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Quarentena é decisão acertada no momento mais crítico da pandemia no ES

Com mais de 90% de ocupação dos leitos de UTI, e o sistema hospitalar sob permanente pressão diária, atingiu-se o risco extremo no Espírito Santo. Não há alternativa

Publicado em 17/03/2021 às 02h00
Pandemia
Comércio fechado na avenida Jerônimo Monteiro, Centro de Vitória, em 22/04/2020. Crédito: Vitor Jubini

A imposição de uma nova quarentena ao se atingir o ponto mais crítico da pandemia no Espírito Santo é um corajoso gesto de liderança, diante do negacionismo ruidoso que atropela a sensatez no debate público. Quando há vidas em risco, decisões difíceis precisam ser tomadas, em tempo hábil. E não há tempo a perder. 

O decreto com restrições mais duras nos próximos 14 dias mostra que as autoridades estaduais não estão dispostas a cruzar os braços e pagar o preço da omissão diante da iminência de um colapso do sistema de saúde, e a sociedade civil precisa encarar mais esse obstáculo com sobriedade, ciente dos sacrifícios coletivos. 

Com mais de 90% de ocupação dos leitos de UTI, e o sistema hospitalar sob permanente pressão diária, atingiu-se o risco extremo no Espírito Santo. Não há alternativa. Não há tratamento precoce para evitar casos graves da doença e a consequente necessidade de internação. Há a vacina, mas ainda não há disponibilidade para a imunização em massa.

A única forma de proteção possível, a esta altura, é não pegar a doença. E só o distanciamento social, com as práticas já insistentemente disseminadas de higiene e uso de máscara, é garantia de que as pessoas não vão adoecer. A equação é simples, mas acaba se complicando quando o fator ideológico, totalmente dispensável da fórmula, é adicionado.

Sabe-se que a pandemia afeta o trabalho e a renda dos indivíduos de forma díspar, reflexo da própria desigualdade social no país, e não há quem, em sã consciência, não enxergue os prejuízos globais da interrupção da atividade econômica. Mas não existe geração de riqueza sem uma força de trabalho saudável. A quarentena é um deserto a ser atravessado com a determinação humana de que as crises, por mais dolorosas que sejam, podem ser superadas. 

E a decisão tomada pelo governo Casagrande se consolidou como um pacto não só entre os Poderes estaduais, mas com entidades representativas, do empresariado às igrejas, que se posicionaram pela priorização da vida no momento mais grave da crise sanitária no Espírito Santo.

Foi importante a participação, na live do anúncio oficial da quarentena, do presidente da Assembleia, Erick Musso; do presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), Ronaldo Gonçalves de Sousa; da procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Estado (MPES), Luciana Gomes Ferreira de Andrade; e do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCEES),  Rodrigo Chamoun.  O discurso afinado expôs um amadurecimento dos Poderes locais que deveria ser exemplo para o país.

As duas próximas semanas serão decisivas: se houver o engajamento da população com as medidas restritivas,  evitando aglomerações, os resultados serão sentidos. Experiências similares já deram certo em outras partes do mundo: Reino Unido e Portugal são os exemplos mais recentes de que, com distanciamento social compulsório, é possível reverter a curva de casos, internações e mortes.

No Espírito Santo, o governo estadual não está adotando o lockdown: não haverá, nos próximos 14 dias, a proibição da circulação de pessoas nas ruas como a adotada lá fora. O que se espera é que, com as novas regras de funcionamento de comércios, serviços e ambientes públicos, com a suspensão de todos os serviços não essenciais, a população só saia de casa se houver necessidade, reduzindo drasticamente a proliferação do vírus.

Para que a quarentena tenha o efeito esperado, a fiscalização do poder público deverá ter uma atuação mais ativa do que em outras ocasiões. O governo estadual impôs as regras e precisa se articular com as prefeituras para que as infrações não maculem a própria decisão. As aglomerações em festas clandestinas precisam estar no radar. A quarentena correrá um risco de desmoralização se houver sucessivos flagrantes de desrespeito, como os que vêm ocorrendo principalmente do fim do ano passado para cá.

A quarentena foi decretada pelo governo estadual, mas a experiência falha de isolamento social em 2020 ensinou que ela só funciona com o comprometimento real das pessoas. Nem todos podem se dar ao luxo de ficar em casa. Mas quase todo mundo pode evitar se aglomerar sem necessidade.  

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