> >
ES pode abrir linha de crédito para produtores afetados por tarifaço

ES pode abrir linha de crédito para produtores afetados por tarifaço

Em entrevista à Rádio CBN Vitória, o vice-governador Ricardo Ferraço explicou estudos do governo para suporte aos empresários e produtores mais impactados pela taxa de 50% sobre produtos importados pelos EUA

João Barbosa

Repórter / [email protected]

Publicado em 31 de julho de 2025 às 15:23

Vice-governador do ES conversou com a jornalista Fernanda Queiroz na manhã desta quinta-feira (31)

Por meio do comitê criado para dialogar com os setores afetados pela tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros comprados pelo mercado norte-americano, empresas e produtores do Espírito Santo podem receber apoio emergencial do governo do Estado. Entre as medidas para proteção da economia capixaba estão linhas de crédito financiadas pelo governo para suporte às empresas e pequenos negócios.

Baseado em levantamentos das secretarias de Estado de Agricultura (Seag) e do Desenvolvimento (Sedes), o socorro pode ser destinados a produtores de café, pimenta-do-reino, mamão e pescados, por exemplo. Esses são alguns dos grupos mais afetados pela tarifação do presidente norte-americano, que usa as taxas como uma medida protecionista ao mercado dos Estados Unidos.

Em entrevista à Rádio CBN Vitória na manhã desta quinta-feira (31), o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) explicou que os moldes do auxílio ainda são estudados, conforme os impactos que podem chegar efetivamente ao Estado.

“Essas tarifas são profundamente injustas com a economia brasileira e com a do Espírito Santo. Elas não vêm acompanhada de qualquer evidência econômica [...] Os Estados Unidos exportam muito mais para o Brasil do que o contrário e nós estamos dialogando com todos os segmentos para buscar soluções”, disse Ferraço.

“O foco da nossa preocupação é encontrar canais de interlocução que nos permitam ter segurança e, [com isso], não vamos perder de vista a necessidade de apoio emergencial a tantas famílias, que, se impactadas, vão receber apoio efetivo e concreto do governo do Estado”, completou.

Usando como exemplo uma empresa ligada à exportação de pescados no Sul do Estado, Ferraço explicou que o auxílio pode funcionar com organizações que têm crédito de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) acumulado.

“Nós temos mil pescadores associados que trabalham dedicadamente à exportação do pescado. No caso específico dessa empresa, se ela tiver esse crédito acumulado, nós vamos sentar à mesa para permitir que ela possa, eventualmente, fazer o uso desse crédito. Se a empresa precisar de uma linha de crédito em condições favoráveis, com prazo, com carência e com juros subsidiados pelo Tesouro do Estado, nós vamos fazê-lo”, sinalizou.

Ferraço ainda pontuou que, frente a necessidade do socorro, cada caso será analisado de forma específica, para uma oferta estruturada que deve contar com o Bandes e com o Banestes para que os recursos cheguem aos empreendedores.

A oferta do auxílio pode ser similar à feita em Mimoso do Sul, quando a cidade foi atingida por fortes chuvas em março de 2024. Com a tragédia, capixabas diretamente impactados receberam o Cartão Reconstrução, com um valor de R$ 3,5 mil.

No cenário atual, a contrapartida, segundo Ricardo Ferraço, é a manutenção dos postos de trabalho nas empresas. Ou seja, mesmo diante de uma possível crise, para poder receber o auxílio, os empregadores não devem demitir seus funcionários.

  • Vale salientar que não há definição de valores e prazos para o suporte, já que o governo do Estado ainda estuda a viabilidade e os impactos em relação à tarifação.

O vice-governador ainda destacou que, com as medidas anunciadas na quarta-feira (30), alguns setores, como o de rochas naturais, foram aliviados, mas o momento ainda é de alerta frente aos desafios econômicos que podem ser enfrentados.

“A realidade de cada segmento vai demandar uma providência específica. A providência para o produtor de gengibre é uma, a do pescado é outra, por exemplo. O que nos preocupa neste momento é o emprego e o trabalho das pessoas [...], que podem enfrentar dificuldades financeiras, e isso impacta não só a economia do Estado, mas também dos municípios”, disse Ferraço.

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais