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ES tem mais de 80 casos de violência contra a mulher por dia no carnaval

ES tem mais de 80 casos de violência contra a mulher por dia no carnaval

Levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública revela aumento de 26,1% neste ano em comparação ao mesmo período de 2025

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 12:38

Enquanto muitos se divertiam atrás de blocos, trios e festas, 424 mulheres precisaram ir atrás de segurança e denunciaram ser vítimas de violência doméstica durante o carnaval no Espírito Santo. Os dados representam um aumento de 26,1% em relação a 2025, quando foram registradas 336 queixas no período, e se traduzem em uma média de 84 casos por dia — ou três por hora — no período da folia. 

O levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) compreende o período das 18 horas de sexta-feira (13) às 18h da Quarta-feira de Cinzas (18) e aponta, também, um crescimento no número de pedidos de medidas protetivas. Neste ano, foram 204 solicitações ante as 186 de 2025. 

Mulher; máscara de carnaval
Mais mulheres denunciaram violência doméstica durante o carnaval deste ano Crédito: Freepik

Apesar do aumento de casos de violência doméstica no carnaval de 2026, não houve feminicídio no período, assim como em 2025. Mas houve um episódio de marido tentando matar a mulher, como o registrado em São Domingos do Norte, onde um homem foi autuado pela Polícia Civil por dupla tentativa de feminicídio por atacar a esposa e a filha de 14 anos

Para a gerente de Proteção à Mulher da Sesp, delegada Michele Meira, o aumento das denúncias é um indicativo de que mais vítimas estão cientes da necessidade de buscar ajuda, ao menor sinal de violência. 

Acredito que as mulheres estão tendo mais acesso à informação e entendem que o ato de uma pessoa que, inicialmente, aparenta um mero desrespeito ou ameaça, pode escalar na violência. Elas passaram a compreender a seriedade e estão buscando ajuda

Michele Meira

Delegada e gerente de Proteção à Mulher da Sesp

Michele Meira orienta as mulheres que, caso não se sintam em condições de registrar um caso de violência na polícia num primeiro momento, busquem apoio em outros serviços, como os oferecidos pelas prefeituras, mas que não ignorem os riscos. "O importante é sair da invisibilidade da violência para se proteger."

Ao longo deste ano, conforme dados do Observatório de Segurança da Sesp, já foram registrados 2.549 casos de violência doméstica — atualizados até 31 de janeiro — e dois feminicídios: em Cachoeiro de Itapemirim, onde a vítima foi morta com golpes de machado pelo companheiro, e na Serra, em que a mulher foi golpeada na cabeça com martelo pelo marido.

Outros indicadores do carnaval

Além dos registros relacionados à violência contra a mulher, a Sesp fez um balanço das demais ocorrências no carnaval. Os indicadores apontam para uma redução dos principais incidentes de crimes contra o patrimônio, de 2025 para 2026. Confira:

  • Furtos e roubos a pessoas: de 196 casos para 188;
  • Furtos e roubos em residências: de 38 para 34 registros;
  • Furtos e roubos em comércio: de 48 para 37 ocorrências;
  • Furtos e roubos de veículos: de 98 para 69 casos.

No entanto, houve aumento de 8% nos casos de furtos e roubos de celulares, prática comum em blocos de carnaval. Em 2025, foram 233 registros e, neste ano, 252. Sem contar as denúncias de violência contra a mulher, foi o crime mais praticado no período da folia. 

A Sesp registrou, ainda, um crescimento de 75% no número de homicídios dolosos, que passou de 8 para 14. Nenhuma das ocorrências foi registrada em locais de festas de carnaval. 

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