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Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 10:58
O governo do Estado voltou atrás e disse que a primeira fase do Cais das Artes, que corresponde ao museu do complexo cultural, na Enseada do Suá, em Vitória, não será inaugurada no dia 24 de janeiro. Essa data havia sido divulgada nas redes sociais do governador Renato Casagrande (PSB), após uma visita técnica às obras do local, realizada na segunda-feira (12).>
Foi publicado nos stories da conta do governador no Instagram um vídeo convidando o público para participar da inauguração no dia 24. Pouco tempo depois, o vídeo foi retirado do ar, mas durante a manhã desta terça-feira (13), a assessoria de imprensa do mandatário confirmou que a data seguia de pé.>
No entanto, por volta das 12 horas, a Superintendência Estadual de Comunicação Social do Espírito Santo (Secom) informou que houve um conflito de data com a atração musical prevista para se apresentar na inauguração. Portanto, ainda não é possível informar quando o espaço será aberto ao público.>
A inauguração do museu estava prevista para dezembro do ano passado e depois mudou para janeiro. Em conversa com A Gazeta, o governador justificou o recuo por “excesso de agenda” e estimou que a abertura poderia ocorrer justamente em 24 de janeiro, um sábado.>
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Em outubro, em evento no qual a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI) assumiu a gestão do complexo cultural, Casagrande havia prometido que a primeira etapa da estrutura, que compreende o museu, seria inaugurada em dezembro, com um grande evento de abertura. A segunda fase, que inclui o teatro, segue prevista para junho de 2026. >
Procurada para mais informações sobre a inauguração, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) informou, via assessoria de imprensa, que a abertura contará com uma atração artística, que será divulgada em breve. Logo depois, será iniciada a montagem da primeira exposição que ocupará o espaço: “Amazônia”, do fotógrafo mineiro Sebastião Salgado.>
Enquanto o governador segue mantendo o cronograma de entrega do Cais das Artes previsto pelo Executivo estadual, o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES) apontou, por meio de uma manifestação técnica, que parte da segunda fase das obras, que inclui o teatro que o complexo cultural abrigará, pode ser entregue somente nos primeiros meses de 2027.>
No caso do teatro, o governo segue trabalhando com o prazo de entrega entre os meses de junho e julho deste ano. Ao TCES, o Departamento de Edificações e Rodovias (DER-ES) responsável pela gestão das obras no Cais das Artes, informou, por sua vez, que o teatro tinha conclusão prevista para dezembro de 2026.>
Esse desencontro no cronograma anunciado pelo DER-ES e pelo governo do Estado está em documento de 18 páginas que embasou o voto do conselheiro Davi Diniz para condenar o diretor-geral do órgão estadual, José Eustáquio de Freitas, ao pagamento de multa de R$ 15 mil.>
A pena foi imposta pelo fato de o gestor ter deixado de responder, reiteradamente, pedido de informações do TCES sobre o cronograma das obras no Cais das Artes, bem como acerca das intervenções já executadas no empreendimento.>
Questionado pela reportagem na ocasião, o DER-ES reforçou que as obras do Cais das Artes deverão ser entregues à OEI em junho de 2026, mas admitiu que estava elaborando um aditivo de prazo para dezembro de 2026 para que os técnicos da organização possam fazer os ajustes finais na obra, conforme cronograma informado à área técnica da Corte de Contas.>
A obra do Cais das Artes começou oficialmente em 2010, no fim do segundo mandato do então governador Paulo Hartung. O investimento total seria de R$ 115 milhões. A previsão inicial de entrega do empreendimento era para 2012, mas uma série de contratempos e judicializações resultou no atraso da obra. >
Em 2013, um novo contrato foi firmado para continuidade das obras. Porém, em 2015, foram constatadas irregularidades na execução do projeto, inclusive com pagamentos indevidos. Já em 2023, oito anos depois da paralisação e dois anos após a morte do arquiteto Paulo Mendes da Rocha (autor do projeto), Casagrande anunciou a retomada diante do acordo judicial com o consórcio Andrade Valladares-Topus, prometendo a entrega do espaço até janeiro de 2026.>
À época, o governo do Estado divulgou que seriam desembolsados R$ 183 milhões para as operações, sendo R$ 20 milhões para recuperação e limpeza do canteiro de obras e R$ 163 milhões para as demais atividades. Até ali, já haviam sido pagos R$ 56 milhões à Santa Bárbara, primeira empresa que executou a obra, e outros R$ 76 milhões destinados para o Consórcio Andrade Valladares-Topus para a parte do projeto que foi executada até a paralisação de 2015. >
O desenho original do complexo cultural prevê um teatro com 600 metros quadrados, que deve comportar 1,3 mil lugares, e um museu com espaço de 2,3 mil metros quadrados. Além disso, o Cais das Artes deve contar com um auditório para 225 pessoas, salas de exposições, biblioteca, cantina, recepção, cafeteria e espaços para espetáculos e exposições ao ar livre.>
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