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Lavagem de dinheiro

Operação Baest bloqueou R$ 100 milhões em carros, imóveis e contas de criminosos

Esquema envolvia uso de empresas de fachada, escrituras subfaturadas e depósitos fracionados; além do Espírito Santo, a operação cumpriu mandados no Espírito Santo e em outros estados

Publicado em 20 de Maio de 2025 às 18:40

Nayra Loureiro

Publicado em 

20 mai 2025 às 18:40
Uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) desarticulou uma rede criminosa especializada em lavagem de dinheiro e bloqueou até o momento R$ 100 milhões em patrimônio, incluindo carros de luxo, imóveis de alto padrão e contas bancárias. Os alvos da Operação Baest, deflagrada na última quarta-feira (14), estão ligados ao tráfico de drogas e à movimentação de valores enviados a fornecedores que atuam na fronteira do Brasil com o Paraguai.
De acordo com a Polícia Civil, o bloqueio foi autorizado pela Justiça com base no volume de recursos movimentado pelos investigados. Os criminosos usavam diversas estratégias para dar aparência legal ao dinheiro do tráfico. Entre elas, a compra de imóveis com valor subfaturado em escrituras e a venda posterior pelos valores reais. A mesma técnica era aplicada na revenda de veículos. Segundo a investigação, também foram identificados depósitos fracionados e o uso de títulos de capitalização para burlar o controle do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Durante a coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (20), os investigadores explicaram que parte dos recursos vinha de remessas feitas a empresas de fachada localizadas em cidades fronteiriças, como Guaíra (PR), Mundo Novo e Eldorado (MS). De lá, os fornecedores enviavam drogas e armas ao Espírito Santo. Os principais repasses vinham de Thiago Cândido Viana, conhecido como Baé, ex-agente penitenciário preso desde 2021 e apontado como um dos maiores financiadores do tráfico estadual.
Thiago Cândido Viana, o Baé, é ex-agente penitenciário e foi preso em 2021
Thiago Cândido Viana, o Baé, é ex-agente penitenciário e foi preso em 2021 Crédito: Divulgação | Sesp
“Essa operação representa uma mudança de paradigma para a Polícia Civil do Espírito Santo. Foi a primeira com foco exclusivo na repressão financeira do crime organizado, e os resultados mostram a importância de seguir esse caminho”, afirmou o subsecretário de Inteligência da Sesp, Romualdo Gianordoli Neto.
A investigação identificou mais de 20 pessoas envolvidas no esquema, incluindo empresários, “laranjas” e pessoas físicas que receberam valores injustificáveis em contas bancárias. Parte dos bens estava registrada em nome de terceiros, mas a Polícia Civil conseguiu comprovar a ligação com os investigados.
As ordens de bloqueio somaram R$ 104 milhões, mas o valor efetivamente encontrado em contas e bens até agora gira em torno de R$ 40 milhões — número que pode aumentar com o avanço das análises.
Além do Espírito Santo, a Operação Baest cumpriu mandados nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Parte dos investigados segue sob apuração, e novos bloqueios não estão descartados.

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