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Avaliação do cenário

Casagrande busca Alckmin e quer negociar tarifaço contra agro e rochas do ES

Governador capixaba destaca que, ainda que alguns produtos tenham ficado de fora da lista da tarifação de 50%, momento é de diálogo para resolver os problemas dos setores mais afetados

Publicado em 01 de Agosto de 2025 às 12:24

João Barbosa

Publicado em 

01 ago 2025 às 12:24
Apesar de um alívio para alguns setores excluídos da taxação imposta pelo presidente Donald Trump sobre produtos exportados pelo Brasil, o empresariado e o governo do Espírito Santo destacam que as negociações e as avaliações sobre o impacto do tarifaço não podem parar. Isso porque o Estado é um dos principais pontos de partida de itens consumidos pelos norte-americanos.
Na última quarta-feira (30), o governo americano divulgou o decreto que impõe e detalha as tarifas. Entre os principais produtos que ficaram de fora da taxação que começa a valer na próxima quarta-feira (6), estão minério de ferro, aço, petróleo, celulose e parte da produção do setor de rochas naturais — o quartzito foi liberado, mas o mármore e o granito, não.
Entretanto, outras frentes importantes para a economia capixaba como café, gengibre e pimenta-do-reino continuam na mira de Trump. Para o governador Renato Casagrande (PSB), o momento é de “continuar à mesa para dialogar e resolver esses problemas”.
Casagrande busca Alckmin e quer negociar tarifaço contra agro e rochas do ES
“Tenho conversado com os ministros [ligados ao comércio exterior e à economia] e especialmente com o vice-presidente [Geraldo Alckmin], que está na coordenação desse comitê para colocar os interesses do Brasil e, em especial, os interesses do Espírito Santo”, disse Casagrande, em entrevista à TV Gazeta, durante o evento de divulgação da nova gestão do programa ES em Ação, realizado na noite de quinta-feira (31).
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB)
Geraldo Alckmin e Renato Casagrande em visita à Rede Gazeta Crédito: Ricardo Medeiros
Na ocasião, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) reforçou que o trabalho do governo do Estado também é voltado para entendimento dos impactos sociais, principalmente nas produções familiares. Antes do evento, Ferraço destacou, em entrevista à Rádio CBN Vitória, que o Estado pode abrir linha de crédito para produtores afetados por tarifaço.
“Estamos preocupados com arranjos como o do gengibre e o da pimenta-do-reino, liderados principalmente por uma base familiar”, pontuou Ferraço.
Já o empresário Fernando Saliba, novo diretor-presidente do ES em Ação, considera que o movimento empresarial e os esforços do governo contribuem para uma resolução que beneficie todos os envolvidos no assunto da tarifação.
“Nós construímos um ambiente de diálogo, uma relação público-privada de alto nível e, por isso, as ideias, oportunidades e crises são levadas à mesa onde todos têm a oportunidade de debater e achar as melhores soluções para o nosso Estado”, avaliou.

O que o tarifaço representa para o ES?

Dados do Observatório da Indústria mostram que 64 municípios do Espírito Santo podem ser afetados diretamente pela sobretaxa por exportarem para os Estados Unidos. E, desses, 19 possuem dependência das relações comerciais com os EUA acima de 58%. Em 2024, Serra, Aracruz, Anchieta, Vitória e Cachoeiro de Itapemirim foram responsáveis por 82,3% das exportações para o mercado norte-americano.
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