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Sai prefeito, entra prefeito: transição em cidades da Grande Vitória pode ser tensa

Sai prefeito, entra prefeito: transição em cidades da Grande Vitória pode ser tensa

Em Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra o prefeito eleito não é do grupo político da atual administração. Em algumas delas já houve conversas amenas, em outras, não

Publicado em 1 de dezembro de 2020 às 17:26

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Prefeituras da Grande Vitória
Prefeituras da Grande Vitória: prefeitos de Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica foram definidos apenas no segundo turno. (Reprodução)

Após o segundo turno mais curto da história das eleições, o período de transição entre as administrações das prefeituras da Grande Vitória também será menor que o de todos os pleitos anteriores, com apenas um mês, e realizado em meio à pandemia de Covid-19. Somado a esses obstáculos, há o fato de que nenhum dos vencedores é do grupo político da atual gestão, o que pode tornar a relação ainda mais difícil entre eles.

Em Vitória e Cariacica, a transição dá sinais de que pode ser mais pacífica, conforme indicaram os primeiros movimentos dos prefeitos eleitos. Já em Vila Velha e na Serra, ainda não houve o primeiro gesto de aproximação entre o prefeito que sai e o que entra.

O duro embate entre Arnaldinho Borgo (Podemos) e o prefeito Max Filho (PSDB), e entre Sergio Vidigal (PDT) e o nome apoiado pelo prefeito Audifax (Rede), Fabio Duarte (Rede), pode deixar resquícios para o mês que se inicia.

O período da transição de governo é importante para traçar o caminho do mandato. Com um bom diagnóstico da situação econômico-fiscal do município, é possível delinear as ações da nova gestão, preservando assim serviços prestados à população, salários dos servidores e pagamentos em dia de fornecedores.

VITÓRIA

Na Capital, o primeiro contato de Lorenzo Pazolini (Republicanos) com o prefeito Luciano Rezende (Cidadania) foi feito ainda no domingo (29), após o resultado da eleição, e foi amistoso, segundo o prefeito eleito.

Apesar das críticas feitas por Pazolini à atual gestão durante a campanha, o prefeito disse ter tido com ele uma "conversa agradável" e se colocou à disposição para o trabalho em equipe. Luciano também já definiu quem serão os quatro membros do Executivo municipal que participarão da transição. 

O prefeito informou que vai colocar todas as informações à disposição do novo prefeito para que ele já comece a gestão com todo o conforto e em velocidade. "Com isso, ele poderá manter o atendimento às demandas por prestação de serviços e já ir imprimindo seu ritmo", disse.

Lorenzo Pazolini (Republicanos), prefeito eleito de Vitória, e Luciano Rezende (Cidadania), atual prefeito
Lorenzo Pazolini (Republicanos), prefeito eleito de Vitória, e Luciano Rezende (Cidadania), atual prefeito. (Montagem/A Gazeta)

Pela parte da prefeitura,  a equipe de transição de Vitória será composta pelo procurador-geral do município, Rubem Jesus; e os secretários de Governo, Walace Valente; de Gestão, Planejamento e Comunicação, Alberto Salume; e de Fazenda, Henrique Valentim.

Luciano também reconheceu a importância do período de transição para iniciar bem o mês de janeiro e garante que deixará a prefeitura com dinheiro em caixa. 

"Deixaremos também os recursos para cumprir todos os compromissos e, além disso, deixaremos uma carta de crédito do Banco Interamericano de Desenvolvimento para investimentos na Baía Noroeste. São obras para deixar a orla de Santo Antônio, passando por São Pedro indo até Andorinhas, igual à orla de Camburi. O dinheiro contratado, cerca de U$ 180 milhões (R$ 955 milhões na cotação desta segunda, 30) vai transformar a cidade", disse Luciano, por meio de sua assessoria.

Pazolini anunciou nesta terça-feira (1º) o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, como coordenador de sua equipe de transição e o empresário Aridelmo Teixeira (Novo) como um dos membros. Segundo ele, a primeira reunião com seus aliados foi realizada ainda na madrugada de segunda-feira (30) para começar as discussões.

"Nós queremos caminhar, são políticos experientes, maduros, com sensibilidade, de bastante tranquilidade. Ontem mesmo já tivemos contato com o prefeito, já nos colocando à disposição. O prefeito, da mesma maneira, inclusive abrindo as portas da prefeitura para a equipe de transição. Foi um contato muito amistoso, respeitoso e tenho certeza que vai caminhar assim nos próximos 30 dias, até janeiro do que vem. Ele foi bastante sereno e receptivo à nossa chegada", afirmou o prefeito eleito.

CARIACICA

Eleito prefeito de Cariacica, o deputado estadual Euclério Sampaio (DEM) foi o primeiro a definir o coordenador de equipe de transição: será Gilson Daniel (Podemos), prefeito de Viana. 

