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Chefe da PC no ES diz que delegado foi exonerado por negociar dados sensíveis

Chefe da PC no ES diz que delegado foi exonerado por negociar dados sensíveis

Troca de acusações entre Romualdo Gianordoli e o governo do Estado nas redes sociais ganha mais um capítulo com comentário de José Darcy Arruda

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 15:39

 - Atualizado há 2 horas

Romualdo Gianordoli Neto (à esquerda) e o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda (à direita)
Romualdo Gianordoli Neto e o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda: acusações nas redes sociais Crédito: Carlos Alberto Silva / Reprodução redes sociais

briga entre o delegado Romualdo Gianordoli Neto e a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) ganhou um novo capítulo e, novamente, nas redes sociais. Desta vez, o delegado-geral da Polícia Civil no Espírito Santo, José Darcy Arruda, foi quem se manifestou, afirmando que o policial civil acabou exonerado do cargo de subsecretário de Inteligência porque teria se apropriado de informações sensíveis de investigações.

Como A Gazeta mostrou, Romualdo foi demitido de cargo de chefia em 19 de dezembro de 2025. Inconformado, publicou um vídeo no Instagram, em 6 de janeiro, com críticas à Polícia Civil. O fato desagradou a alta cúpula da Segurança Pública estadual, que publicou uma resposta nos comentários da postagem, destacando que as acusações feitas nas redes sociais seriam investigadas pela Corregedoria da PC e também enviadas à Justiça.

José Darcy Arruda responde a comentário a fala por qual razão Roualdo Gianordoli foi exonerado
José Darcy Arruda respondeu a comentário nas redes sociais sobre a razão pela qual Romualdo Gianordoli foi exonerado Crédito: Reprodução redes sociais

Até aquela ocasião, Arruda não havia se pronunciado sobre o assunto, mas, ao ser questionado em sua rede social se não se falaria nada sobre os apontamentos de Romualdo, respondeu a um comentário alegando que, por orientação governamental, está tratando do caso na Corregedoria da Polícia Civil. Disse ainda que o delegado foi exonerado da Sesp porque "se apropriou de informações sensíveis de investigações policiais" e "começou a negociar para benefício próprio".

O delegado-geral ainda sugeriu que Romualdo teria problemas emocionais e a prova disso seria o fato de ter chorado, em público, durante a coletiva de imprensa da prisão de Fernando Moraes Pereira Pimenta, conhecido como Marujo, o traficante mais procurado do Espírito Santo. "Nomeação e exoneração acontecem toda hora no governo, porém ele não conseguiu conviver com a frustração", assinalou Arruda.

Em conversa com A Gazeta nesta segunda-feira (12), Romualdo negou que tenha negociado informações sensíveis de operações e afirmou que todas as acusações atribuídas a ele são absolutamente falsas e serão devidamente enfrentadas nas esferas criminal e correicional.

"Tenho plena confiança de que os mesmos critérios de legalidade, imparcialidade e regularidade procedimental que vêm sendo observados nos procedimentos em que figurei como parte serão igualmente aplicados na apuração das condutas ora denunciadas, e que a verdade dos fatos será integralmente demonstrada", declarou.

Delegado Romualdo Gianordoli faz acusações contra Polícia Civil e governo do Espírito Santo reage
Romualdo Gianordoli fez acusações contra Polícia Civil nas redes sociais e governo do Espírito Santo reagiu Crédito: Reprodução Instagram

Trocas de cargos na Sesp

Romualdo associa sua exoneração da Sesp à Operação Baest, liderada por ele enquanto subsecretário de Inteligência, realizada em maio de 2025. A ação levou ao bloqueio de R$ 100 milhões em carros, imóveis e contas de criminosos. O delegado afirma que havia conseguido alcançar o braço financeiro da organização ligada ao traficante Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, e identificado um empresário da Serra que estaria envolvido com o crime organizado.

Segundo afirmou Romualdo no vídeo, as investigações contra esse empresário acabaram não avançando, pois ele teria ligação com pessoas do “alto escalão” da sociedade, que teriam contato com o governo do Estado e com a Polícia Civil. Neste momento da gravação, o delegado afirmou que a corporação se encontra “bastante corroída”.

Em novo vídeo publicado na sexta-feira (9), Romualdo afirma que, após essa ação policial realizada por ele e outros delegados, José Darcy Arruda promoveu uma "dança das cadeiras", exonerando esses agentes do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat), da Sesp, responsável pelas investigações.

"O desmonte de um setor que apresentou resultados expressivos para a sociedade não encontra justificativa técnica nem possui precedentes conhecidos no âmbito institucional", afirmou Romualdo.

Sobre isso, José Darcy Arruda afirmou que essas transferências dos analistas do Ciat citadas por Romualdo são mentirosas. "Esses analistas já estavam localizados na Sesp há um ano, portanto eu não podia transferi-los. Foi ele (Romualdo) quem retirou os analistas do Ciat", declarou o delegado-geral.

Questionado sobre as trocas envolvendo os analistas vinculados ao Ciat, Romualdo declarou ser de conhecimento interno que os servidores teriam sido formalmente impedidos de ingressar e permanecer em quaisquer dependências da Polícia Civil. "O fato pode ser facilmente confirmado por múltiplas fontes administrativas, tornando falsas as afirmações de que teriam sido 'transferidos' por mera conveniência ou reorganização funcional."

O delegado ainda repudiou o que tratou como "tentativa de desqualificação pessoal" por meio de ataques à esfera emocional, "especialmente quando associados a um episódio público de intensa carga humana e institucional". "Trata-se de postura vil, desnecessária e incompatível com a responsabilidade que o cargo impõe. Seguirei me manifestando exclusivamente pelos meios adequados, com serenidade, responsabilidade e absoluto compromisso com a verdade", manifestou.

Polícia Civil abriu investigação

Em nota enviada à reportagem de A Gazeta, na tarde desta segunda-feira (12), a Polícia Civil afirmou que Romualdo Gianordoli Neto está respondendo a um procedimento na Corregedoria da corporação, que apura a subtração e apropriação de informações sigilosas de investigação policial. Também está sendo analisada a parte criminal dessa conduta do servidor.

Ainda segundo a Polícia Civil, a investigação já foi encaminhada ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e tramita em segredo, decretado pela Justiça.

Sobre a discussão a respeito dos analistas do Ciat, a corporação afirmou que eles foram localizados na pasta em 9 de setembro de 2024, conforme consta em Diário Oficial, trabalhando junto ao próprio então subsecretário de Inteligência. Portanto, “não havia possibilidade de qualquer movimentação por parte do delegado-geral, tendo em vista que não se encontrava mais sob administração da instituição”.

A Polícia Civil destacou, por fim, que o Ciat é uma ferramenta fundamental para o avanço do combate às organizações criminosas no Espírito Santo, e tem sido utilizado de maneira profissional, com apoio a diversas operações cruciais para os resultados alcançados relativos à queda de criminalidade no Estado.

Atualização
12/01/2026 - 18:01hrs
O texto foi atualizado com o posicionamento da Polícia Civil.

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