produção diária em cerca de 80%. Há dois dias, a unidade está produzindo apenas cerca de 30 mil barris por dia (antes produzia cerca de 150 mil barris/dia), também de acordo com o sindicato.

A preocupação é que isso se estenda para mais plataformas no Estado e também para os campos de produção em terra, em que o custo para extrair o petróleo é maior diante da baixa produtividade. 

"Infelizmente deve ter outras [plataformas] que também sofram essa redução diante desse novo anúncio. E estamos muito preocupados com o Norte Capixaba, com as unidades terrestres, que possuem um custo de produção maior, mas empregam muita gente também", disse Hoffman.

A Petrobras informou que "para definição dos campos que terão sua produção diminuída, levará em consideração condições mercadológicas e operacionais". Ou seja, a expectativa é que a empresa priorize manter a produção em campos mais rentáveis, como os do pré-sal da Bacia de Santos.

A estatal também afirmou em comunicado que "a duração da restrição, assim como potenciais aumentos ou diminuições, será continuamente avaliada".

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