À ex-senadora Rose de Freitas foi oferecido o posto de 3ª vice-presidente do MDB-ES. A Executiva estadual foi eleita neste sábado (28), mas o nome dela não consta entre os membros. A ex-parlamentar recusou o convite para compor o comando da sigla, mas compareceu à convenção partidária. Ela não desistiu, porém, de um objetivo mais audacioso: quer ser candidata ao Senado em 2026 e pediu isso formalmente ao MDB.
"Hoje estou apresentando o requerimento colocando o meu nome como pré-candidata ao Senado. Estou apresentando formalmente ao diretório regional", afirmou em entrevista durante a convenção.
De acordo com ela, na instância nacional do partido, "há um estímulo constante" para que dispute a vaga, o que tem que ser discutido nas fileiras estaduais.
Por aqui, a ideia não é ponto pacífico. O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, também é pré-candidato ao Senado pelo MDB.
Aliás, Euclério foi eleito 1º vice-presidente da legenda, ladeando o vice-governador Ricardo Ferraço, reconduzido como presidente do MDB-ES.
"Eu respeito o Euclério. Muita coisa que foi colocada na imprensa sobre rixa, 'o MDB quer isso, quer aquilo'... o MDB vai se pronunciar na hora certa. O partido tem que se organizar para ter candidato ao governo e tem um pré-candidato, que é o Ricardo. Ao que parece, tem duas pré-candidaturas ao Senado. Que o partido permaneça unido", defendeu Rose.
Ela e Euclério cumprimentaram-se normalmente durante a convenção.
Outro entrave é justamente o fato de o partido ter Ricardo como pré-candidato ao Palácio Anchieta.
De acordo com a legislação eleitoral, nada impede que uma sigla lance, simultaneamente, candidato ao governo e até dois ao Senado, quando duas vagas de senador estiverem em disputa, como é o caso de 2026.
Mas ter candidato ao comando do Executivo estadual e um nome ao Senado — ainda que apenas um — envolve gastos relevantes e jogo de cintura.
Hoje, nos bastidores, especula-se até que o MDB não deve lançar nem Rose nem Euclério, para priorizar a corrida pelo governo estadual. Sem contar que Euclério teria que renunciar ao mandato em Cariacica para poder disputar, uma decisão delicada.
Questionado, Ricardo Ferraço preferiu não responder diretamente. Ele tergiversou sobre pré-candidaturas, disse que o calendário eleitoral ainda não permite tratar do assunto.
Mas a verdade é que há tempos o vice-governador e o partido estão em pré-campanha. A questão do Senado é que é mais complicada, considerando os fatores já tratados aqui — a disputa interna entre Rose e Euclério e o peso de ter duas candidaturas majoritárias, a governador e a senador.
Por enquanto, há várias incógnitas no ar.
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