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Alvaro Abreu

Como selecionar minhas crônicas para um livro?

Aqui começa a primeira dificuldade: como selecionar aquelas que poderiam merecer interesse dos leitores, por lhes trazer boas lembranças ou tratarem de questões ainda atuais

Publicado em 01 de Maio de 2026 às 05:00

Públicado em 

01 mai 2026 às 05:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Estou pensando em soltar um livro com crônicas que andei escrevendo nesses últimos anos para serem publicadas em A Gazeta, aqui de Vitória. Percebo que essa vontade é a mesma que muita gente que escreve já deve ter sentido: uma mistura da falta do que fazer e, sobretudo, de vontade de se fazer presente e lembrado. Para disfarçar, posso dizer que a tal publicação seria também de alguma utilidade para pessoas queridas, muitas delas leitoras assíduas do que escrevo.

Foi José Roberto Santos Neves, então editor do Caderno Dois, quem me fez o convite para escrever textos leves e curtos regularmente, sobre assuntos da minha escolha. Confesso que me senti uma pessoa importante e respondi que tentaria dar conta do recado.


Pelo que sei, teria sido sugestão de João Moraes, que já escrevia as suas saborosas e sempre meio safadinhas “mal traçadas linhas”. Estaria ao lado de gente muito querida e competente.

Sou do tempo em que escrever cartas era usual e necessário e dos que acreditam que se sentar diante de um papel em branco ou de uma tela vazia é providência recomendada para tentar saber o que se esteja sentindo.

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A crônica de estreia foi a “Perdi minha faquinha”, datada de 28 de maio de 2009, que trata de objeto pouco relevante para a maioria dos leitores. Digo isso por acreditar que poucas pessoas têm faquinhas de estimação para serem usadas com boa destreza para fazer pequenos serviços, incluindo descascar laranja pera, que tem casca fina e lisinha.


A que perdi era de grande estimação, pois tinha muita utilidade no trato com pedaços de bambu em busca da forma de uma colher qualquer.


Sempre soube que produzir com regularidade e constância gera resultados espantosos. Pois levei um susto ao fazer uma conta bem simples: escrever 26 crônicas quinzenais, durante 17 anos, resulta um total de 442. No barato e com os devidos descontos, acredito que devem ter sido publicadas umas 400 delas.


Quando eram impressas em papel jornal, a chance de serem lidas eram bem maiores, sobretudo na mesa do café da manhã. Hoje, com os celulares sempre à mão, a concorrência é quase desleal.  


Vale lembrar que são textos sobre assuntos os mais variados: muitos são atemporais e outros tantos do interesse de quem gosta de ler textos relativamente curtos, leves e despretensiosos.

Minha cabeça de engenheiro recomenda que, depois de organizar o que esteja guardado nas gavetas e nos arquivos do computador, será hora de enfrentar uma questão preliminar, relevante: fixar o que norteará as decisões sobre o que e como o fazer o livro.

Paixão por livros
Crônicas em um livro Pixabay

Aqui começa a primeira dificuldade: como selecionar aquelas que poderiam merecer interesse dos leitores, por lhes trazer boas lembranças ou tratarem de questões ainda atuais, persistentes.


Algumas são da minha preferência, por relatarem fatos marcantes do convívio familiar, experiências relevantes da minha vida profissional, de quem gosta de observar as pessoas, os ventos e as marés, e que faz colheres de bambu e doces de goiaba.


Por pura malandragem, estou tentado a pedir ajuda às pessoas que recebem as crônicas regularmente, indicando as suas preferidas e as que gostariam de ver impressas.

O plano de voo inclui festa de lançamento animada, em lugar agradável e espaçoso, com música ao vivo, fila de autógrafo bem grande e tudo o mais que facilite encontros com beijinhos estalados e abraços apertados.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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