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Tarifaço de Trump: setores e governo do ES veem com alívio lista de isenções

Tarifaço de Trump: setores e governo do ES veem com alívio lista de isenções

Embora a lista de exclusão traga alívio, a manutenção da tarifação para outros produtos ainda representa um desafio, e as negociações continuam para buscar mais isenções

Publicado em 30 de julho de 2025 às 20:34

O economista Antonio Marcus Machado explica como a taxa de 50% para produtos brasileiros deve impactar os negócios

governo do Espírito Santo e setores industriais de participação importante da economia do Estado receberam com alívio a lista dos 694 produtos brasileiros que não vão ter a tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre os principais que ficaram de fora estão minério de ferro, aço, petróleo, celulose e parte da produção do setor de rochas ornamentais.

A ordem executiva de Donald Trump com a lista de produtos isentos foi publicada nesta quarta-feira (30) e as tarifas passarão a ser vigentes a partir do dia 6 de agosto – não mais a partir do dia 1º, como previsto inicialmente.

Neste ano, um terço das exportações do Espírito Santo foram destinadas aos Estados Unidos e, desde o anúncio das tarifas, o governo do Estado tem se mobilizado para entender os impactos, inclusive tendo formado um comitê para analisar o assunto com os setores.

Dados do Observatório da Indústria mostram que 64 municípios do Espírito Santo podem ser afetados diretamente pela sobretaxa por exportarem para os Estados Unidos. E, desses, 19 possuem dependência das relações comerciais com os EUA acima de 58%. Em 2024, Serra, Aracruz, Anchieta, Vitória e Cachoeiro de Itapemirim foram responsáveis por 82,3% das exportações para o mercado norte-americano.

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Tarifaço de Trump - setores e governo do ES veem com alívio lista de isenções

A publicação da lista pelos Estados Unidos ocorreu durante uma reunião do comitê com representantes da indústria na tarde desta quarta-feira (30). Durante o encontro, muitos ainda estavam avaliando os produtos que de fato ficaram de fora da tarifação. 

Exportação, navio, porto
Exportações do Espírito Santo vão boa parte para os Estados Unidos Crédito: Shutterstock

Para o vice-governador Ricardo Ferraço, a lista de exceções do tarifaço de Trump foi recebida com um alívio razoável, pois a ordem executiva americana veio com mais exceções do que se imaginava. Entre os pontos positivos da lista está a isenção para celulose, minério de ferro e quartzito, dentro do setor de rochas. 

"A boa notícia é que veio uma lista grande de exceções e, ao longo dos próximos dias, as negociações vão continuar existindo. Os clientes dos produtos brasileiros e capixabas estão se movimentando muito para mostrar ao governo americano que isso não causa apenas problema e impacto aqui, na nossa economia. Causa impacto também no dia a dia deles", afirma Ferraço. 

Apesar das exceções, o governo ainda tem preocupações com produtos como café, gengibre e pescado, que ficaram fora da lista de isenção.

Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), disse ter recebido a notícia das isenções com alívio inicial. Mas reforçou a atenção à necessidade contínua trabalho, dados o cenário volátil e as preocupações com os setores que ainda serão impactados pelo tarifaço. Ele enfatizou a importância da colaboração entre os governos estadual e federal e as indústrias para mitigar os efeitos da imposição das tarifas.

"A notícia é positiva para indústria de modo geral, mas agora tem um lado preocupante para aqueles que não estão na lista, porque na verdade você está separando os setores de interesse nos Estados Unidos. É ruim porque você acaba segregando outros setores. Então, estamos agora analisando o que aconteceu nessa segregação. As nossas negociações via CNI, em Brasília, continuam com o ministro Geraldo Alckmin", ressaltou.

Já o setor de rochas ornamentais acabou tendo parte da sua produção afetada pelo tarifaço. Na lista de isenções, entrou o quartzito, que representa metade dos 80% das chapas produzidas no Estado que são enviadas para os Estados Unidos. 

Giovanni Franchischetto, superintendente do Centrorochas, também recebeu com alívio a notícia de que parte da produção de rochas entrou na lista de exceções. 

"A tarifação é muito danosa pro setor de rochas. 56% do total que é exportado vai para os Estados Unidos. E do industrializados, que são as chapas polidas, 80% vão para os Estados Unidos. Agora recebemos a notícia de que um mineral está fora, que é o quartzito, o que é bastante importante e dá um acalento pro setor, pois representa em torno de 40% das chapas exportadas para os Estados Unidos. Minimiza, mas não resolve o nosso problema", aponta. 

Em comunicado oficial, o Centrorochas celebrou como uma conquista a isenção parcial em tarifa e destacou que a entidade vai realizar evento na Embaixada do Brasil em Washington na sexta-feira (1º).

“O setor está unido, agindo com responsabilidade, diálogo e estratégia. A confirmação da isenção é um importante avanço, mas precisamos assegurar que toda a cadeia compreenda os termos da medida e se prepare para os próximos passos”, reforça Tales Machado, presidente da Centrorochas.

Encontro com indústrias

No encontro, os empresários deixaram claro que é importante que o governo federal não faça uma retaliação, principalmente porque algumas matérias-primas utilizadas na produção aqui, como o carvão usado para fabricar o aço, vêm dos Estados Unidos.

Na reunião, o diretor da ArcelorMittal, Paulo Wanick destacou que o setor de aço estava apreensivo com o anúncio das tarifas, temendo que esses 50% se somassem aos outros 50% que já foram impostos ao produto nos primeiros meses do ano. Por isso, recebeu como boa notícia a exclusão. Ele citou que, em razão das tarifas, neste primeiro semestre, R$ 1,2 bilhão de faturamento foi afetado, sendo R$ 600 milhões na planta de Tubarão.

Representando a Suzano, André Brito também falou na reunião que recebeu com alívio a exclusão de celulose da taxação. Ele apontou que o impacto da tarifação seria significativo, considerando que a empresa exporta entre 2 e 2,2 milhões de toneladas para os Estados Unidos anualmente. 

Brito apontou que, pelas informações iniciais, apenas o papel (papel-máquina) será tarifado, afetando cerca de 20 a 40 mil toneladas de exportação da unidade de Mucuri (BA) e 40 a 50 mil toneladas de São Paulo para os EUA. Sendo assim, para lidar com a tarifação do papel, a empresa pode diminuir a produção, encontrar novos mercados ou, em vez de fabricar papel, fazer celulose.

Participaram também da reunião com o governo do Estado representantes da Vale, Samarco e da indústria do café.

Mais reuniões do comitê

Mesmo diante a publicação da lista, o trabalho do comitê capixaba continua. Segundo Ricardo Ferraço, serão utilizadas as ferramentas e os recursos do governo para atenuar o processo de transição para as empresas afetadas, com a contrapartida de manutenção do nível de emprego e trabalho para os capixabas.

Isso pode incluir a antecipação ou utilização de créditos de ICMS acumulados pelas empresas exportadoras, se houver necessidade e comprovação dos impactos. 

Segundo Ferraço, o comitê continuará trabalhando firmemente, em contato com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que tem o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, à frente.

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