Lorenzo Pazolini, Evair de Melo e Arnaldinho Borgo no Convento da PenhaCrédito: Leonardo Duarte/PMV
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), aliou-se ao chefe do Executivo de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), mas garantiu que não vai ser "vice de ninguém". Ele concedeu entrevista à coluna nesta quarta-feira (18), enquanto subia o Convento da Penha ao lado de Pazolini e do deputado federal Evair de Melo (PP).
Foi a primeira agenda dos dois prefeitos, juntos, no município canela-verde, outrora cenário de diversas agendas entre Arnaldinho e o governador Renato Casagrande (PSB). Agora, porém, o tucano alinhou-se ao grupo de Pazolini, principal adversário do socialista.
Tanto Arnaldinho quanto o prefeito de Vitória mantêm-se pré-candidatos ao governo e, mais à frente, vão decidir quem, de fato, vai concorrer à cadeira. O outro deve disputar o Senado, como um aliado do político canela-verde já havia contado à coluna.
Até então, o prefeito de Vila Velha era aliado de primeira hora de Casagrande. De lá para cá, passou a percorrer municípios do interior em tom pré-eleitoral ao lado do prefeito de Vitória. Foi até a Castelo, cidade natal de Casagrande, o que soou como provocação.
Apesar de tudo isso, Arnaldinho ainda se considera um "grande aliado" do governador.
Confira a entrevista:
O que a parceria entre o senhor e o prefeito Pazolini significa na prática, em termos eleitorais?
Na prática, são dois grupos que se unem pensando o futuro do estado do Espírito Santo.
Mas o senhor é pré-candidato a qual cargo?
A gente vai decidir lá na frente. A gente está preocupado em se unir, conversar com o Espírito Santo para que a gente possa, de fato, avançar ainda mais com o estado do Espírito Santo que, nos últimos 24 anos, vem sendo conduzido bem.
Para disputar um cargo em 2026, o senhor tem que renunciar ao mandato de prefeito até 4 de abril. Vai renunciar?
Olha, tudo leva a crer que eu renuncio no dia 4. A gente está à disposição para renunciar.
O senhor descarta disputar outro cargo que não o de governador do estado? Ou pode ser vice ...
Não sou candidato a vice de ninguém.
E a senador?
Vai depender. Eu quero ser candidato ao governo do estado, mas também não tenho essa gana, essa sanha de "tem que ser eu, tem que ser eu". Pode ser o Pazolini, pode ser eu, alguém do nosso grupo.
"Nós dois seremos candidatos, ou ao governo ou ao Senado"
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Vamos jogar com a regra da legislação e decidir até 4 de abril.
O PSDB vai coligar com o Republicanos?
Tudo aparenta que sim. Nós estamos trabalhando juntos, para caminhar juntos, PSDB e Republicanos.
E o Luiz Paulo (Vellozo Lucas), que já foi lançado pré-candidato ao Senado pelo PSDB? Legalmente, é possível que um partido lance dois candidatos a senador quando há duas vagas em disputa.
Se o senhor for candidato ao Senado, o Luiz Paulo não será?
Luiz Paulo hoje é o pré-candidato a senador do PSDB. Se tiver que ser, vão ser os dois, por que não?
Eu não estou me colocando como candidato ao Senado, mas se houver essa possibilidade, a democracia pode tudo.
O senhor ainda se considera aliado do governador Renato Casagrande?
"Eu me considero, sim, um grande aliado (de Casagrande)"
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Eu me considero, sim, um grande aliado.
Ele também deve ser candidato ao Senado e o senhor disse várias vezes que o apoiaria. Isso se mantém?
Aparentemente, sim. Vamos ver o desenrolar da caminhada, mas, até então, sim.
O senhor já conversou com o governador depois da aparição do senhor com Pazolini no Sambão do Povo (dia 6 de fevereiro)?
Não.
E por que essa aproximação com Pazolini, que é rival do grupo de Casagrande?
Nunca tive nada contra o Pazolini, assim como ele nunca teve nada contra mim. Nós decidimos que nós somos dois jovens que temos condições e capacidade de dialogar o futuro do estado do Espírito Santo.
Mas agora o senhor faz parte de um grupo de oposição a Casagrande...
Não sei se significa isso, não. Eu já tinha colocado meu posicionamento falando que quem decide o futuro do Espírito Santo é o povo.
A gente não pode decidir o futuro do Espírito Santo dentro de uma sala apenas com duas, três pessoas. Por isso que nós estamos juntos caminhando o estado do Espírito Santo e dialogando com a sociedade.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.