Não bastaram o "desfile" no Sambão do Povo e as fotos dentro da Prefeitura de Vila Velha. Nesta quinta-feira (12), os prefeitos Arnaldinho Borgo (PSDB), da cidade canela-verde, e Lorenzo Pazolini (Republicanos), de Vitória, desembarcaram juntos em Venda Nova do Imigrante. De acordo com pessoas próximas aos dois, trata-se do início de um périplo eleitoral conjunto.
O prefeito da Capital, desde janeiro de 2025, já percorre municípios do interior em pré-campanha. Agora, conta com reforços. Na visita desta quinta, estava presente também o deputado federal Evair de Melo (PP), escudeiro constante de Pazolini.
Os três devem ir também nada mais nada menos do que a Castelo, cidade natal do governador Renato Casagrande (PSB).
Arnaldinho é, ou era, aliado de primeira hora do chefe do Executivo estadual, mas após ser preterido como candidato ao Palácio Anchieta, aliou-se a Pazolini, principal adversário dos casagrandistas. Casagrande apoia o vice, Ricardo Ferraço (MDB), na corrida eleitoral. O prefeito da Capital também é pré-candidato, assim como Arnaldinho.
De acordo com uma pessoa próxima ao político canela-verde, a ideia é que um dos prefeitos dispute o governo e o outro, o Senado.
O grupo de Casagrande também vai ter candidatos a senador. Um deles é o próprio Casagrande, falta apenas o anúncio oficial. E Arnaldinho afirmou, mais de uma vez, que apoiaria o governador como candidato ao Senado.
Até então, o prefeito de Vila Velha tem feito apenas gestos simbólicos, mas que falam mais que mil palavras.
Ele não disse, com todas as letras, que "virou a casaca" e trocou o time de Casagrande pelo de Pazolini. Tampouco explicitou se vai renunciar ao atual mandato para disputar um cargo em 2026.
Mas considerando os movimentos do prefeito desde a última sexta-feira (6) — o episódio do Sambão — já podemos considerar que a relação com Casagrande está esfacelada. O próprio governador já não sabe se pode chamar Arnaldinho de aliado.
Na terça-feira (10), em publicação no Instagram, o prefeito de Vila Velha disse apenas que "o Espírito Santo só avançará quando lideranças souberem conversar acima das diferenças", conforme registrou na legenda de uma foto com Pazolini.
Ao que parece, eles têm, na verdade, várias coisas em comum: a faixa etária, a vontade de disputar as eleições de 2026 e o inconformismo com o Palácio Anchieta. O "detalhe", entretanto, é que Pazolini nunca foi próximo a Casagrande. Já Arnaldinho, até outro dia, era unha e carne com o governador.
A ida justamente a Castelo, se se confirmar, carrega o simbolismo de uma afronta calculada.
De acordo com Evair de Melo, o objetivo é mesmo passar pela cidade depois que o trio de políticos sair de Venda Nova.
Não é a primeira vez que a cidade natal do governador torna-se cenário de uma situação politicamente constrangedora.
Em 2022, Casagrande não foi o mais votado lá na disputa pelo Palácio Anchieta. O adversário dele no segundo turno, Carlos Manato (PL), recebeu 50,63% dos votos, contra 49,37% do governador.
Para fazer justiça, é preciso lembrar que, na época, Manato também perdeu na cidade em que nasceu, Alegre. Casagrande o superou, por 55,04% contra 44,96%.
Em 2024, o prefeito eleito em Castelo foi João Paulo Nali, do Republicanos, partido de Pazolini.
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