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Eleições 2020

Custo por voto em cidades da Grande Vitória varia de R$ 2,55 a R$ 72,43

Cálculo considera as receitas informadas e o número de votos de cada candidato a prefeito no segundo turno em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. Veja os números do interior também

Publicado em 01 de Dezembro de 2020 às 05:30

Redação de A Gazeta

Publicado em 

01 dez 2020 às 05:30
João Coser (PT) e Euclério Sampaio (DEM)
João Coser (PT), em Vitória, teve o maior custo por voto entre os candidatos que disputaram o segundo turno no Espírito Santo. Euclério Sampaio (DEM), em Cariacica, o menor Crédito: Montagem/A Gazeta
O candidato do PT à Prefeitura de Vitória, João Coser, teve o voto mais “caro” entre as cidades onde houve segundo turno nas eleições municipais no Espírito Santo. O petista arrecadou R$ 5,2 milhões e obteve 72.684 votos. Com isso, cada voto teve um custo de R$ 72,43.
Já o mais “eficiente” foi Euclério Sampaio (DEM), com cada voto custando R$ 2,55, praticamente um trigésimo do valor referente ao candidato do PT na Capital. Em Cariacica, o demista venceu com 95.356 votos (58,69%) e declarou ter arrecadado R$ 244 mil.
O levantamento foi feito com base nos dados de prestação de contas dos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e representam a diferença entre o dinheiro arrecadado durante todo o período de campanha (considerando os dois turnos) e o resultado das urnas no segundo turno das eleições do último domingo (29).
Alguns pontos podem ajudar a explicar essa discrepância. Um deles é o fato de que em Vitória há horário eleitoral na TV, o que encarece a campanha.
Lorenzo Pazolini (Republicanos), por exemplo, que foi eleito prefeito na Capital, teve a segunda maior arrecadação entre os candidatos que disputaram o segundo turno, segundo os dados do TSE. Ele reuniu R$ 2,4 milhões para a campanha e teve 102.466 votos. Ou seja, um custo de R$ 23,80 cada um. Ainda assim, menos de um terço do valor unitário do voto de Coser.
Outro ponto é o fato de o PT ter acesso à maior fatia do Fundo Eleitoral (pouco mais de R$ 200 milhões). Além disso, no segundo turno, o partido tinha apenas dois candidatos na disputa em capitais brasileiras, em Vitória e Recife (Marília Arraes).
Dos R$ 5,2 milhões arrecadados por Coser, 92% (R$ 4,8 milhões) vieram da direção nacional do Partido dos Trabalhadores. Do próprio bolso, o candidato colocou apenas R$ 15 mil, ou seja, 0,2% do total.
Célia Tavares, também do PT, arrecadou pouco mais de R$ 1 milhão, sendo 98% vindos do partido. A candidata doou para si mesma R$ 5 mil. Ela obteve 67.111 votos, o que significa que cada um deles custou R$ 15,73.

MAIS DINHEIRO NÃO SIGNIFICA MAIS VOTOS

Em três das quatro cidades onde houve segundo turno no Estado, o candidato vencedor contou com menos recursos por eleitor do que seu oponente. A exceção é a Serra, onde cada um dos 111.920 eleitores de Sergio Vidigal (PDT) "custou" R$ 17,66, enquanto a média de Fabio Duarte (Rede) foi de R$ 13,40 por voto.
Em Vila Velha, a discrepância entre os candidatos também foi grande. Cada eleitor de Max FIlho (PSDB) custou R$ 24,77. Dos R$ 1,5 milhão declarados pelo candidato, 70% vieram do partido.
Já Arnaldinho Borgo (Podemos), que venceu o pleito no município, arrecadou menos de um terço que o concorrente (R$ 444 mil) e, como teve mais votos (138.741), cada um deles saiu por R$ 3,20.
Do valor declarado por Arnaldinho, 87% vieram do Podemos. Do valor restante, parte foi enviada pelo Solidariedade e pelo PTC, que compunham a coligação do candidato. Cerca de R$ 16 mil ele tirou do próprio bolso.

NO PRIMEIRO TURNO, CIDADES PEQUENAS TIVERAM MAIOR CUSTO POR VOTO

Considerando também os 73 prefeitos eleitos em cidades do Espírito Santo no primeiro turno, o custo do voto variou entre R$ 1,66 e R$ 42,36. O maior valor foi o da única mulher eleita prefeita no Estado, Ana Izabel Malacarne (DEM), em São Domingos do Norte, cidade que tem 7.266 eleitores. Com 2.281 votos, a candidata arrecadou R$ 96.628 para a campanha. Assim, o custo de cada voto foi de R$ 42,36. 
O segundo e o terceiro colocados na relação de custo do voto também são de municípios pequenos: Presidente Kennedy, onde Dorlei Fontão (PSD) investiu R$ 33,56 por cada voto recebido, e Vila Pavão, em que Bolinha (PSB) arrecadou R$ 32,98 por voto.  A cidade do Litoral Sul possui 12.040 eleitores, e a cidade do Noroeste, 7.024 eleitores. 
O prefeito eleito que teve o voto mais barato foi o de Venda Nova do Imigrante, Paulinho Mineti (Cidadania). Com 4.235 votos, ele arrecadou R$ 7.050 para a campanha, o que representou R$ 1,66 por voto. 
Os prefeitos eleitos de Governador Lindenberg, Laranja da Terra e Pancas não declararam receitas recebidas para a campanha e, portanto, não foi possível calcular o custo dos votos recebidos.

O VOTO MAIS CARO ENTRE OS DERROTADOS

Entre os candidatos derrotados no 1º turno, Fabriano Peixoto (PL), que disputou em Marilândia, teve o custo de voto mais caro. Com R$ 40 mil para a campanha, ele recebeu apenas 53 votos. O custo foi, portanto, de R$ 754,72.
Na sequência vem outro candidato do PL: Halpher Luiggi, que disputou em Vitória. A campanha arrecadou R$ 422,1 mil e o candidato teve apenas 998 votos, o que significa R$ 422,95 por voto.

O VEREADOR COM O VOTO MAIS CARO

Entre os candidatos a vereador, o voto mais caro foi o de Vanderlei Alves da Silva (PSC), eleito para a Câmara de Ibiraçu. Ele conseguiu R$ 40.500 para sua campanha e obteve 200 votos. O custo foi de R$ 202,50. Depois dele veio Professor Robinho (Avante), em Anchieta, cujo valor foi R$ 65,60.

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