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Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 17:37
Ao menos 13 secretários que hoje integram a gestão do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), estão cotados para disputar vagas na Assembleia Legislativa (Ales) ou na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. O número representa cerca da metade do secretariado casagrandista, uma vez que o Executivo estadual hoje conta com 27 pastas em sua estrutura administrativa.>
Além dos secretários, outros nomes ligados ao alto escalão do governo, entre eles dirigentes de órgãos e subscretários, surgem como potenciais integrantes de chapas visando à vagas nos Legislativos estadual e federal. No caso do secretariado, 10 pré-candidaturas foram confirmadas à reportagem de A Gazeta via dirigentes partidários, assessorias de imprensa e diretamente com alguns dos chefes de pastas.>
Os outros três secretários apontados como potenciais candidatos estão sem vínculo partidário atualmente, sendo que um deles, Fabrício Noronha, secretário de Cultura, também figura entre os cotados, mas somente no campo da especulação. >
Veja quem são os secretários que devem para concorrer nas eleições 2026:>
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Apesar de ganhar força somente nos últimos meses do ano passado, a primeira movimentação com viés político-eleitoral no alto escalão do governo ocorreu logo nos primeiros dias do ano passado. O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) deixou a Secretaria de Estado de Desenvolvimento para focar nas articulações políticas que culminaram com sua confirmação como candidato do grupo político ao governo do Estado em 2026, anúncio que ocorreu no fim de dezembro. >
Com o governador Renato Casagrande chegando ao fim do seu segundo mandato consecutivo e impedido de concorrer novamente ao Executivo, o quadro de secretários que agora deve tentar a disputa eleitoral é visto por especialistas como parte de uma estratégia ampla de manutenção e ampliação de influência política — tanto no Legislativo estadual quanto no federal.>
Parte desse grupo já indicou o partido pelo qual pretende concorrer. Outros ainda buscam legenda ou ainda avaliam se realmente colocarão o nome à diposição do eleitorado. A previsão é que, pelo menos até agora, cinco nomes vindos do alto escalão do governo disputem vaga na Ales, enquanto outros oito deverão tentar uma cadeira na Câmara dos Deputados.>
A entrada de parte dos secretários do governo na corrida eleitoral deverá promover mudanças no comando das pastas até o início de abril deste ano. Conforme o regramento eleitoral, ocupantes de cargo público de confiança — como secretário de Estado — que pretendem disputar cargos eletivos devem deixar a função com antecedência, observando o prazo legal de desincompatibilização eleitoral. >
Os prazos de desincompatibilização são calculados com base na data do primeiro turno e tendem a variar entre três e seis meses antes da eleição. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os secretários de Estado que desejam disputar cargos eletivos de deputado estadual e federal devem se desligar das funções até 6 meses antes do primeiro turno, que este ano está marcado para 4 de outubro.>
Outro dado importante é que os nomes que ainda não decidiram por qual partido vão integrar a disputa eleitoral deverão estar filiados a um partido político e com domicílio eleitoral regularizado até o início de abril.>
Dirigentes partidários envolvidos nas articulações visando ao lançamento de secretários como candidatos na corrida eleitoral no Espírito Santo reveleram como a discussão tem sido tratada internamente e as estratégias que pretendem adotar para que haja sucesso nas urnas.
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O presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, confirmou os secretários atualmente filiados ao partido que deverão disputar as eleições deste ano. Ele também destacou que o partido trabalha para estruturar com antecedência seus quadros e as chapas, com atenção especial ao período de filiações e convenções que definirá oficialmente os candidatos nas eleições, além oferecer formação a candidatos e assessores.>
“Vamos fazer formação em planejamento de campanha, redes sociais e inteligência artificial para o processo eleitoral, a legislação eleitoral, contabilidade de campanha, para que assim possa haver uma campanha tranquila e bem coordenada. Também vamos dar apoio, evidentemente, com recursos financeiros por ocasião do fundo eleitoral”, afirmou o socialista.>
O partido comandado por Gavini é também a legenda do governador e conta com o maior número de secretários cotados para concorrer a vagas na Ales e Câmara dos Deputados. São 6 nomes no total. >
Veja abaixo os secretários filiados ao PSB que devem disputar as eleições:>
Câmara dos Deputados (Federal): >
Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Estadual):>
Outro dirigente partidário que repercutiu a pré-candidatura de secretários do governo Casagrande na eleições deste ano foi o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no Espírito Santo, João Coser, que também é deputado estadual.>
Integrante do governo Casagrande, o PT confirma José Carlos Nunes, atual secretário de Estado de Esporte, como futuro candidato a deputado estadual, cargo que já exerceu entre 2015 e 2018.>
“É um nome excelente, com muita experiência, uma vez que já foi deputado estadual. O partido apoia totalmente a candidatura dele”, disse o presidente do PT no Espírito Santo, João Coser.>
Já Cyntia Grillo (secretária de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social) e Felipe Rigoni (secretário de Meio Ambiente) tiveram suas pré-candidaturas validadas via assessoria de imprensa.>
Alguns secretários, mesmo ainda não filiados a uma legenda partidária, são apontados no mercado político como potenciais candidatos a cargos no Legislativo. >
É o caso do secretário estadual de Justiça, Rafael Pacheco, que teria sido convidado por Casagrande para se filiar ao PSB e avaliar uma candidatura à Câmara dos Deputados. Fabrício Noronha, secretário de Cultura, também figura entre os cotados e estaria sendo sondado por legendas interessadas em sua participação nas chapas proporcionais.>
Além das pré-candidaturas dos secretários filiados ao PSB já mencionadas, o presidente estadual do partido, Alberto Gavini, confirmou à reportagem que Lorena Vasques, ex-candidata à Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim e atual subsecretária de Estado de Estudos, Negócios, Planejamento e Infraestrutura Turística, também integra a lista de nomes que devem disputar as eleições.>
A direção da legenda também confirma que José Eustáquio de Freitas, diretor-presidente do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), concorrerá à Câmara dos Deputados pelo PSB. >
Dois dos principais nomes do secretariado de Casagrande conversaram abertamente com a reportagem sobre suas pré-candidaturas: o ex-prefeito e Colatina Guerino Balestrassi (MDB), atualmente secretário de Recuperação do Rio Doce, e Emanuela Pedroso (PSB), secretária de Governo. >
Guerino revelou à reportagem que deve buscar nova legenda para disputar uma vaga de deputado estadual. Atualmente filiado ao MDB, partido presidido por Ricardo Ferraço no Estado, o ex-prefeito afirma que tem dialogado com diferentes legendas, incluindo o Podemos, em busca de novo abrigo partidário.>
Já Emanuela Pedroso disse que sua candidatura à Câmara Federal nasce do diálogo com lideranças e do resultado do trabalho que ela desenvolveu ao longo de vários anos dedicados às cidades do Espírito Santo.
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O cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, observa que o movimento de gestores públicos em direção às urnas reflete uma tendência eleitoral em que experiência de gestão e projeção política se combinam para fortalecer candidaturas proporcionais. >
Prando destaca que o perfil de quem ocupa cargos de confiança — como secretários estaduais — muitas vezes combina elementos técnicos e políticos, o que pode explicar parte da estratégia observada no Espírito Santo. >
Rodrigo Prando
Cientista politico da Universidade Presbiteriana MackenziePrando ressalta que a presença de nomes do secretariado em chapas proporcionais também pode ser vista como uma resposta dos partidos à necessidade de construir quadros competitivos e reconhecíveis pelo eleitor, aproveitando a visibilidade obtida na administração pública para tentar traduzir essa experiência em votos nas eleições legislativas.>
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