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"Hilário perseguia Milena num comportamento sociopata", afirma advogado

Renan Sales, assistente de acusação, disse que as testemunhas ouvidas confirmam toda a teste acusatória. Nesta quarta-feira (25), o julgamento dos acusados pela morte da médica entra no terceiro dia

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 25/08/2021 às 10h32
Fórum Criminal José Mathias de Almeida Netto, no Centro de Vitória
Fórum Criminal José Mathias de Almeida Netto, no Centro de Vitória. Crédito: Ricardo Medeiros

Nesta quarta-feira (25), às 10h, teve início o terceiro dia do julgamento das seis pessoas apontadas como as responsáveis pelo assassinato da médica Milena Gottardi. Entre os réus está o ex-marido da vítima e ex-policial civil Hilário Antonio Fiorot Frasson, acusado de ser o mandante do crime. Das nove testemunhas de acusação, sete já foram ouvidas, além de uma testemunha solicitada pela assistente de acusação. Faltam depor, pela acusação, Douglas Gottardi, irmão de Milena, e o delegado Janderson Lube, que conduziu as investigações. Os depoimentos deles devem abrir a sessão. Acompanhe tudo o que está acontecendo no julgamento tempo real.

O advogado Renan Sales, assistente de acusação, que representa a família de Milena Gottardi, ao chegar ao Fórum Criminal José Mathias de Almeida Netto nesta quarta-feira, disse que as testemunhas ouvidas ontem confirmam toda a tese acusatória e acredita que as duas testemunhas que faltam ser ouvidas hoje seguirão no mesmo sentido.

"As testemunhas que foram ouvidas na data de ontem confirmam toda tese acusatória, que de fato os seis réus são responsáveis pela morte da médica Milena."

Na fala, Renan Sales afirma que os depoimentos reforçam que Hilário perseguia Milena em um comportamento sociopata.

Renan Sales

Adovado que representa a família de Milena, assistente de acusação

"Os depoimentos foram firmes e uníssonos no sentido que Hilário não aceitava o fim do casamento, a perseguia num comportamento sociopata e, por não aceitar o divórcio, foi o autor desse plano, juntamente ao pai, que vitimou a Milena"

"As testemunhas foram equilibradas, sinceras e disseram toda a verdade que sabiam do fato. A gente acredita que hoje as duas testemunhas indicadas pela acusação que faltam ser ouvidas vão ser no mesmo sentido. Digo isso exatamente pelos depoimentos anteriores dessas testemunhas. Dr. Janderson, que participou desta investigação desde o início, com certeza confirmará ricos detalhes dessa trama criminosa", afirmou.

O assistente de acusação também rebateu afirmações feitas no dia anterior pelo advogado Leonardo Gagno, que faz a defesa de Hilário Frasson. Gagno disse, na ocasião, que como as mulheres (testemunhas) estavam abaladas e eram próximas de Milena, estariam "criando essas histórias".

"Foi dito na data de ontem, inclusive, que as testemunhas estariam criando falsos relatos. A gente lamenta essa postura, que na verdade se traduz numa retórica de quem não tem razão, de quem não tem argumentos verdadeiros e aí imputa mentira a terceiros. A gente acredita que todo esse processo redundará na condenação dos seis réus."

DIA A DIA DO JULGAMENTO

O primeiro dia de julgamento durou quase 12 horas e quatro testemunhas de acusação foram ouvidas. A previsão inicial do Tribunal de Justiça era de que o julgamento prosseguisse até a próxima sexta-feira (27), mas, por conta de atrasos no início do júri, agora a análise do caso pode ser concluída somente no domingo (29).

No segundo dia, mais quatro pessoas, sendo três testemunhas de acusação, prestaram depoimento, entre elas a amiga de Milena que presenciou o crime. O quarto depoimento foi de Shintia Gottardi, prima de Milena, testemunha solicitada pela assistente de acusação. Entre outras declarações, ela contou que Hilário criou grupo de WhatsApp para convencer Milena a não deixá-lo. O ex-policial deu ao grupo o nome de “Em nome do amor” e adicionou vários amigos dele e de Milena, além de alguns familiares.

No julgamento, os primeiros 9 depoimentos são de testemunhas de acusação e, nos próximos dias, serão ouvidas 19 testemunhas de defesa dos acusados, totalizando 28 pessoas.

O destino dos réus será decidido por sete jurados, sendo quatro mulheres e três homens. Quem conduz o julgamento é o juiz Marcos Pereira Sanches. 

O crime aconteceu em 14 de setembro de 2017, quando a médica encerrava um plantão. Confira abaixo como seria a participação de cada um dos acusados:

RELEMBRE O CRIME

A médica oncologista pediátrica Milena Gottardi foi baleada no estacionamento do Hospital das Clínicas (Hucam), em Vitória, na noite de 14 de setembro de 2017, em uma suposta tentativa de assalto. Milena foi socorrida em estado gravíssimo e, após passar quase um dia internada, teve a morte cerebral confirmada às 16h50 de 15 de setembro.

Milena Gottardi: do crime ao julgamento dos réus

As investigações da Polícia Civil descartaram, já nos primeiros dias, o que aparentava ser um assalto seguido de morte da médica (latrocínio). Naquele momento as suspeitas já eram de um homicídio, com participação de familiares.

Ao liberar o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, Hilário teve a arma e o celular apreendidos pela polícia. Ele não foi ao velório e enterro, que aconteceram em Fundão, onde Milena nasceu.

Os dois primeiros suspeitos foram presos, no dia 16 de setembro de 2017: Dionathas Alves Vieira, que confessou ter atirado contra a médica para receber R$ 2 mil; e Bruno Rodrigues Broeto, acusado de roubar a moto usada no crime. O veículo foi apreendido em um sítio, onde foram queimadas as roupas do executor.

Em 21 de setembro de 2017, o sogro de Milena, Esperidião Carlos Frasson, foi preso, suspeito de ser o mandante do crime. Também foi detido o lavrador Valcir da Silva Dias, suspeito de ser o intermediário. Na mesma data, o ex-marido Hilário Frasson foi preso.

O último a ser detido foi Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho, em 25 de setembro de 2017, apontado como intermediário. Ele tinha fugido para o interior de Aimorés, em Minas Gerais.

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