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PSB e Republicanos são os partidos com mais candidatos no ES

Enquanto isso, o PP foi o partido com maior salto no número de candidatos entre 2016 e 2020

Publicado em 02/10/2020 às 19h18
Atualizado em 03/10/2020 às 13h47
Renato Casagrande (PSB) e Erick Musso (Republicanos)
O governador Renato Casagrande e o deputado estadual Erick Musso são os principais nomes de PSB e Republicanos, respectivamente, no Espírito Santo. Crédito: Montagem

Na eleição que registrou recorde no número de candidaturas em todo o Espírito Santo, as duas siglas com mais candidatos na disputa das eleições 2020 têm algo em comum: ocupam as cadeiras de chefes do Executivo e do Legislativo estadual. O PSB, sigla do governador Renato Casagrande, lidera o ranking dos partidos que mais lançaram candidatos para disputar as vagas de prefeito, vice e vereador nos municípios capixabas. A legenda é seguida pelo Republicanos, partido do presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso.

Ao todo, o PSB lançou 1.040 candidatos, sendo 38 para disputar prefeituras. O Republicanos vem em seguida com 909 candidatos, sendo 27 como cabeça de chapa (para prefeito). O PP, do deputado federal Evair de Melo, completa o pódio com 790 candidaturas, sendo 22 para prefeito. 

Entre os partidos que registraram queda na quantidade de candidaturas está o MDB, do ex-deputado federal Lelo Coimbra. A sigla liderava o número de candidaturas em 2016. À época, Paulo Hartung (hoje sem partido) era uma liderança forte na sigla e  governador do Estado. Já em 2020, sem espaço no governo e em um momento de disputas internas, a legenda registrou queda de 30% no número de candidaturas. Em novembro, 496 candidatos vão às urnas pelo partido, enquanto em 2016 foram 717.

Se comparado com o último pleito estadual, o PP foi o partido que mais cresceu em candidaturas. O número de candidatos é quase três vezes maior, saindo de 271 em 2016 para 790 em 2020. Em segundo está o partido do deputado federal Amaro Neto (Republicanos), que mudou de nome entre os dois pleitos. O então PRB havia lançado 370 concorrentes na disputa em 2016. Em 2020 registrou 909.

Rede e Podemos também estão entre os mais cresceram em candidaturas, mais que dobrando o número de candidatos nas urnas. A Rede passou de 104 nomes para 286 e o Podemos de 297 para 606.

Além da mudança no governo estadual, outro fator que influencia o cenário com grande número de candidatos é o fim das coligações para a eleição de vereadores. Com a nova regra estipulada pela Justiça, cada partido deve lançar uma chapa completa de candidatos a vereador, diferentemente de 2016, quando as coligações funcionavam como um partido só, lançando uma chapa com candidatos de várias siglas.

MÁQUINA PÚBLICA ATRAI CANDIDATOS

O motivo de o PSB encabeçar a lista é o fato de que o partido tem a cadeira do governo estadual, avalia o cientista político João Gualberto Vasconcellos. O especialista aponta, no entanto, que isso não é uma característica do PSB e sim da tradição política brasileira. "Tem uma lógica no Brasil que é muito importante entender. Para disputar bem uma eleição você tem que ter uma 'máquina de fazer favor' e todo governo, quando se instala, tem várias dessas 'máquinas de fazer favor', como secretarias e recursos para campanha", aponta. 

Além disso, ressalta João Gualberto, a legenda que detém a máquina pública tem a capacidade de "abrigar os perdedores", ou seja, alocar aliados que perderam o pleito em secretarias e outros cargos dentro da estrutura do Executivo. 

Prova disso, pontua o cientista político, seria o movimento observado no MDB. Quando Paulo Hartung deixou o governo e o partido houve o movimento de migração de políticos que saíram da legenda e entraram em outras, principalmente na de Casagrande. "Políticos que inclusive foram para o MDB quando Hartung foi", completa.

A possibilidade de se aproximar do governo e aproveitar do capital político da sigla também são grandes motivadores, para o cientista político Paulo Edgar Resende. O especialista destaca que entre as autoridades estaduais, o governador é o que mais tem poder e influência e, diferentemente do presidente Jair Bolsonaro, que está sem legenda, Casagrande tem uma imagem muito atrelada ao seu partido 

"Quando você tem um líder político eleito que mantém a base em funcionamento e mantém compromisso com seu partido o resultado tende a ser o fortalecimento do partido. A filiação partidária no Brasil é muito flexível, os políticos mudam de partido com muita facilidade, então mudar para o partido do governador para se lançar candidato é uma forma de tentar ganhar o bônus da imagem e do capital político", assinala.

O presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, afirma que, mesmo com a visibilidade dada pelo governador à sigla, o crescimento se baseia no trabalho feito pelos filiados, fazendo "reuniões pelo interior do Estado, encontrando pessoas para ser candidatas e investindo na formação delas."

Para não ter o mesmo caminho que o MDB caso não continue no poder em 2022, Gavini sustenta que a sigla apostou em recrutar pessoas que, genuinamente, se identificam com a ideologia do partido. "A gente teve um cuidado de escolher pessoas que tenham conexão com a linha ideológica do partido, a gente fala aqui 'candidatos socialistas raiz', mais alinhados ao Casagrande e ao partido", relata.

