> >
PF pede ao STF investigação sobre conversas entre Casagrande e Macário

PF pede ao STF investigação sobre conversas entre Casagrande e Macário

De acordo com a corporação, mensagens extraídas de celular mostrariam possível troca de favores entre o governador do Espírito Santo e o desembargador, preso no Rio de Janeiro

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 14:18

Renato Casagrande, governador do Espírito Santo
Renato Casagrande, governador do Espírito Santo Crédito: Ricardo Medeiros

Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determine a abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o governador Renato Casagrande (PSB) devido a mensagens de WhatsApp trocadas com o desembargador Macário Júdice. Conforme relatório da PF, nas conversas, haveria indícios de suposta troca de favores entre o chefe do Executivo estadual e o magistrado. O governador nega qualquer irregularidade e considera a conversa "republicana e institucional". 

A informação foi divulgada nesta sexta-feira (27) pela coluna Radar, da revista Veja, e confirmada por A Gazeta e pela TV Gazeta. O  magistrado capixaba está preso no Rio de Janeiro desde 16 de dezembro do ano passado, por suspeita de obstrução de investigação. Ele teria vazado informações sigilosas sobre a Operação Zargun, que prendeu o então deputado estadual do Rio de Janeiro TH Jóias, que seria ligado ao Comando Vermelho, em setembro do ano passado.

De acordo com a representação da PF ao Supremo, conversas extraídas do celular do desembargador mostrariam que Casagrande teria pedido rapidez, atenção e carinho num processo judicial que envolvia o então prefeito de Montanha, André Sampaio (PSB), aliado do governador. Outro ponto destacado pela corporação é que teria havido a cessão de um servidor efetivo do Estado para o gabinete do magistrado. 

Em diálogo com data de 23 de julho de 2024, após o governador encaminhar para o desembargador resumo de uma decisão do TRF-2, Macário responde: "Prezado, bom dia! No que posso ser útil? Quem é o relator?". Casagrande, então, pergunta se o relator do caso do ex-prefeito "aceita bem" uma ligação dele ou se deveria "procurá-lo pessoalmente".

Macário sugere um encontro pessoal entre o governador e o relator do caso, mas Casagrande diz nas mensagens que pediria ao advogado. Em seguida, afirma que "é só para pedir agilidade na decisão e ele olhar com carinho".

O documento da PF ainda registra que, após o pedido de análise do processo, o desembargador teria retornado a mensagem para Casagrande no dia 7 de agosto de 2025. Por texto, afirma: "aquele assunto resolvido". 

Em janeiro de 2025, em nova conversa, teria sido a vez de Macário pedir a ajuda de Casagrande para ceder um policial penal ao gabinete dele no TRF-2, o que teria sido feito.

A Polícia Federal viu indícios de "um ambiente de reciprocidade e possível troca de favores potencialmente criminosos". A representação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso de Macário no STF . O pedido é para que o ministro determine a instauração de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para a apuração dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e advocacia administrativa. 

Casagrande nega ilegalidades e afirma que não houve troca de favores. "Não tenho nenhuma preocupação com relação a isso, porque a minha conversa com o desembargador Macário foi uma conversa republicana, institucional, preocupada com a instabilidade política de um município, pedindo ao Macário que pudesse fazer chegar ao desembargador relator de um processo, ou memorial, para que ele pudesse julgar com mais rapidez possível, para não deixar o município na instabilidade política", diz o governador, em entrevista ao g1ES.

O mandatário acrescenta que ainda não foi acionado por qualquer autoridade. "Se for acionado, a explicação será essa. Não tenho nenhuma preocupação com relação ao conteúdo. O conteúdo está no meu celular, tá certo? É um conteúdo que está à disposição de quem quiser, porque é um conteúdo público, não tem nada, não tem nenhum ato irregular que eu tenha cometido", reforça. 

Processo de ex-prefeito

O processo que envolve André Sampaio refere-se a uma ação de improbidade administrativa, em que o ex-prefeito foi condenado inelegível por supostas irregularidades cometidas durante exercício do cargo de gerente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) de Nova Venécia. Em 2024, ele tentava autorização judicial para concorrer à reeleição, conforme mostrou reportagem de A Gazeta à época.

Em conversa com a reportagem na tarde desta sexta-feira (27), o ex-prefeito disse desconhecer o assunto e que não se lembra de ter participado de conversas com o governador visando à reversão de sua situação na Justiça. "Fui pego de surpresa com tudo isso.  Na época, a gente realmente tentava uma definição sobre disputar as eleições ou não, por conta do processo que tramita até hoje. Mas, falo com certeza que nunca soube de nada de pedido do governador a desembargador do TRF-2", diz.

Consulta feita pela reportagem aos portais de transparência e base de dados públicos do TRF-2 e do governo do Estado constatou a existência de um servidor cedido pelo Executivo estadual no gabinete do desembargador. Trata-se de um policial penal efetivo. Ele ficou cedido ao TRF-2, conforme documentos, de novembro de 2024 a dezembro de 2025.

00:00 / 02:55
PF pede ao STF investigação sobre conversas entre Casagrande e Macário

Este vídeo pode te interessar

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

Tópicos Relacionados

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais