ASSINE

Quem é Euclério Sampaio, prefeito eleito de Cariacica

Policial civil aposentado, Euclério Sampaio (DEM) já está no quinto mandato como deputado estadual e vai ser prefeito pela primeira vez

Vitória
Publicado em 01/12/2020 às 11h06
Euclério Sampaio , candidato  a prefeito de Cariacica, participando do debate de Agazeta, em Vitória
Euclério Sampaio (DEM) foi eleito prefeito de Cariacica no segundo turno em 2020 com 58,69% dos votos. Crédito: Ricardo Medeiros

Euclério Azevedo Sampaio Junior tem 56 anos, é casado e pai de três filhos. Foi eleito no segundo turno das eleições de 2020, no último domingo (29), para administrar a Prefeitura de Cariacica pelos próximos quatro anos. É advogado e aposentado da Polícia Civil. Venceu sua primeira eleição para deputado estadual em 2002, pelo PTB, e passou por diferentes partidos ao longo da sua trajetória política.

Durante o primeiro mandato, esteve no PHS e no PMN, e se reelegeu, para o mandato de 2006 a 2014, pelo PDT. Perdeu a eleição em 2010, mas assumiu como suplente pela mesma legenda em 2012. Em 2018, última eleição para a Assembleia Legislativa do Espírito Santo, foi eleito pelo DC, com 21.661 votos. Agora, é filiado ao DEM. 

Toda a vida política do prefeito eleito de Cariacica está ligada à do colega de Assembleia Marcelo Santos (Podemos). Os dois, desde 2002, estiveram próximos em grupos e alinhamentos políticos e desenvolveram uma amizade na Casa.

Antes mesmo de assumir o primeiro mandato, Euclério esteve no grupo de parlamentares chamado de "Grupo dos Nove", que se alinhou ao governo Paulo Hartung (MDB). Euclério, no entanto, pode ser considerado um apoiador instável, já que ao longo dos mandatos transitou entre oposição e situação tanto no governo Hartung quanto no Casagrande.

Naquele mesmo ano, por exemplo, o agora demista afirmou que havia saído do grupo e, no ano seguinte, em 2003, estava no que ficou conhecido como "Grupo dos 20", também ao lado de Marcelo. O grupão chegou a lançar um nome para disputar a presidência da Assembleia Legislativa contra o candidato apoiado por Hartung. Mais tarde, entretanto, o PTB, partido ao qual era filiado, confirmou seu alinhamento governista.

Um dos projetos que Euclério encampou em seus mandatos foi o de suspensão da cobrança do pedágio na Terceira Ponte, ligação entre Vila Velha e Vitória. Essa pauta foi motivo de muitos dos momentos mais duros de oposição que o parlamentar fez ao governador que estivesse na cadeira, uma vez que sua proposta sofreu seguidas derrotas. Na primeira delas, ainda em 2003, resultou na saída do político do PTB.  

O então presidente municipal da sigla em Vila Velha, Vasco Alves, na época, afirmou que a saída do parlamentar era natural, porque ele não seguia a "linha de apoio ao governador".  Pouco tempo depois, no entanto, estava almoçando novamente com Hartung, então chefe do Executivo estadual.

Era esse o contexto, ainda, quando protagonizou um dos episódios mais emblemáticos de sua trajetória política. Em fevereiro de 2008, quando a pauta voltava a ser discutida na Casa, o deputado rasgou um pedaço de seda para provocar os parlamentares governistas. "Eu estou rasgando essa seda, para ilustrar a rasgação de seda da base governista com o governo", disse, na ocasião.

Em 2013, já com Casagrande governando o Estado e no alvo das críticas do deputado em plenário, a proposta voltou à pauta, mas foi arquivada. No mesmo ano, Euclério apresentou uma emenda de R$ 10 milhões para o Hospital Geral de Cariacica, mas retirou o pedido, após acordo com Casagrande. O valor da emenda extrapolava em muito o limite estabelecido para destinação de verba de cada deputado, que era de R$ 1,5 milhão. "Com o anúncio do hospital (pelo governo), não tem mais necessidade da emenda", justificou Euclério, na época. O edital para a construção da unidade em Cariacica foi publicado somente em julho de 2020

A presença de Euclério na Assembleia é marcada por seu temperamento explosivo, com episódios em que rasgou papéis, fez duras críticas aos governadores e protagonizou bate-bocas que quase chegaram às vias de fato com colegas de plenário. 

OS PARTIDOS PELOS QUAIS EUCLÉRIO PASSOU

Até o momento, esteve em seis partidos diferentes. Começou no PTB, e, durante o primeiro mandato, fez uma passagem rápida pelo PHS, de cerca de cinco semana. Depois se filiou ao PMN. Na legenda, era presidente municipal do diretório de Vila Velha e tentou ser prefeito da cidade canela-verde em 2004, mas não foi eleito.

Em seguida, foi para o PDT e chegou a ser cotado como um dos nomes que poderiam concorrer à Prefeitura de Vila Velha com o apoio de Max Filho (na época no PTB), mas a candidatura não vingou. Foi pelo PDT que ele disputou as eleições de 2010 e 2014, mantendo-se na Assembleia Legislativa. 

Em 2018, foi eleito pelo DC, mas se desfiliou quando o partido não alcançou a cláusula de barreira e, por isso, ficou de fora do fundo partidário. Depois de passar um período sem sigla, foi para o DEM, já com a promessa de concorrer à Prefeitura de Cariacica em 2020.

EVANGÉLICO E CONSERVADOR

Euclério é evangélico e, desde sua primeira eleição para a Assembleia, conta com os votos do segmento. Com atuação conservadora, em 2007, atuou para barrar a realização de homenagens ao público LGBT em sessões solenes na Casa. Na época, entre os argumentos dele estava que a "sessão só servirá para onerar os cofres públicos". O então presidente da Assembleia Legislativa Guerino Zanon (MDB) negou o recurso.

Já em 2017, propôs um projeto que proibia exposições artísticas com "teor pornográfico". Na prática, proibia fotos, cenas, desenhos, pinturas e filmes com cenas de nudez ou referências a atos sexuais. Não foi aprovado.

Durante a campanha para prefeito de Cariacica, o demista investiu no apoio das bases religiosas, frequentando igrejas e conquistando o apoio de ao menos nove convenções evangélicas. Na festa de comemoração no comitê de campanha, após o resultado do segundo turno das eleições ser divulgado, no último domingo (29), era possível ouvir apoiadores agradecendo a Deus, com expressões como "Deus é fiel".

"O CANDIDATO DO PALÁCIO ANCHIETA"

Euclério é deputado estadual e presidente da Comissão de Finanças. Está nas mãos dele o orçamento do Estado para o ano que vem, por exemplo. Apesar de ter uma posição instável ao longo do tempo e já ter feito oposição e duras críticas a Casagrande, o demista é hoje um dos principais casagrandistas da Assembleia. A aliança teve retorno: enquanto candidato em Cariacica, era visto como aquele que tinha o apoio do Palácio Anchieta.

O governador, pessoalmente, não chegou a expressar apoio a nenhum candidato na disputa. Casagrande permitiu, contudo, que secretários de Estado estivessem no palanque de Euclério, como Davi Diniz (Casa Civil), Tyago Hoffmann (Governo) e Alexandre Ramalho (Segurança Pública) e "alinhou" com Marcelo Santos o apoio ao deputado. Marcelo também levou para a coligação o partido de Erick Musso (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa.

Eleito com 95.356 votos (58,69% dos votos válidos), Euclério vai assumir, em janeiro de 2021, a administração de uma cidade pela primeira vez.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.