Arnaldinho, Renzo Vasconcelos, Lívia Vasconcelos, Lorenzo Pazolini e Erick MussoCrédito: Instagram/@renzo.vasconcelos
Presidente estadual do PSD, o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, ainda não bateu o martelo a respeito de quem o partido vai apoiar na corrida pelo Palácio Anchieta, mas os sinais são evidentes.
"A foto fala mais que qualquer palavra", afirmou ele à coluna na sexta-feira (20), após fazer uma publicação no Instagram em que aparece ao lado dos prefeitos de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), e de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
"As ruas querem renovação, o eleitor quer renovação. Eu também faço parte dessa renovação e o PSD vai ser protagonista nesta eleição", completou.
Mas Renzo fez questão de ressaltar que "as portas não estão fechadas para ninguém". O PSD é cobiçado há tempos pelo Republicanos de Pazolini e também por aliados do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB).
O prefeito da Capital e o emedebista são pré-candidatos ao Palácio Anchieta. Arnaldinho também, mas este afastou-se do grupo do governador Renato Casagrande (PSB), do qual Ricardo faz parte.
"Pazolini é meu amigo, Arnaldinho é meu amigo, é natural que eu os receba, assim como já recebi várias vezes o Ricardo", amenizou o prefeito de Colatina, para em seguida jogar lenha na fogueira:
"Agora, o caminho é estar junto com quem quer estar comigo. O ex-prefeito de Colatina (Guerino) é secretário de estado (secretário de Recuperação do Rio Doce). Colatina não recebeu um centavo do governo do estado no ano passado porque o secretário impede".
Renzo refere-se a repasses discricionários, não a verbas obrigatórias.
AUSÊNCIA
Neste sábado (21), o governador vai estar em Colatina, justamente para fazer entregas e anúncios de investimentos lá. A agenda do socialista prevê a inauguração da pavimentação rural do Programa Caminhos do Campo, trecho: BR 259 x São Pedro Frio (1ª etapa) e assinatura da ordem de serviço para 2ª etapa do trecho São Pedro Frio.
Casagrande, inclusive, telefonou para o prefeito de Colatina, convidando-o para o evento.
Renzo afirmou à coluna, porém, que não há diálogo do governo com a prefeitura sobre os investimentos a serem feitos por lá:
"Não fechei as portas para ninguém, repito, nem estou fechando, mas as coisas me são apenas comunicadas (pelo governo). Fui eleito contra a máquina pública estadual e municipal"
Renzo Vasconcelos (PSD) - Prefeito de Colatina
"Não fechei as portas para ninguém, repito, nem estou fechando, mas as coisas me são comunicadas apenas (pelo governo). Fui eleito contra a máquina pública estadual e municipal."
Em 2024, Guerino Balestrassi era o prefeito e não foi reeleito, mesmo contando com o apoio do governador.
"O secretário (Balestrassi) fica dizendo que eu não quero investimentos do governo em Colatina, mas isso não é verdade. Claro que eu quero, quero o melhor para Colatina. Ele que tem articulado para o recurso não vir", continuou.
Na entrevista na sexta à noite, Renzo não cravou se iria ou não recepcionar Casagrande na agenda do início da tarde deste sábado. Mas o tom dele não era de animação para tal.
Já na manhã de sábado a coluna apurou que o prefeito de Colatina não iria ao evento, marcado para o início da tarde. E não foi. Quem o representou foi o vice, Dr. Pagotto (PSD).
O PSD, nacionalmente, é comandado por Gilberto Kassab. No Espírito Santo, a liderança de mais destaque é o ex-governador Paulo Hartung, que se filiou à sigla em maio.
Hartung e Casagrande, como se sabe, são adversários ao menos desde 2014. Logo, a possibilidade de o PSD não ficar no palanque de Ricardo e Casagrande (que deve disputar o Senado) já era grande.
Mas prefeitos, via de regra, tendem a manter uma boa relação com o governo estadual. Dessa forma, Renzo Vasconcelos se equilibrou entre Pazolini e Ricardo-Casagrande.
Até agora. A foto junto com os prefeitos de Vitória e Vila Velha e o registro da ausência do chefe do Executivo municipal de Colatina no evento com o governador, realmente, falam por si só.
O PSD tem tamanho suficiente para agregar tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito e recursos do fundo eleitoral.
A montagem de chapas de candidatos a deputado federal e estadual é outra coisa. De acordo com o que a coluna apurou nos bastidores, o Republicanos pretende ajudar nessa tarefa.
A esposa de Renzo, Lívia Vasconcelos, é pré-candidata a deputada federal.
O partido pode ainda ter candidato ao Senado, o deputado estadual Sérgio Meneguelli, e/ou pleitear uma vaga de vice.
Quanto a Hartung, bem, ele deixa a dúvida no ar quanto a ser ou não candidato a algum cargo em 2026, mas já elogiou Pazolini publicamente.
A RESPOSTA DE GUERINO BALESTRASSI
Após a publicação desta coluna, o secretário estadual de Recuperação do Rio Doce e ex-prefeito de Colatina Guerino Balestrassi rebateu as críticas de Renzo Vasconcelos em relação a investimentos feitos pelo governo estadual na cidade.
"Tem quase R$ 1 bilhão em investimentos do governo em Colatina, vários deles em andamento. É só olhar no Portal da Transparência. Talvez o prefeito não conheça os projetos em andamento na própria cidade", alfinetou Balestrassi, em entrevista concedida no domingo (22).
"Não tenho pretensão de ter o poder que ele acha que eu tenho. Nem se eu tivesse, jamais prejudicaria Colatina, a cidade que eu amo. A orientação do governador Renato Casagrande é ter relacionamento institucional com todos os municípios."
"Quem não teve postura institucional foi o prefeito (Renzo). Ele não foi à agenda sábado (21) com o governador. Foi um investimento de, ao todo, R$ 50 milhões em São Pedro Frio (distrito de Colatina), numa estrada municipal", completou.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, também como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 até 2021, quando assumiu a coluna Letícia Gonçalves.