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Compras de plataformas pela Petrobras podem impulsionar indústria do ES

Estatal voltou a comprar unidades próprias. Se ao menos um dos projetos de construção vir para o Estado, há potencial de geração e manutenção de 6 mil empregos diretos e cerca de 20 mil indiretos, e várias empresas podem ser beneficiadas

Publicado em 04/08/2020 às 05h00
Atualizado em 04/08/2020 às 17h43
Plataforma construída no Estaleiro Jurong Aracruz
Plataforma construída no Estaleiro Jurong Aracruz. Crédito: EJA/Divulgação

A decisão da Petrobras de voltar a comprar plataformas próprias para produção de petróleo e gás trouxe uma nova onda de otimismo no setor e na cadeia de fornecedores no Espírito Santo. Após oito anos sem comprar unidades, a empresa anunciou na semana passada que vai contratar duas plataformas próprias para o campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

A empresa vinha optando por contratos de afretamento, a maioria deles com empresas estrangeiras. Com isso, segundo especialistas, as oportunidades geradas no país eram limitadas. Porém, com a volta das encomendas próprias, empresas nacionais esperam conseguir ao menos parte dos contratos de construção ou de fornecimento de equipamentos e serviços.

Essa também é expectativa no Espírito Santo, que vê boas chances de consolidação e crescimento da sua indústria naval. O Estado abriga o Estaleiro Jurong Aracruz, que já ganhou dois contratos da Petrobras para finalização de navios-plataforma com a integração dos módulos ao casco – um já concluído e outro em fase inicial.

Na avaliação do coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás da Findes (FCP&G), Durval Vieira Freitas, a situação global atual tende a favorecer os estaleiros no Brasil, inclusive o instalado no Estado, até porque há uma dezena de plataformas a serem contratadas para o futuro próximo.

Durval Vieira Freitas

Coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás da Findes (FCP&G)

"A Petrobras fazer a contratação de plataformas próprias é algo maravilhoso para o Espírito Santo, porque pode trazer muitas oportunidades para cá, de negócios e de empregos. Temos cerca de 13 plataformas a serem contratadas. Com o câmbio de hoje e o cenário global atual, os estaleiros de fora devem ficar esgotados e aí vamos ter uma grande chance para a Jurong levar um ou dois desses projetos"

Segundo Durval, a cada nova plataforma conquistada pelo estaleiro de Aracruz são gerados ou mantidos aproximadamente 6 mil empregos diretos, com um impacto em mais de 20 mil empregos indiretos ao longo da cadeia de empresas fornecedoras.

As estruturas que vêm sendo contratadas pela Petrobras são do tipo FPSO (navios-plataformas que produzem, armazenam e transferem óleo). Só a construção do casco de um navio desses é estimada em US$ 2 bilhões. Depois, ainda são necessários os trabalhos para instalar os módulos e equipamentos que farão a plataforma funcionar.

"Isso é um tipo de atividade que gera muito emprego, e emprego qualificado. Por mais que a Jurong não tenha condições de construir o casco da plataforma, temos todas as condições lá na planta de Aracruz para fazer a integração dos módulos e o comissionamento", afirmou Durval.

IMPACTOS EM TODA A CADEIA

Além do Estaleiro Jurong, outras empresas da cadeia de petróleo e gás podem ser beneficiadas no Estado com alguns contratos para fornecimento de equipamentos e, assim, gerarem mais empregos.

É o caso por exemplo da Technip, que fabrica tubos flexíveis e tem unidade em Vila Velha, e da Imetame Metalmecânica, que produz em Aracruz equipamentos para a montagem e integração de plataformas offshore.

Hoje, há cerca de 580 empresas no Espírito Santo que fornecem produtos e serviços para empresas de petróleo e gás, segundo mapeamento do FCP&C.

HORIZONTE DE OPORTUNIDADES

Na avaliação de Durval, esse movimento da Petrobras é mais um entre os muitos que podem abrir uma janela de oportunidades para o setor de óleo de gás no Estado, impulsionando a indústria e economia local.

Há boas expectativas, por exemplo, com o descomissionamento (desativação) de 19 plataformas e campos na Bacia do Espírito Santo, que deve demandar investimentos R$ 600 milhões no Estado nos próximos cinco anos e gerar 2 mil empregos entre diretos e indiretos.

A venda de campos maduros e de blocos exploratórios pela Petrobras, os últimos leilões de áreas de petróleo, a privatização e reativação de campos em terra e a expectativa de início das operações de um novo navio-plataforma no Litoral Sul capixaba, em 2023, são outros acontecimentos que têm feito o setor vislumbrar um amplo crescimento nos próximos anos.

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