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Publicado em 23 de março de 2026 às 14:30
A gordura no fígado, clinicamente chamada de esteatose hepática, ocorre quando as células do fígado começam a acumular excesso de triglicerídeos. É normal ter uma quantidade mínima de gordura no órgão, mas quando essa proporção ultrapassa níveis considerados normais, se torna um problema de saúde. >
A condição afeta cerca de 25% da população mundial. Estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas tenham algum grau de doença hepática gordurosa associada à síndrome metabólica. Os médicos ressaltam que a maioria dos pacientes são assintomáticos, mas podem apresentar alguns sintomas como dor abdominal, cansaço, fraqueza, perda de apetite, aumento do fígado e inchaço abdominal, mas não são exclusivos da doença, o que pode dificultar a identificação precoce. >
A hepatologista Carla Regina Bonadiman, da Rede Meridional, diz que os principais fatores de risco da doença são o diabetes, a resistência à insulina, a obesidade, a dislipidemia, o sedentarismo, a alimentação rica em açúcares e carboidratos e o consumo de álcool. "Alguns medicamentos, como corticoides e tamoxifeno, também podem levar ao acúmulo de gordura no fígado".>
A obesidade é um dos principais fatores associados à esteatose hepática. A médica diz que a prevalência da doença é mais elevada em regiões com alta incidência de obesidade e diabetes tipo 2, como América do Norte (24%–26%) e Europa (20%–30%). No Brasil, aproximadamente 30% a 35% da população adulta apresenta esteatose hepática, sendo ainda mais frequente entre pessoas com obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.>
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O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais e de imagem. "O gastroenterologista ou hepatologista pode solicitar exames de função hepática, dosagem de enzimas hepáticas, sorologias virais e exames de imagem. Entre eles estão ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética e elastografia hepática", diz Carla Regina Bonadiman.>
A hepatologista Perla Oliveira Schulz Mamone diz que a descoberta geralmente ocorre através da realização de exames de imagem como a ultrassonografia do abdome ou de exames de sangue alterados. "O rastreio deve ser realizado com a inclusão, nos exames de check-up de pacientes de risco (pacientes com sobrepeso/obesidade, ou diabetes, ou com distúrbios metabólicos), da realização de exames de sangue para dosagem de enzimas hepáticas, e ultrassonografia de abdome". >
A médica conta que a esteatose hepática pode evoluir com inflamação crônica no fígado, sendo um importante fator de risco para o desenvolvimento de cirrose hepática, com insuficiência gradual deste órgão e para o surgimento de câncer do fígado, às vezes inclusive com necessidade de transplante do fígado. "A doença gordurosa hepática aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral, problemas renais e outros tipos de tumores associados à obesidade e distúrbios metabólicos", diz Perla. >
O tratamento da gordura no fígado é baseado principalmente na mudança do estilo de vida. Recomenda-se perda de peso gradual, entre 7% e 10%, dieta com redução de calorias e rica em fibras, vitaminas e proteínas, além da prática de atividade física aeróbica por pelo menos 150 minutos por semana. "Em alguns casos, podem ser utilizados medicamentos para controle das comorbidades, como pioglitazona e dapagliflozina em pacientes diabéticos, além de vitamina E em casos selecionados de esteato-hepatite confirmada por biópsia", diz Carla Regina Bonadiman.>
A médica reforça que novas terapias, como resmetirom, semaglutida e tirzepatida, têm sido utilizadas, com benefícios na perda de peso e redução da gordura hepática. "No entanto, podem apresentar custo elevado, efeitos colaterais e perda de eficácia após a suspensão. Por isso, a base do tratamento continua sendo a mudança do estilo de vida".>
A prevenção envolve a adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, evitando excesso de açúcares e carboidratos e priorizando frutas e vegetais. "A prática regular de atividade física é fundamental. Também é importante controlar doenças associadas, como diabetes, dislipidemia e obesidade, além de evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de medicamentos sem orientação médica", finaliza Carla Regina Bonadiman.>
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