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Ames critica afastamento de médicas por morte de adolescente em ambulância

Kevinn Belo Tomé da Silva, de 16 anos, morreu no último sábado (30), na porta do Hospital Infantil de Vila Velha, após esperar quatro horas por atendimento na unidade

Tempo de leitura: 4min
Vitória
Publicado em 02/05/2022 às 16h07
Atualizado em 03/05/2022 às 18h47
Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves, (Himaba)
Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) fica em Vila Velha. Crédito: Fernando Madeira

A Associação Médica do Espírito Santo (Ames) criticou, nesta segunda-feira (2), o afastamento das médicas que seriam as responsáveis por receber o adolescente Kevinn Belo Tomé da Silva, de 16 anos, que morreu no último sábado (30) após quatro horas de espera por atendimento dentro de uma ambulância estacionada na porta do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha.

Em nota divulgada por meio de redes sociais no início da tarde desta segunda-feira, a Ames repudiou veementemente a postura da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) por realizar um "pré-julgamento" das profissionais ao fazer um "afastamento sumário, sem processo administrativo disciplinar para apuração dos fatos".

Em entrevista concedida nesta segunda-feira à TV Gazeta, o secretário Nésio Fernandes disse que trata o episódio do último fim de semana como um caso claro de negligência e omissão por parte das duas médicas intensivistas que estavam no plantão do Himaba na madrugada do último sábado (30).

"Por uma falha grave e inaceitável, as profissionais com especialidade para atender ao quadro do Kevinn se recusaram a admiti-lo no serviço de pronto-socorro. Já existem elementos explícitos de negligência e omissão por parte dos fatos e da gravidade do desfecho", afirmou.

Na entrevista, o secretário também reforçou que o jovem foi transferido de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, devido à gravidade do estado de saúde, já com o leito de UTI garantido no Himaba. "A vaga estava garantida e o hospital era o ideal para reduzir o risco de morte", disse.

Segundo divulgado por Nésio Fernandes, Kevinn apresentava graves problemas renais. Devido ao atendimento negado, ele se solidarizou com a família do adolescente e garantiu responsabilizações nas esferas administrativa, civil, criminal e junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-ES).

Kevinn Belo Tomé da Silva, de 16 anos, morreu neste sábado (30) após uma parada cardíaca e aguardar horas para dar entrada no Himaba
Kevinn Belo Tomé da Silva, de 16 anos, morreu no sábado (30) após uma parada cardíaca e aguardar horas para dar entrada no Himaba. Crédito: Acervo da família

Especificamente sobre a nota de repúdio, a Sesa afirmou que o código de conduta do Himaba prevê o afastamento de "colaborador ou prestador de serviço diante de fraude, escândalo ou algo do gênero até a apuração da investigação, garantindo a ampla defesa". A pasta ainda destacou que a investigação segue pelos órgãos responsáveis.

A Secretaria de Estado da Saúde também ressaltou que abriu uma auditoria para "avaliação de todo o processo que envolve o atendimento do adolescente Kevinn Belo Tomé da Silva" e disse que o hospital, "sempre que acionado pelas autoridades, está colaborando com as informações necessárias".

COMO ESTÃO AS INVESTIGAÇÕES

De acordo com a Sesa, as duas médicas teriam sido chamadas para prestar depoimento à Polícia Civil neste domingo (1º), mas alegaram que não estavam em condição de falar sobre o episódio. Em nota, a corporação afirmou que elas "prestarão depoimento em momento oportuno".

"No sábado (30), o diretor do hospital prestou depoimento, assim como outras duas funcionárias. No domingo, foi coletado o depoimento da enfermeira-chefe que estava de plantão no dia do fato e da médica que compunha a equipe da ambulância em que o menino estava", detalhou a PC.

A Polícia Civil também informou que recolheu documentos e imagens de videomonitoramento. Duas ocorrências tratam do assunto: uma registrada pela família de Kevinn e outra pela direção do Himaba. O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha.

Já o CRM-ES confirmou o recebimento da representação da Sesa contra as duas profissionais e revelou que foi aberta uma sindicância para apurar as responsabilidades. A princípio, o prazo para conclusão é de 90 dias, mas que pode ser prorrogado se houver necessidade.

"Caso haja indício de falta ética, abre-se um processo, também com direito à ampla defesa dos denunciados. Em caso de condenação, as punições são as previstas no Artigo 22 da Lei nº 3.268 de 1957, que variam entre advertência e, em casos extremos, cassação do exercício profissional", esclareceu.

CRM TAMBÉM REPUDIA ACUSAÇÕES

Após a publicação desta reportagem, nesta terça-feira (3), o CRM-ES também divulgou uma nota de repúdio desaprovando "as acusações feitas, antes do devido processo legal, contra médicos plantonistas" e garantiu que a sindicância aberta "correrá com absoluta imparcialidade, lisura e respeitando a presunção de inocência dos envolvidos".

Atualização

2 de Maio de 2022 às 18:54

Após publicação desta matéria, a Secretaria de Estado da Saúde se posicionou especificamente sobre a nota de repúdio divulgada pela Associação Médica do Espírito Santo (Ames). O texto foi atualizado.

Atualização

3 de Maio de 2022 às 18:40

O CRM-ES também divulgou uma nota, lamentando as acusações feitas às médicas afastadas pela Sesa. O texto foi atualizado.

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