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“Hilário era como se fosse da família”, relata desembargador

O desembargador aposentado Arnaldo Santos Souza, quinta e última testemunha de defesa de Hilário, prestou depoimento na manhã desta sexta-feira (27), por videoconferência

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 27/08/2021 às 12h46
Caso Milena Gotardi
O policial civil Hilário Frasson, acusado de ser o mandante do assassinato da ex-esposa, a médica Milena Gottardi . Crédito: Fernando Madeira/Arte Geraldo Neto

O quinto dia do julgamento das seis pessoas apontadas como as responsáveis pelo assassinato da médica Milena Gottardi começou ouvindo o desembargador aposentado Arnaldo Santos Souza, na manhã desta sesta sexta-feira (26), por videoconferência. Foi a primeira vez que uma testemunha foi ouvida de forma remota no tribunal de júri do Fórum Criminal de Vitória. Quinta e última testemunha de defesa de Hilário Frasson, ele disse que o ex-marido de Milena era tratado como um familiar. Acompanhe tudo o que está acontecendo no julgamento tempo real.

Arnaldo Santos Souza

Desembargador aposentado e testemunha de defesa de Hilário

"Hilário era como se fosse da família"

O desembargador aposentado contratou Hilário para atuar em seu gabinete, quando atuou no Tribunal de Justiça do Espírito Santo. “Ele me foi indicado por sua competência e prestou um bom serviço”, relatou.

Ele relatou que o ex-marido da vítima era cordial com os colegas do Tribunal e com o próprio desembargador, e que chegou a conhecer Milena e sua filha mais velha em uma confraternização em seu gabinete. “De vez em quando, Milena ia no gabinete com a filhinha. A primeira filha, a mais velha, via ele tendo muito cuidado com ela", afirmou. Em outro momento disse que em sua percepção “havia amor entre o casal”.

Questionado pelos advogados da defesa de Hilário, o desembargador aposentado afirmou não ter conhecimento de que Hilário Frasson tinha porte de arma de fogo desde 2002. A informação de que Hilário gostava de ostentar armas foi apresentado pelas testemunhas de acusação. 

Arnaldo Santos Souza

Desembargador aposentado e testemunha de defesa de Hilário

"Até onde eu tinha conhecimento, nunca vi ele com arma. Também não sabia que ele tinha porte de arma. Na contratação dele, no Tribunal, inclusive, nós fizemos uma investigação social e não notamos nada que comprometesse"

Arnaldo Santos Souza concluiu seu depoimento, que durou pouco mais de 25 minutos, dizendo que não teve nenhum fato que tenha presenciado de Hilário que sinalizasse um perfil violento. Também disse que nunca o viu embriagado em festas de confraternização do gabinete, em que ele e Hilário trabalhavam.

Souza também citou um encontro que teve com Espiridião, no sítio da família de Hilário em Fundão. Ele afirmou que tinha conhecimento, por meio de Hilário, que Espiridião respondia a uma ação penal em Fundão, mas não sabia o teor do processo.

O advogado Rodrigo Bandeira de Melo avaliou como bom o depoimento do desembargador. “O depoimento de um desembargador reconhecido por sua conceituada trajetória, como foi o do senhor Arnaldo, inspira verdade e credibilidade. O depoimento dele foi fundamentado em anos de convivência. Durante todo esse tempo, o desembargador pode observar o comportamento profissional de Hilário e também atitudes íntegras dele para com a sua família”, disse.

Rodrigo Bandeira, advogado de Hilário Frasson
Rodrigo Bandeira, advogado de Hilário Frasson. Crédito: Ricardo Medeiros

JULGAMENTO

Nos quatro primeiros dias do julgamento, 10 testemunhas da acusação foram ouvidas, sendo uma chamada pelo assistente de acusação e 9 pelo Ministério Público do ES.

Na quinta-feira (26), as testemunhas de defesa começaram a ser ouvidas. Inicialmente, estavam previstos os depoimentos de 19 testemunhas de defesa dos acusados, mas muitas foram dispensadas e esse total será alterado.

A previsão inicial do Tribunal de Justiça era de que o julgamento fosse concluído até sexta-feira (27), mas por conta dos atrasos no início do júri, da complexidade do caso e dos longos depoimentos das testemunhas de acusação nos primeiros dias, a análise do caso pode ser concluída somente no domingo (29) ou na segunda-feira (30).

O destino dos réus será decidido por sete jurados, sendo quatro mulheres e três homens. Quem conduz o julgamento é o juiz Marcos Pereira Sanches.

O crime aconteceu em 14 de setembro de 2017, quando a médica encerrava um plantão. Confira abaixo como seria a participação de cada um dos acusados:

DIA A DIA DO JULGAMENTO

O primeiro dia de julgamento durou quase 12 horas e quatro testemunhas de acusação foram ouvidas. 

No segundo dia, mais quatro pessoas prestaram depoimento, entre elas a amiga de Milena que presenciou o crime. O quarto depoimento foi de Shintia Gottardi, prima de Milena, testemunha solicitada pelo assistente de acusação. 

O terceiro dia do julgamento foi dominado pelo depoimento do delegado Janderson Lube, que presidiu o inquérito que apurou a morte da médica. Ele foi a única testemunha a depor na quinta-feira (25) e detalhou as investigações que levaram aos nomes dos seis réus. Foram 10h40 de depoimento do delegado, o mais longo do julgamento até então.

No quarto dia, o depoimento de Douglas Gottardi — um dos mais esperados — se prolongou até o início da tarde de quinta-feira (26). Ele foi a última testemunha de acusação a depor. 

RELEMBRE O CRIME

A médica oncologista pediátrica Milena Gottardi foi baleada no estacionamento do Hospital das Clínicas (Hucam), em Vitória, na noite de 14 de setembro de 2017, em uma suposta tentativa de assalto. Milena foi socorrida em estado gravíssimo e, após passar quase um dia internada, teve a morte cerebral confirmada às 16h50 de 15 de setembro.

Milena Gottardi: do crime ao julgamento dos réus

As investigações da Polícia Civil descartaram, já nos primeiros dias, o que aparentava ser um assalto seguido de morte da médica (latrocínio). Naquele momento as suspeitas já eram de um homicídio, com participação de familiares.

Ao liberar o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, Hilário teve a arma e o celular apreendidos pela polícia. Ele não foi ao velório e enterro, que aconteceram em Fundão, onde Milena nasceu.

Os dois primeiros suspeitos foram presos, no dia 16 de setembro de 2017: Dionathas Alves Vieira, que confessou ter atirado contra a médica para receber R$ 2 mil; e Bruno Rodrigues Broeto, acusado de roubar a moto usada no crime. O veículo foi apreendido em um sítio, onde foram queimadas as roupas do executor.

Em 21 de setembro de 2017, o sogro de Milena, Esperidião Carlos Frasson, foi preso, suspeito de ser o mandante do crime. Também foi detido o lavrador Valcir da Silva Dias, suspeito de ser o intermediário. Na mesma data, o ex-marido Hilário Frasson foi preso.

O último a ser detido foi Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho, em 25 de setembro de 2017, apontado como intermediário. Ele tinha fugido para o interior de Aimorés, em Minas Gerais.

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