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"Voto impresso é assunto sepultado", diz Casagrande, que critica distritão

Governador do ES comentou sobre o arquivamento da proposta defendida por Bolsonaro e avaliou como negativas as mudanças da PEC da reforma eleitoral, aprovada na última segunda (9) por uma comissão especial da Câmara

Publicado em 11/08/2021 às 14h27
O governador Renato Casagrande durante ato simbólico de vacinação dos professores do ES
Renato Casagrande, Governador do Espírito Santo. Crédito: Hélio Filho | Secom ES

O governador do Espírito SantoRenato Casagrande (PSB), afirmou na manhã desta quarta-feira (10) que o arquivamento da PEC do voto impresso sepulta de vez um assunto que não é prioridade. A declaração foi dada em entrevista à CBN Vitória. O projeto foi votado nesta terça-feira (10) na Câmara dos Deputados e rejeitado pela Casa.

Apesar do arquivamento da proposta do voto impresso, ideia defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador capixaba ainda se mostrou preocupado com outra matéria em debate no Congresso: a criação do modelo de distritão e a volta das coligações propostas na PEC da reforma eleitoral.

Para Casagrande, a adoção desses sistemas “impedirá a renovação política e vai ser muito ruim para a política brasileira”. 

A PEC da reforma eleitoral foi aprovada por uma comissão especial e segue agora para análise do plenário. Por se tratar de uma mudança na Constituição, precisará passar por dois turnos de votação com ao menos 308 votos favoráveis para seguir ao Senado.

O texto prevê a adoção do "distritão", para a eleição de vereadores e deputados estaduais e federais, ou o modelo proporcional, com a volta da possibilidade de partidos se coligarem entre si. Esta foi abolida na minirreforma eleitoral de 2017.

A proposta também previa que a decisão do plenário serviria somente como transição para um outro modelo, o chamado "distritão misto". No entanto, esse trecho foi derrubado pela comissão.

Nenhuma eleição geral aconteceu após a reforma eleitoral que foi recentemente aprovada.

“Ainda não tivemos nenhuma eleição. Com a atual regra eleitoral, mesmo quando o partido lança 20 candidatos e ele apenas dois ou três, muitas vezes, quem não se elegeu se projeta em outros cargos na política, o que permite a renovação de quem está representando a população. O distritão vai ser muito ruim para a política brasileira, porque vai impedir essa renovação”, avaliou.

SISTEMA ELEITORAL: COMO É O QUE O A PEC QUER MUDAR

  • Como é hoje: o modelo atualmente em vigor é o proporcional, em que as cadeiras de deputados federais são distribuídas proporcionalmente à quantidade de votos recebidas pelo candidato e pela legenda — ou seja, os votos nas siglas também são considerados no cálculo.
  • Como ficaria: no “distritão”, seriam eleitos deputados federais os candidatos mais votados individualmente em cada estado, desconsiderando os votos nas siglas. Exemplo: no caso de São Paulo, que é representado na Câmara por 70 deputados, os 70 candidatos que recebessem mais votos na eleição ficariam com as cadeiras.

URNAS SÃO CONFIÁVEIS

Renato Casagrande afirmou que o arquivamento da PEC do voto impresso foi positivo para o país.

Renato Casagrande (PSB)

Governador do Espírito Santo

"O sistema eleitoral vigente é confiável. As urnas são auditáveis. Infelizmente, esse tema se tornou político e ideológico. Acho um assunto desnecessário e sem importância diante dos avanços que já temos"

Sobre o fato de que a maior parte dos deputados federais do Espírito Santo votou a favor do voto impresso, Casagrande disse que a pressão popular em torno do assunto deve ter sido o motivo que explica os posicionamentos.

“Acredito que alguns parlamentares votaram por pressão popular ou por causa do posicionamento do partido. Esse assunto não é prioridade atualmente e o resultado sepultou de vez a possibilidade de retrocesso”.

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