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O que causa gordura no fígado? Entenda riscos e como prevenir

O que causa gordura no fígado? Entenda riscos e como prevenir

A prevenção envolve a adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, evitando excesso de açúcares e carboidratos e priorizando frutas e vegetais.

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 24 de março de 2026 às 14:52

Gordura na barriga
Em muitos casos, a gordura no fígado é assintomática e descoberta em exames de rotina Crédito: Shutterstock

gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática, afeta milhões de pessoas e, se não tratada, pode evoluir para quadros graves como cirrose ou insuficiência hepática. Mas será que ter gordura no fígado é sempre perigoso? A resposta depende do grau de acúmulo e das causas subjacentes. 

Os sintomas da condição nem sempre estão presentes. Em muitos casos, a gordura no fígado é assintomática e descoberta em exames de rotina. Quando os sinais aparecem, podem incluir fadiga, desconforto abdominal - especialmente no lado direito - e, em estágios mais avançados, aumento do fígado. “É importante frisar que a gordura no fígado pode, sim, causar dor, mas isso ocorre geralmente quando já há inflamação ou aumento do órgão”, explica o hepatologista Fabiano Furlan, do Hospital Santa Rita.

O médico diz que a causa mais frequente está relacionada a hábitos de vida, como má alimentação, sedentarismo e sobrepeso. Além disso, o uso excessivo de álcool, presença de diabetes tipo 2, resistência à insulina, colesterol elevado e até o uso prolongado de certos medicamentos também estão associados ao desenvolvimento da doença. “Mesmo pessoas magras podem desenvolver esteatose, especialmente se tiverem alterações metabólicas, como resistência à insulina ou dislipidemia”, alerta o médico.

A hepatologista Carla Regina Bonadiman, da Rede Meridional, diz que os principais fatores de risco são diabetes, resistência à insulina, obesidade, dislipidemia, sedentarismo, alimentação rica em açúcares e carboidratos e consumo de álcool. "Alguns medicamentos, como corticoides e tamoxifeno, também podem levar ao acúmulo de gordura no fígado".

A obesidade é um dos principais fatores associados à esteatose hepática. A prevalência da doença é mais elevada em regiões com alta incidência de obesidade e diabetes tipo 2, como América do Norte (24%–26%) e Europa (20%–30%). No Brasil, aproximadamente 30% a 35% da população adulta apresenta esteatose hepática, sendo ainda mais frequente entre pessoas com obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

Como prevenir a gordura no fígado

Carla Regina Bonadiman diz que a prevenção envolve a adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, evitando excesso de açúcares e carboidratos e priorizando frutas vegetais. "A prática regular de atividade física é fundamental. Também é importante controlar doenças associadas, como diabetes, dislipidemia e obesidade, além de evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de medicamentos sem orientação médica".

O tratamento é baseado principalmente na mudança do estilo de vida. Recomenda-se perda de peso gradual, entre 7% e 10%, dieta com redução de calorias e rica em fibras, vitaminas e proteínas, além da prática de atividade física aeróbica por pelo menos 150 minutos por semana. "Em alguns casos, podem ser utilizados medicamentos para controle das comorbidades, como pioglitazona e dapagliflozina em pacientes diabéticos, além de vitamina E em casos selecionados de esteato-hepatite confirmada por biópsia" diz a médica.

Novas terapias, como resmetirom, semaglutida e tirzepatida, têm sido utilizadas, com benefícios na perda de peso e redução da gordura hepática. "No entanto, podem apresentar custo elevado, efeitos colaterais e perda de eficácia após a suspensão. Por isso, a base do tratamento continua sendo a mudança do estilo de vida", finaliza a médica.

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