O PSB está com o Republicanos, partido de Erick Musso e Amaro Neto, em 17 municípios. Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, garante que a estratégia para ser o segundo partido com mais candidatos foi unir as forças das lideranças, deputados e vereadores eleitos pela sigla para fortalecer a legenda O foco, de acordo com ele, foi fortalecer os diretórios municipais para que tivessem autonomia para negociar e criar alianças.

"Não teve uma construção de parceria especificamente com A, B ou C. Cada direção municipal buscou no seu município tomar as melhores escolhas possíveis. Fizemos alianças com o DEM em Cariacica, com o PL na Serra, com MDB em Linhares e em Colatina com Patriota. A estratégia que houve foi do fortalecimento da autonomia das Executivas municipais e cada município dialogou com sua característica com sua a base quem seriam os melhores aliados", disse.

PP COMPÕE BASE GOVERNISTA FEDERAL E ESTADUAL

O PP, partido com maior crescimento em candidaturas entre 2016 e 2020, ocupa um lugar confortável na base do governo, tanto em âmbito federal quanto estadual. Evair de Melo, deputado federal eleito pela sigla, é um dos vice-líderes do governo de Jair Bolsonaro na Câmara, enquanto o presidente estadual da sigla, Marcus Vicente, é secretário de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) no governo Casagrande.

Com uma boa articulação nos dois governos, aponta João Gualberto, a sigla acaba atraindo candidatos dos dois "lados", tanto da onda bolsonarista quanto daqueles que se alinham ao governador. "Esse aumento significa que eles, como partido, têm um projeto de poder ao nível estadual. Crescer assim dá trabalho, é sair pelo interior filiando e arrumando gente para ser candidato, fazer conta com fundo partidário... isso dá trabalho", aponta. Toda essa movimentação, opina o especialista, "tem cheiro de candidato ao governo em 2022."

O secretário estadual da sigla, Márcio Gonoring, nega as intenções. Sem comentar proximidade com qualquer um dos governos, Gonoring disse apenas que o crescimento é resultado de "organização e trabalho." "A gente fez um trabalho de base que já durou 4 anos, isso passou pela eleição de 2018 e convergiu agora na eleição de 2020, realizamos reuniões eventos em todas as regiões do Estado", afirma.

LIDERANÇA SE REPETE ENTRE AS CANDIDATURAS PARA PREFEITO

PSB e Republicanos aparecem novamente nos primeiros lugares do ranking quando se considera apenas o número de candidatos a prefeito. O partido do governador tem 38 candidatos ao comando de Executivos municipais enquanto o Republicanos tem 27. Com esse recorte, o PP sai do terceiro lugar e dá espaço para PSDB e PSD, empatados com 23 candidatos cada um.

A maioria dos partidos registrou um aumento no número de candidatos a prefeito. Isso também é reflexo do fim das coligações, já que com chapa própria de vereadores as siglas se viram forçadas a lançar candidatos a prefeito para "puxar voto" e dividir palanque com quem disputa o Legislativo.

O maior salto foi registrado pelo PRTB, partido do vice-presidente da República, Hamilton Mourão. A legenda passou de apenas um candidato a prefeito no Espírito Santo em 2016 para 12 em 2020. O Cidadania, um dos partidos que compõem a base do governador Casagrande, também registrou um aumento expressivo: foi de cinco candidatos no último pleito para 22 em 2020.

O aumento no PRTB, sigla conservadora que se posiciona à direita no espectro político, pode sinalizar que a onda bolsonarista que elegeu uma das maiores bancadas no Congresso em 2018 ainda está influenciando as eleições daqui, para João Gualberto.  Esse conservadorismo típico de eleitores mais bolsonaristas pode encontrar terreno fértil no ES.

"Um dos fatores com certeza é o conservadorismo, você tem uma afinidade ideológica de alguns políticos e uma percepção da sociedade de que os políticos conservadores atendem mais aos interesses de alguns setores, principalmente religiosos, e o ES é um dos estados mais evangélicos do Brasil", aponta o cientista político Paulo Edgar.

MDB, A MAIOR QUEDA

Na contramão, a maior queda foi a do MDB. Em 2016, quando liderou o número de candidaturas, o partido chegou a lançar 48 candidatos – 10 a mais que o PSB lançou em 2020 – mas em novembro terá apenas 19 candidatos a prefeito em todo Estado. 

O líder estadual da sigla, Lelo Coimbra, afirma que a fragmentação partidária sofrida pelo partido foi "cruel." A sigla está sendo dirigida por uma convenção interventora, formada a mando da Executiva nacional, e sofre com um racha. Grupos dissidentes chegaram a lançar candidaturas a prefeito, em Vitória e na Serra, mesmo o partido já fazendo parte da coligação de outros candidatos nesses municípios. "Cada um achou que pegava um partido e ia virar estrela", afirma.

Soma-se a essa crise, de acordo com Lelo, o fim das coligações. "Muita gente ficou sem candidatura porque não formou chapa, outros lançaram candidatura só pra se manter vivos na cena", pontua. Além disso, a crise teria, segundo o ex-deputado, ligação com Casagrande. "Nossa previsão era ter 40 candidatos a prefeito, mas o governador está disputando membros do partido", afirma. 

Apesar da queda no número, Lelo diz não estar preocupado. "São bons candidatos, não estou preocupado. Temos que ter um plano de recomposição partidária. A partir de março montar eleição de 2022. Nosso desafio é construir um ambiente partidário para lançar candidato ao governo e chapas completas de deputados", finaliza.

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