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Faustão: entenda quando é recomendado o transplante de fígado

Faustão: entenda quando é recomendado o transplante de fígado

O fígado é o maior órgão sólido do corpo humano e exerce mais de 500 funções vitais

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 8 de agosto de 2025 às 14:48

Fausto Silva, Faustão
O apresentador Faustão foi submetido ao transplante de fígado Crédito: Band/Divulgação

O apresentador Faustão foi submetido ao transplante de fígado e retransplante renal, procedimentos que aguardava há um ano, conforme informou a equipe médica. Em fevereiro de 2024 ele já havia feito um transplante de rim. O procedimento ocorreu seis meses após ele realizar um transplante de coração.

O apresentador está internado no Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, desde o dia 21 de maio deste ano devido a uma infecção bacteriana aguda, de acordo com o boletim médico divulgado na noite desta quinta-feira (7).

“Durante o período, passou por controle infeccioso e reabilitação clínica e nutricional, para estabilização do quadro de saúde. O paciente foi submetido a um transplante de fígado nesta quarta-feira, 6 de agosto, combinado a um retransplante renal, planejado há um ano, e realizado hoje, 7 de agosto. Os procedimentos ocorreram após o Einstein ser acionado pela Central de Transplantes do Estado de São Paulo e confirmar a compatibilidade dos órgãos doados por doador único”, diz texto da nota.

Entenda a importância da cirurgia 

O fígado é o maior órgão sólido do corpo humano e exerce mais de 500 funções vitais. Entre as principais estão filtrar toxinas do sangue, produzir bile - importante para a digestão de gorduras -, regular o metabolismo da glicose e das gorduras, armazenar vitaminas e minerais e sintetizar proteínas essenciais para a coagulação sanguínea. Em resumo, sem o fígado, a vida não é possível.

Quando esse órgão vital deixa de funcionar de forma adequada, seja por doenças crônicas como hepatites virais, cirrose alcoólica ou autoimune, doenças genéticas ou câncer, uma das únicas opções de tratamento em fases avançadas pode ser o transplante de fígado.

De acordo com o hepatologista Fabiano Furlan, do Hospital Santa Rita, o transplante de fígado é uma cirurgia complexa em que um fígado doente é substituído por um fígado saudável de um doador falecido ou, em alguns casos, por parte do fígado de um doador vivo. 

O procedimento visa restabelecer a função hepática, prolongar a vida do paciente e melhorar significativamente sua qualidade de vida

Fabiano Furlan

Hepatologista

O transplante é indicado quando há falência hepática terminal ou quando outras formas de tratamento não são mais eficazes. As principais indicações são nos casos de cirrose hepática avançada - especialmente por hepatite B, hepatite C, álcool ou gordura no fígado com inflamação (NASH) -, de carcinoma hepatocelular (CHC) dentro de critérios específicos (Critérios de Milão), e de doenças genéticas - como Doença de Wilson ou hemocromatose.

Em situações de hepatite fulminante - quando o fígado falha de forma súbita e rápida -, nos casos de atresia biliar (em crianças) e outras colangites, também há indicação de submeter o paciente a um transplante do órgão.

O médico hepatologista ressalta que os dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) mostram que mais de 2,3 mil transplantes hepáticos são realizados por ano no território nacional - o que coloca o Brasil como o segundo país do mundo que mais realiza transplantes de fígado pelo sistema público de saúde (SUS).

O médico afirma que a cirurgia é de alta complexidade. “O transplante de fígado é considerado uma das cirurgias mais complexas da medicina moderna. Exige uma equipe multiprofissional altamente especializada e estrutura hospitalar de ponta. O procedimento pode variar de 6 horas a 12 horas, dependendo das condições clínicas do paciente e da anatomia do fígado”, pontua.

Após o transplante, o paciente permanece em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por alguns dias, seguido de internação em enfermaria por cerca de 10 a 20 dias, dependendo da evolução. “A recuperação envolve o uso contínuo de medicamentos imunossupressores para evitar rejeição do novo órgão, além de acompanhamento rigoroso com exames laboratoriais e de imagem”, destaca. Ele acrescenta que, com os avanços médicos, o risco de complicações pós-operatórias caiu significativamente, especialmente em centros com grande experiência, como os credenciados pelo SUS.

Dados da ABTO e do Registro Brasileiro de Transplantes mostram que a taxa de sobrevida após um ano do transplante é de cerca de 85%. Em cinco anos, mais de 70% dos pacientes estão vivos e com boa qualidade de vida, especialmente quando seguem corretamente o tratamento. “Esses números são comparáveis aos melhores centros transplantadores do mundo. O transplante não só salva vidas como devolve esperança, funcionalidade e qualidade de vida aos pacientes”, enfatiza Fabiano Furlan.

O médico ressalta que o transplante de fígado é um avanço extraordinário da medicina. "Quando bem indicado, pode transformar vidas que estavam em contagem regressiva. Por isso, o diagnóstico precoce das doenças hepáticas é essencial para que o paciente tenha tempo de chegar até essa opção com condições clínicas adequadas”, conclui o especialista.

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