A aparição do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), ao lado do de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), causou um rebuliço na política capixaba. Arnaldinho é aliado do governador Renato Casagrande (PSB). Pazolini é o principal adversário do grupo liderado pelo socialista.
As fotos de mãos dadas com Pazolini no Sambão do Povo, na sexta-feira (6), sugerem que Arnaldinho "virou a casaca" após ser preterido por Casagrande na corrida pelo Palácio Anchieta.
Nesta segunda (09), em entrevista à coluna, o secretário estadual de Saúde, Tyago Hoffmann (PSB), um dos principais conselheiros casagrandistas, evocou uma frase atribuída a Leonel Brizola:
"A política ama a traição e odeia o traidor".
Mas, em seguida, ponderou:
"O prefeito de Vila Velha não pode ser classificado como traidor ainda porque não há anúncio público cravando a presença dele em outro palanque".
A decisão de Arnaldinho de surgir no Sambão acompanhado do adversário dos casagrandistas foi avaliada por Hoffmann como "um erro" e "um comportamento que gera decepção".
"Causou perplexidade, principalmente considerando os investimentos feitos pelo governo do estado em Vila Velha", completou.
"Mas todos, alguma vez na vida, tomamos atitudes e nos arrependemos, não há caminho sem volta. Até que se prove o contrário, ele é um aliado."
De acordo com Tyago Hoffmann, o prefeito de Vila Velha tem as portas abertas para se reaproximar dos casagrandistas e exercer "qualquer papel" no projeto eleitoral de 2026. Menos o de candidato ao governo, vaga já reservada para o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB).
"DESELEGÂNCIA"
Além do impacto visual da chegada conjunta de Arnaldinho e Pazolini ao Sambão na abertura do Carnaval de Vitória, houve um momento, no mínimo, constrangedor.
Durante entrevista coletiva, Pazolini mandou recados eleitorais explícitos, com críticas veladas a Casagrande. Arnaldinho, ao lado do prefeito de Vitória, pareceu meio desconfortável.
O próprio governador estava bem próximo dos dois. Climão.
Hoffmann considerou as declarações de Pazolini como "uma deselegância" e "falta de postura institucional".
"Ele não entende que há separação entre disputa eleitoral e o momento de se comportar como chefe do Executivo municipal."
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