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Casagrande sai, Ricardo fica: os bastidores da renúncia do governador para disputar o Senado

Governador do ES confirmou nesta segunda-feira (2) o que era especulado havia meses, mas o contexto está um pouco diferente

Vitória
Publicado em 02/03/2026 às 16h42
Casagrande e Ferraço
O governador Reanato Casagrande e seu vice, Ricardo Ferraço, durante entrevista coletiva no Palácio Anchieta . Crédito: Carlos Alberto Silva

O governador Renato Casagrande (PSB) já havia avisado que, em março, anunciaria se renunciaria ou não ao mandato para concorrer ao Senado. Todos os aliados dele, e a maior parte dos adversários, já davam como certo que ele deixaria a cadeira no Palácio Anchieta para participar do pleito.

Assim, não foi surpresa para ninguém quando, nesta segunda-feira (2), o socialista declarou que vai mesmo renunciar. A saída vai ocorrer no início de abril, mais precisamente até o dia 4, que é o limite do prazo estipulado pela legislação eleitoral.

O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) vai assumir o comando do Executivo estadual até dezembro de 2026. Já é de conhecimento público também que Ricardo é pré-candidato ao governo e, dessa forma, vai concorrer à reeleição.

O contexto em que os dois postaram-se em frente aos microfones da imprensa nesta segunda, entretanto, é que está um pouco diferente em relação aos meses de expectativa que antecederam o anúncio.

O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), na prática, já não integra o grupo casagrandista, passou para o lado adversário, o do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Arnaldinho em nenhum momento havia declarado apoio direto a Ricardo, cabe observar.

Mas o palanque do vice-governador está virtualmente fortalecido pela superfederação formada por Progressistas e União Brasil. 

A federação ainda não fez uma declaração oficial de apoio ao emedebista, mas tudo indica que está com os dois pés ao lado de Ricardo. O vice-governador, aliás, já afirmou que a federação vai ter protagonismo.

Pode ter sido um fator a dar certa tranquilidade a Casagrande e a Ricardo para fazer o anúncio logo no início do mês.

"A federação é muito importante para o nosso movimento, mas não foi isso que fez eu fazer esse anúncio no início do mês. É porque nós, o Ricardo e eu, temos a tarefa de organizar, de ajustar, para o governo não ter nenhuma redução de ritmo a partir de abril. E, se Deus quiser, ter até um aumento de ritmo", afirmou o governador, na entrevista coletiva.

PEDIDO DA POLÍCIA FEDERAL

Mas há mais fatores no contexto do anúncio.

Na última sexta-feira (27), a Revista Veja revelou, e A Gazeta confirmou, que a Polícia Federal pediu a abertura de um inquérito para investigar Casagrande devido a mensagens trocadas com o desembargador do TRF-2 Macário Júdice.

Além disso, nesta segunda-feira (2), a Folha de S. Paulo mostrou que delegados foram exonerados de cargos de confiança na Polícia Civil capixaba em meio a apurações que cercam um empresário. 

Casagrande já rebateu as alegações a respeito de Macário, garantiu que não fez nenhum pedido ilegal ao magistrado, tanto que tratou com ele via mensagens de WhatsApp.

Quanto a exonerações de delegados, reforçou, nesta segunda, que não conhece detalhes de operações policiais. 

Questionado pela coluna nesta segunda, o governador afirmou que os dois episódios não mudaram os cálculos pré-eleitorais dele e de Ricardo.

"Não, nosso cálculo está dentro do alvo, dentro daquilo que nós tínhamos pensado, planejado, para chegar agora no mês de março a gente dar esse passo de decisão daquilo que a gente faria", respondeu.

"Nada alterou. Até porque, se vocês olharem aquilo que está sendo publicado em alguns meios de comunicação... não tem nenhuma consistência no conteúdo, não tem nada que possa alterar. Nós temos uma vida que tem linha, tem correção, então isso tudo permite que a gente possa abertamente estar discutindo com a sociedade capixaba", completou Casagrande.

E AGORA?

Casagrande, formalmente, preferiu não falar na condição de pré-candidato ao Senado, mas o é.

Pretende usar a skin de pré-candidato mais abertamente após deixar o mandato, no início de abril.

Ricardo é ainda mais reticente ao tratar das eleições de 2026, mesmo quando concede entrevistas como presidente estadual do MDB, cuja função, este ano, é basicamente eleitoral.

Mas, apesar do tom comedido das declarações, os dois são candidatíssimos.

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