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Covid-19: morte de pessoas com menos de 60 anos cresce 72,81% no ES

Dados apresentados pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, atestam a agressividade do novo coronavírus nos idosos e também na população não idosa

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 29/03/2021 às 13h49
Atualizado em 30/03/2021 às 12h24
Brasília - Idosos com 80 anos ou mais, nesta terça-feira, 02 de fevereiro, são vacinados contra coronavirus, por drive thru.
Idosos estão no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19. Crédito: Brasília

O número de mortes de pessoas com menos de 60 anos por causa da Covid-19 cresceu 72,81% no Espírito Santo. O dado é referente aos meses de fevereiro e março deste ano e foi apresentado pelo secretário de Estado da Saúde (Sesa), Nésio Fernandes. A análise considera as informações publicadas no domingo (28) pelo Painel Covid -19.

Em uma publicação na rede social, Nésio ressaltou que os idosos ainda estão entre os que mais morrem por causa da doença no Espírito Santo. A média móvel de 14 dias de óbitos entre não-idosos cresceu 117,74%. Entre os idosos, o aumento foi de 53,25%.

Nésio Fernandes

Secretário de Estado da Saúde

"Apesar de que ainda morrem mais idosos em números totais, entre fevereiro/março, o crescimento foi maior entre não-idosos (72,81%) do que entre os idosos (54,21%)"

RECORDE DE MORTES

Diariamente, o governo do Estado divulga o número de novas mortes por coronavírus computadas nas últimas 24 horas. É quando se tem a confirmação de que o óbito investigado teve como causa a Covid-19. Por esse parâmetro, o Espírito Santo bateu na segunda-feira (29), o triste recorde de 89 vítimas fatais do vírus nas últimas 24 horas. 

No entanto, o registro das mortes no sistema do Painel Covid é feito considerando a data em que ocorreu o óbito. De acordo com a ferramenta do governo do Estado, o dia em que mais pessoas morreram com coronavírus  no Espírito Santo foi a última terça-feira (23), com um total de 49 vidas perdidas. O índice supera a marca de 47 mortes registradas pela data de óbito, observadas durante a primeira expansão da pandemia no Estado, ocorrida nos dias 3 de junho e 16 de junho, ambos em 2020.

Em uma entrevista recente, o secretário já havia apontado que o número de internações e óbitos entre os jovens tem aumentado. Segundo ele, o risco é ainda maior com a circulação no Espírito Santo de novas variantes do coronavírus. “Os jovens vão morrer em uma proporção não vista em outro momento na pandemia”, comentou, na época.

Cemitério de Santo Antônio
Cemitério de Santo Antônio, em Vitória. Crédito: Ricardo Medeiros

MÉDIA MÓVEL

Um levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a pandemia no Brasil - a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde - apontou que o Brasil registrou 1.605 mortes por Covid nas últimas 24 horas e totalizou, no domingo (28), 312.299 óbitos.

A média móvel de mortes no país nos últimos 7 dias chegou a 2.598, um novo recorde desde o início da pandemia pelo terceiro dia consecutivo. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de mais +40%. A taxa indica tendência de alta nos óbitos.

Já o Espírito Santo contabiliza 374.215 casos confirmados e 7.278 mortes pela doença até esta segunda-feira (29). O consórcio apurou que o estado capixaba apresenta a maior variação de média móvel da região Sudeste. Confira:

  • Espírito Santo: +106%
  • Minas Gerais: +47%
  • Rio de Janeiro: +63%
  • São Paulo: +68%

REJUVENESCIMENTO DA PANDEMIA

A pandemia está ganhando novos contornos e afetando faixas etárias mais jovens no Brasil: 30 a 39 anos, 40 a 49 anos e 50 a 59 anos. É o que aponta o boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado na última sexta-feira (26).

  • Semana Epidemiológica 1 de 2021 até a 10 (7 a 13/3)

  • Aumento de casos
  • 30 a 39 anos: 565,08%
  • 40 a 49: 626%
  • 50 a 59 anos: 525,93%

Os pesquisadores ressaltam que, desde o início da segunda onda, na Semana Epidemiológica 46, que compreende o período de 8 a 14 de novembro de 2020, tem sido observado um aumento de procura de pacientes jovens sintomáticos nos serviços de saúde. Este aumento foi maior que o verificado nas demais faixas etárias.

O documento atesta que a investigação chama atenção para o deslocamento da incidência para faixas mais jovens e a manutenção da mortalidade concentrada em faixas mais velhas. De acordo com os pesquisadores, a mudança ainda é inicial e contribui para o cenário crítico da ocupação dos leitos hospitalares.

"Por se tratar de população com menos comorbidades – e, portanto, com evolução mais lenta dos casos graves e fatais, demanda frequentemente uma permanência por maior tempo em internação em terapia intensiva", informa o boletim.

Atualização

30 de Março de 2021 às 12:15

Esta reportagem foi atualizada para incluir o recorde de novas mortes registradas em 24 horas no Espírito Santo, alcançado na segunda-feira (29), com 89 vidas perdidas. O texto também explica a diferença entre as mortes divulgadas diariamente e as mortes computadas no sistema do Painel Covid, considerando a data da confirmação do óbito. 

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