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Gordura no fígado: 4 estratégias eficazes para prevenir a doença

Gordura no fígado: 4 estratégias eficazes para prevenir a doença

A esteatose hepática é uma condição silenciosa. Geralmente, o principal sinal é a identificação de alterações no fígado em exames de imagem, como a ultrassonografia

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 26 de março de 2026 às 14:10

Gordura no abdome
A obesidade é um dos principais fatores associados à esteatose hepática Crédito: Shutterstock

esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado, tem se tornado cada vez mais comum e preocupa especialistas por seu potencial de evolução silenciosa e progressiva. De acordo com a hepatologista Mayara Fiorot Lodi, trata-se de uma condição que vai muito além de um simples achado em exames. “A gordura no fígado pode desencadear inflamação, evoluir para fibrose, cirrose e até câncer hepático, além de aumentar significativamente o risco de doenças cardiovasculares”, explica.

Na maioria dos casos, não há sintomas evidentes nas fases iniciais, o que faz com que muitos pacientes só descubram o problema em exames de rotina ou quando já há comprometimento mais avançado do fígado. Por isso, a atenção a fatores de risco como excesso de peso, diabetes e sedentarismo é fundamental, assim como a realização periódica de check-ups.

A hepatologista Carla Regina Bonadiman, da Rede Meridional, diz que os principais fatores de risco da doença são os diabetes, a resistência à insulina, a obesidade, o sedentarismo, a alimentação rica em açúcares e carboidratos e o consumo de álcool. "Alguns medicamentos, como corticoides e tamoxifeno, também podem levar ao acúmulo de gordura no fígado".

A obesidade é um dos principais fatores associados à esteatose hepática. A prevalência da doença é mais elevada em regiões com alta incidência de obesidade e diabetes tipo 2, como América do Norte (24%–26%) e Europa (20%–30%). "No Brasil, aproximadamente 30% a 35% da população adulta apresenta esteatose hepática, sendo ainda mais frequente entre pessoas com obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica", diz a médica.

Estratégias de prevenção

Nesse contexto, a alimentação equilibrada assume papel central tanto na prevenção quanto no tratamento. Por outro lado, o consumo frequente de açúcares simplesalimentos ultraprocessados, gorduras saturadas, frituras, carboidratos refinados e bebidas alcoólicas deve ser evitado, já que esses itens favorecem o acúmulo de gordura e prejudicam o metabolismo hepático.

Estratégias de prevenção

Alimentação balanceada: a alimentação equilibrada é importante na prevenção e no tratamento, investindo em fibras, vitaminas e proteínas. Deve-se evitar o consumo frequente de açúcares simples, alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas, frituras e carboidratos refinados que favorecem o acúmulo de gordura. 

Prática da atividade física: a prática regular de exercícios físicos desempenha papel importante, pois contribui para a redução da gordura no fígado e melhora a sensibilidade à insulina.

Controle de doenças: é importante controlar doenças associadas, como diabetes, dislipidemia e obesidade.

Evitar o consumo de álcool: é importante evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de medicamentos sem orientação médica.

Outro ponto essencial no tratamento é a perda de peso. Segundo a especialista, a redução de 5% a 10% do peso corporal já é capaz de promover melhora significativa no quadro. "A prática regular de exercícios físicos também desempenha papel importante, pois contribui para a redução da gordura no fígado e melhora a sensibilidade à insulina, mesmo quando a perda de peso não é expressiva", diz Mayara Fiorot Lodi, que é professora do Unesc.

Além disso, outras estratégias complementares são fundamentais para o controle da doença, como o bom controle de condições associadas, especialmente diabetes e colesterol elevado, e a manutenção de uma rotina de sono adequada.

Carla Regina Bonadiman diz que o tratamento é baseado principalmente na mudança do estilo de vida. "Recomenda-se perda de peso gradual, entre 7% e 10%, dieta com redução de calorias e rica em fibras, vitaminas e proteínas, além da prática de atividade física aeróbica por pelo menos 150 minutos por semana".

Em alguns casos, podem ser utilizados medicamentos para controle das comorbidades, como pioglitazona e dapagliflozina em pacientes diabéticos, além de vitamina E em casos selecionados de esteato-hepatite confirmada por biópsia.  "Novas terapias, como resmetirom, semaglutida e tirzepatida, têm sido utilizadas, com benefícios na perda de peso e redução da gordura hepática. No entanto, podem apresentar custo elevado, efeitos colaterais e perda de eficácia após a suspensão. Por isso, a base do tratamento continua sendo a mudança do estilo de vida".

Mayara Fiorot Lodi ressalta que o fígado é um órgão com grande capacidade de regeneração. "Com mudanças no estilo de vida, e medicação quando indicado , é possível não apenas controlar, mas muitas vezes reverter o quadro. Gordura no fígado não é mais apenas uma 'gordurinha'”, conclui a hepatologista.

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