Publicado em 17 de março de 2026 às 18:16
Março é marcado pela campanha Março Azul-Marinho, período dedicado à conscientização e prevenção do câncer colorretal (CCR). A doença, que atinge o cólon e o reto, apresenta um dado alarmante para a saúde pública: a maioria dos casos está associada a hábitos modificáveis, como o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, o tabagismo e o sedentarismo. >
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado no American Journal of Preventive Medicine, reforça esse alerta: a cada 10% de aumento na ingestão de ultraprocessados, o risco de morte prematura sobe 3%. Os autores recomendam que governos adotem medidas regulatórias e fiscais para facilitar escolhas mais saudáveis pela população. >
“Os principais fatores de risco são o consumo elevado de carnes vermelhas processadas, a baixa ingestão de fibras, obesidade e alcoolismo, além do histórico familiar. É fundamental realizar campanhas intensas para alertar a população”, ressalta Ricardo Dib, gastroenterologista do Lavoisier e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed). >
Segundo Ricardo Dib, o cenário global enfrenta um desafio crescente devido à urbanização. A disseminação de alimentos industrializados de baixo custo nas grandes cidades criou uma “armadilha” nutricional que contribui diretamente para o aumento da obesidade e, consequentemente, dos tumores no aparelho digestivo. >
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“No mundo todo, as cidades absorveram hábitos alimentares nocivos. Hoje, produtos de alto teor calórico e ultraprocessados são acessíveis e sedutores pelo preço. Esse consumo desenfreado é o que causou o aumento absurdo da obesidade, um cenário que precisamos reverter para prevenir a doença”, afirma o gastroenterologista. >
Historicamente associado a idosos, o câncer colorretal tem avançado sobre adultos jovens. Um estudo de 2025 da revista The Lancet Oncology, chamado “ Colorectal cancer incidence trends in younger versus older adults: an analysis of population-based cancer registry data “, confirmou essa tendência em 27 das 50 nações analisadas. “A adoção precoce de maus hábitos está antecipando o surgimento da doença”, pontua Ricardo Dib. >
O especialista explica que a educação e a visibilidade são os melhores caminhos para a prevenção . Ele menciona que a exposição de casos de figuras públicas, como o da cantora Preta Gil, ajuda a ampliar o alcance da informação e o interesse da população pelo diagnóstico preventivo. >
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer colorretal é o segundo mais frequente entre homens e mulheres no Brasil. Para o triênio de 2026 a 2028, estimam-se 53.810 novos casos anuais, o que representa um risco de aproximadamente 25 casos por 100 mil habitantes. >
A detecção precoce é possível por meio de exames como a colonoscopia, que permite identificar e remover pólipos antes que se tornem malignos. Além do rastreamento, a adoção de uma dieta rica em fibras e a prática regular de exercícios são as principais recomendações para a saúde intestinal. >
Dados da Fundação Nacional do Câncer mostram que o rastreamento reduz a mortalidade pela doença em cerca de 30%. Ricardo Dib alerta que esperar pelos sintomas é perigoso: “Confiar apenas em sinais como sangramento ou dor abdominal é arriscado, pois geralmente indicam doença avançada. Nesses casos, a sobrevida em cinco anos é de apenas 15%, enquanto 90% dos diagnosticados precocemente atingem essa marca”. >
A recomendação atual é que pessoas de ambos os sexos realizem exames preventivos a partir dos45 ou 50 anos.Em pessoas com histórico familiar ou predisposição genética, o rastreamento deve ser antecipado e personalizado. >
A seguir, confira 10 mitos e verdades sobre o câncer colorretal, assim como os sintomas, os riscos e a prevenção da doença. >
Verdade . O tumor pode se desenvolver sem alarde. Quando os sintomas aparecem — como sangue nas fezes, anemia e mudanças repentinas no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre) —, a doença pode estar em estágio mais avançado. Vale o alerta: esses sinais também aparecem em condições benignas, por isso a investigação médica é indispensável. >
Mito . Embora a incidência seja maior após os 50, o diagnóstico em jovens tem crescido. Histórico familiar e exposição a fatores de risco podem antecipar o surgimento da doença . >
Verdade . Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que judeus de origem europeia oriental (asquenazes) possuem risco elevado. Estatísticas também apontam maior incidência e mortalidade entre a população negra, embora as causas exatas ainda sejam objeto de estudo. >
Verdade . Diferentemente da genética, o estilo de vida é um fator controlável. Estima-se que 50% a 75% dos casos seriam evitados com uma dieta rica em vegetais, redução de carnes vermelhas e processadas (embutidos), prática de exercícios e abandono do tabagismo. >
Mito . Ela é crucial, mas não isolada. O consumo excessivo de álcool e o tabagismo são vilões conhecidos que potencializam as chances de mutações celulares no intestino. >
Verdade . O excesso de peso gera um estado inflamatório no organismo que favorece diversos tipos de câncer, incluindo o colorretal. O sedentarismo e a má alimentação formam o cenário ideal para o desenvolvimento de tumores . >
Verdade . Ela é o “padrão-ouro”. Diferentemente de outros exames, como a pesquisa de sangue oculto, a colonoscopia permite visualizar todo o cólon e remover pólipos antes que virem câncer. Exames como a sigmoidoscopia são auxiliares, mas não substituem a abrangência da colonoscopia. >
Mito . Com o uso de sedação moderna, o paciente não sente dor e o procedimento é rápido (15 a 30 minutos). >
Mito . O pólipo é uma lesão benigna ou pré-cancerígena. Encontrá-lo é, na verdade, uma boa notícia: ao retirá-lo durante a colonoscopia, o médico interrompe o caminho que levaria à formação de um tumor futuro. >
Mito . Graças ao avanço das técnicas cirúrgicas e tratamentos oncológicos , a colostomia (saída externa para fezes) é cada vez menos comum. Quando necessária, na maioria dos casos, é apenas temporária para permitir a cicatrização do intestino. >
Por Bárbara Cheffer >
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