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Solidariedade: menina de 10 anos estuprada no ES recebe doações em Recife

Criança de 10 anos ganhou flores, brinquedos e roupas no hospital onde foi feito o aborto legal; ela está bem de saúde, segundo os médicos

Publicado em 17/08/2020 às 23h45
Atualizado em 19/08/2020 às 11h53
RECIFE, PE, 17.08.2020 - Uma menina de 10 anos que engravidou após ter sido estuprada pelo tio, no estado do Espirito Santo, foi transferida para Pernambuco a fim de interromper a gestação após a justiça do ES autorizar o procedimento. (Foto: Paulo Paiva/DP Foto/Folhapress)
Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, onde foi realizado o procedimento. Crédito: Paulo Paiva/DP Foto/Folhapress

menina de 10 anos que engravidou após ser vítima de estupros no Espírito Santo ganhou flores, brinquedos e roupas no hospital onde realizou o procedimento para interromper a gravidez, no Recife, no último domingo (16). Um laboratório de análises clínicas de lá também se prontificou a fazer os exames genéticos do material coletado do aborto, procedimento necessário para a produção de provas que serão usadas no processo criminal que investigará o estupro do qual a garota foi vítima, segundo reportagem de Ciara Carvalho no Jornal do Commercio desta segunda-feira (17).

O caso, que ganhou repercussão nacional, também chamou a atenção de youtubers que se ofereceram para pagar os estudos da criança até ela concluir a faculdade.

O médico Olímpio Barbosa de Moraes Filho, gestor executivo do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), da Universidade de Pernambuco, que coordenou o procedimento, informou que a criança passa bem e já está em condições de alta. Ela está em um quarto, acompanhada da avó, que viajou com ela. 

Olímpio Barbosa de Moraes Filho

Médico e gestor executivo do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), da Universidade de Pernambuco

"Ela está se sentindo aliviada e quer voltar para casa, recuperar a sua vida. Ela já está em condições de alta médica. Mas, para preservar a criança, não vamos informar quando ela deixará o hospital"

A enfermeira obstetra Paula Viana, uma das coordenadoras da ONG Grupo Curumim, acompanhou a chegada da criança ao Recife e todo o processo de internação, inclusive o momento da interrupção da gravidez. "Uma menina muito tranquila, o tempo todo agarrada com os bichinhos de pelúcia. Uma menina linda, muito inocente e muito sofrida", descreveu.  

Desde a chegada no aeroporto até o hospital, a maior preocupação do grupo foi de proteger a criança, já que as informações sobre o local onde o procedimento seria realizado tinham sido divulgadas na internet. "Elas não sabiam muito o que estava acontecendo, mas precisaram se abaixar no carro para não serem vistas ao entrar no hospital, tiveram que entrar na mala do carro. Um coisa muito constrangedora, mas necessária para garantir a proteção física e mental (da criança)", conta a enfermeira, em referência ao protesto ocorrido na entrada da maternidade. 

PROTESTOS NA PORTA DO HOSPITAL

Na tarde do domingo (16), políticos e pessoas ligadas a segmentos religiosos fizeram um ato na porta do Cisam para impedir que o aborto fosse realizado. Os manifestantes tentaram invadir a maternidade, mas foram contidos com a chegada da Polícia Militar.  

O Gabinete de Assistência Jurídica às Organizações Populares (Gajop) entrou com um pedido de investigação junto ao Ministério Público Estadual para que a entidade apure a participação de manifestantes, sobretudo de parlamentares estaduais, no protesto ocorrido na porta da maternidade. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Pernambuco, e a representação estadual do Colegiado Nacional de Conselheiros Tutelares também condenaram o ato.

Em nota, divulgada antes do ofício protocolado pelo Gajop, o Ministério Público informou que os crimes contra honra são de representação privada e dependem da apresentação de queixa-crime por parte dos ofendidos. "O Ministério Público de Pernambuco está à disposição dos familiares da criança para receber sua manifestação através da Ouvidoria", disse o comunicado.  

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