A relação entre Euclério e o atual prefeito, Juninho (Cidadania), é uma das menos complexas entre os municípios da Grande Vitória. Os dois inclusive já se reuniram pessoalmente. Juninho declarou, em nota, que "as portas da prefeitura estão abertas para contribuir com Euclério e o município."

Euclério Sampaio (DEM) em primeira reunião com Juninho (Cidadania)
Euclério Sampaio (DEM) em primeira reunião com Juninho (Cidadania). (Bruno Fritz)

Euclério já teceu elogios ao prefeito. "Vai ser uma transição muito harmoniosa. Ele nos mostrou todos os dados, informações, isso mostra transparência da parte dele. Mostrou transparência, humanidade, já nos deu muita informação para que possamos saber exatamente o que podemos fazer a partir do dia 1º de janeiro", pontuou.

VILA VELHA

Em Vila Velha, o prefeito Max Filho (PSDB), que foi derrotado, e o eleito Arnaldinho Borgo (Podemos) ainda não fizeram contato. O prefeito se reuniu com secretários para falar sobre o fim da gestão, inclusive a transição. Não pretende interagir diretamente com Arnaldinho, mas disse que está aberto ao diálogo e que prestará todas as informações solicitadas.

"Nossos dados são públicos, todas as informações estão no Portal da Transparência. Estou aberto ao diálogo, mas acho que não vamos precisar. Todas as informações que forem solicitadas serão repassadas", frisou.

Max Filho (PSDB) e Arnaldinho Borgo (Podemos) são candidatos a prefeito no segundo turno em Vila Velha
Max Filho (PSDB) e Arnaldinho Borgo (Podemos) se enfrentaram diretamente no segundo turno em Vila Velha . (Fernando Madeira)

A equipe de transição de Arnaldinho vai ser liderada por ele mesmo e o vice, Vitor Linhalis. Eles também vão ter a contribuição do prefeito de Viana, Gilson Daniel, que é do partido de Arnaldinho. O prefeito eleito disse que apesar da rivalidade política, não acredita que haverá dificuldades com o prefeito neste período. 

"Agora é a gente pensar na nossa população, no sofrimento que está passando a nossa cidade. Acredito que vai ter um lado democrático, que vai fornecer as informações que a gente está se espelhando para que possa começar dia primeiro com todas as informações para que as políticas continuem funcionando e nenhuma pare", pontuou.

SERRA

Na Serra, Audifax Barcelos (Rede) sairá da prefeitura para dar lugar a Sergio Vidigal (PDT), com quem rivalizou nas urnas nas últimas duas eleições. Os dois ainda não conversaram após o resultado das eleições nem para tratar do resultado, nem da transição. 

Audifax Barcelos e Sérgio Vidigal se enfrentaram nas urnas em 2012
Audifax Barcelos e Sergio Vidigal se enfrentaram nas urnas em 2012 e 2016. Nas duas ocasições, Audifax foi o vencedor. Desta vez, Fabio Duarte, apoiado por Audifax, perdeu para Vidigal. (Fernando Madeira)

"Ainda não conversei (com Audifax) porque estou terminando uma reunião para montar uma equipe de transição. Não será de aliados políticos, será de profissionais. Essa eleição tem o período de transição muito curto, tradicionalmente o segundo turno acabava em outubro e dessa vez temos só 30 dias. Assim que formar a equipe vou informar ao prefeito para dar o acesso para começar a discutir sobre essa transição", afirmou Vidigal, em entrevista à Rádio CBN Vitória.

Ele frisou que ele e sua equipe vão precisar ter dados importantes e fidedignos para que possam, desde o primeiro dia da administração,  implantar uma ruptura de gestão pública que os gestores terão que fazer nos próximos quatro anos. 

"É uma ruptura até com o meu modelo de gestão que eu apliquei lá atrás. Os gestores hoje ou fazem uma ruptura com o modelo antigo de gestão que a gente tinha ou não vão conseguir governar nesse novo cenário para atender a expectativa da sociedade", assinalou.

Como mostrou a coluna Leonel Ximenes, Vidigal enviou nesta terça-feira (1º) a Audifax um documento pedindo a indicação, até a próxima sexta-feira (04), da equipe de transição da atual gestão municipal. Ele reivindica ao atual prefeito que seja garantida à equipe de transição a infraestrutura necessária ao desenvolvimento dos trabalhos, incluindo espaço físico, equipamentos e pessoal.

A Prefeitura da Serra respondeu, por nota, que a atual gestão está à disposição para auxiliar a equipe de transição.

"A Serra possui, atualmente, o título de cidade mais transparente do Brasil pela CGU. Todos os dados sobre contratos, finanças e demais informações estão disponíveis no Portal da Transparência Municipal".

Errata Atualização
1 de dezembro de 2020 às 20:38

Após a publicação desta reportagem, o prefeito eleito de Vitória, Lorenzo Pazolini, anunciou os nomes de dois dos integrantes de sua equipe de transição. O texto foi atualizado para incluir essa informação.

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