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Após dois meses, morte de jovem em ambulância no ES ainda é investigada

Kevinn Belo Tomé da Silva, de 16 anos, morreu na porta do Himaba, em Vila Velha, após aguardar atendimento por quatro horas; Sesa pediu nova prorrogação para apurar

Tempo de leitura: 4min
Vitória
Publicado em 01/07/2022 às 19h12

Há dois meses, o adolescente Kevinn Belo Tomé da Silva, de apenas 16 anos, morria dentro de uma ambulância, após esperar atendimento por quatro horas na porta do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha. Procurada por A Gazeta nesta sexta-feira (1º), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que adiou, mais uma vez, o prazo para concluir as apurações sobre o caso.

Em nota, a pasta disse que "a auditoria segue em andamento, tendo sido autorizada a prorrogação do procedimento, para até mais 30 dias de investigação, devido aos processos de análise que ainda estão sendo realizados". No final de maio, uma prorrogação do tipo já havia sido feita pela Sesa.

Kevinn, 16 anos, morreu após esperar horas dentro de uma ambulância em Vila Velha
Kevinn Belo Tomé da Silva, de 16 anos, morreu na madrugada de 30 de abril, em uma ambulância, na porta de um hospital público em Vila Velha. Crédito: Arquivo pessoal

Atualmente, o caso é investigado por três autoridades, mas respostas ainda não foram dadas, apesar dos questionamentos. A Polícia Civil, por exemplo, diz que o episódio segue em investigação na Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha.

"A DHPP está realizando diligências e oitivas de testemunhas, para esclarecer os fatos com precisão. Outras informações não serão passadas, por enquanto, para não interferir na apuração do fato. Todas as medidas legais foram adotadas e estão tramitando dentro do prazo legal", afirmou.

Há um mês, o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) explicou que a sindicância aberta tem prazo de 90 dias, mas poderia levar mais tempo, se necessário. "Como todos os processos internos correm em segredo de Justiça, não é possível informar mais nada."

Anteriormente, o órgão já havia esclarecido que, "caso haja indício de falta de ética, abre-se um processo, com direito à ampla defesa dos denunciados". Em caso de condenação, as punições previstas na Lei nº 3.268/57 variam entre advertência e até cassação do exercício profissional.

"NEGLIGÊNCIA", AFASTAMENTO E CRÍTICAS

No dia 2 de maio, a Sesa afirmou que uma vaga estava garantida para atender ao Kevinn no pronto-socorro do Himaba. O secretário Nésio Fernandes classificou o caso como "negligência" e "omissão" por parte de duas médicas intensivistas que estavam de plantão e que acabaram afastadas.

A pasta defendeu que a medida é prevista no código de conduta do hospital. No entanto, o afastamento foi criticado pela Associação Médica do Espírito Santo (Ames) e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-ES), que o receberam como um "pré-julgamento" das profissionais.

Responsável pela defesa das médicas, o advogado Jovacy Peter Filho endossou as críticas e defendeu que não houve omissão. Em entrevista à TV Gazeta, no último dia 3 de maio, ele alegou que a vaga reservada ao Kevinn era de enfermaria e que não havia respirador livre para o jovem.

No mesmo dia, após as afirmações dadas pelo advogado, a Secretaria de Estado da Saúde emitiu uma nota em que garantiu que todos os leitos do pronto-socorro contam com recursos adequados para atendimento de quadros críticos e o protocolo é garantir a assistência e estabilização do paciente.

Já no dia 4 de maio, a empresa responsável pela ambulância falou pela primeira vez sobre o caso e divulgou detalhes sobre o atendimento. Entre eles, revelou que a equipe foi forçada a voltar com o paciente para a UTI móvel e que a transferência foi solicitada pela Central de Vagas do Sistema Único de Saúde (SUS).

MORTE APÓS QUATRO HORAS DE ESPERA: RELEMBRE O CASO

O adolescente Kevinn Belo Tomé da Silva, de 16 anos, morreu na madrugada de 30 de abril deste ano, após esperar durante quatro horas por atendimento dentro de uma ambulância estacionada na porta do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha.

Devido ao grave estado de saúde, ele precisou ser transferido do Pronto-Atendimento (PA) de Paulo Pereira Gomes, em Cachoeiro de Itapemirim. A saída da unidade aconteceu por volta das 22h30 do dia 30 de abril, uma sexta-feira. Já a chegada ao hospital na Grande Vitória se deu cerca de duas horas depois.

Vídeos gravados por um parente de Kevinn mostram o desespero da família, diante das negativas de atendimento. Em um deles, dá para ouvir a médica da ambulância explicando que o caso era "gravíssimo". Por volta das 4h30, o adolescente teve uma parada cardíaca e morreu.

Para os familiares do jovem, o episódio configurou negligência e assassinato. Revoltados, eles registraram um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil — assim como a direção do Himaba, horas depois. Administrativamente, o hospital deu início a uma apuração interna sobre o ocorrido.

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