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“Não sei”: Casagrande evita chamar Arnaldinho de aliado após episódio no Sambão

Prefeito de Vila Velha apareceu ao lado de Lorenzo Pazolini, principal adversário dos casagrandistas

Públicado em 

10 fev 2026 às 11:17
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Casagrande (a direita) observa o afago de Pazolini a Arnaldinho durante o discurso do prefeito de Vitória
Casagrande (à direita) observa o afago de Pazolini a Arnaldinho durante discurso do prefeito de Vitória no Sambão do Povo Crédito: Marcos Salles
O governador Renato Casagrande (PSB) já não sabe se pode considerar o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), como aliado. Na última sexta-feira (6), o político canela-verde, até então muito próximo ao governador, apareceu no Sambão do Povo ao lado do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que é o principal adversário dos casagrandistas.
"A aproximação é natural, as pessoas se aproximam de quem quiser. Nós não temos nenhum questionamento a fazer com relação à aproximação (entre Arnaldinho e Pazolini)", afirmou o governador, nesta terça-feira (10).
Questionado se o prefeito de Vila Velha ainda é um aliado, Casagrande saiu-se com esta:
"Não sei, aliado é quando as duas partes desejam. Da minha parte não teve nenhuma mudança, eu continuo na mesma posição".
As declarações foram concedidas em entrevista coletiva após um encontro com jornalistas protagonizado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, em Vitória.
A reportagem de A Gazeta esteve lá.
A irritação do governador foi perceptível. Não com os jornalistas, mas com a situação em que Arnaldinho o colocou.
"O Arnaldinho me conhece e conhece o Pazolini, conhece as duas pessoas. Ele acompanhou todo o episódio. Ele sabe o que aconteceu lá no Sambão. O Arnaldinho sabe"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
"O Arnaldinho me conhece e conhece o Pazolini, conhece as duas pessoas. Ele acompanhou todo o episódio. Ele sabe o que aconteceu lá no Sambão. O Arnaldinho sabe", reforçou Casagrande.
O que "aconteceu lá no Sambão" não foi apenas um encontro fortuito entre dois prefeitos da Grande Vitória e sim uma espécie de desfile político.
A aparição de Arnaldinho e Pazolini lado a lado foi articulada pelo presidente estadual do Republicanos, Erick Musso.
Além de trocar sorrisos e apertos de mão e posar para fotos ao lado do prefeito da Capital, Arnaldinho acabou em uma sinuca de bico.
Ao discursar e conceder entrevista à imprensa, Pazolini fez críticas veladas ao governo Casagrande. E com a mão no ombro de Arnaldinho, que sempre elogiou a administração estadual.
Para pesar ainda mais o clima, o chefe do Executivo estadual estava bem próximo dos dois.
Aliados de Pazolini comemoraram. A ideia foi passar a imagem de uma frente unida da "nova política" contra políticos mais tradicionais, como o próprio Casagrande e o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), que é o pré-candidato ao Palácio Anchieta apoiado pelos casagrandistas.
O atual prefeito de Vitória vai concorrer contra ele em outubro.
A questão agora é saber em que posição Arnaldinho vai estar. O prefeito de Vila Velha tentou ser o candidato governista, mas foi preterido por Casagrande e pela maioria dos aliados do socialista.
Um dos principais interlocutores do governador, o secretário de Saúde, Tyago Hoffmann (PSB), afirmou à coluna na segunda-feira (9) que o prefeito de Vila Velha não pode ser considerado um traidor, "ainda".
É que, apesar de todo o rebuliço causado pelo episódio no Sambão, Arnaldinho em nenhum momento disse que apoia Pazolini como candidato ao governo ou que desembarcou do projeto de eleger Casagrande ao Senado.
(Com informações de Vinicius Zagoto)

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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