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Opinião da Gazeta

Revisão da Lei de Improbidade ameaça controle da corrupção no país

Depois de tentarem ampliar imunidade parlamentar, deputados agora buscam afrouxar regras estabelecidas para coibir atos ilícitos, como liberar a contratação de parentes

Publicado em 15 de Março de 2021 às 10:01

Públicado em 

15 mar 2021 às 10:01

Colunista

PEC que altera Lei de Improbidade tramita na Câmara dos Deputados
PEC que altera Lei de Improbidade tramita na Câmara dos Deputados Crédito: Najara Araújo/Câmara dos Deputados Download
Após uma corrida presidencial marcada pelo discurso crítico à corrupção e à chamada velha política, movimento que catapultou Jair Bolsonaro ao Planalto em 2018, o ambiente nacional parecia ser o de uma faxina geral que livrasse o país de qualquer ato impróprio dos gestores do bem público. Não foi o que se viu. Na contramão daquele sentimento, movimentos em série têm deixado a impressão geral de retrocesso no combate à corrupção, como interferências políticas em órgãos de controle e o fim melancólico da Lava Jato.
Episódios recentes mostram a disposição do Congresso Nacional para avançar em pautas que afrouxam legislações vigentes, extinguindo ou abrandando punições. Foi o caso da PEC da Imunidade, que blindava parlamentares do eventual cometimento de crimes, e parece ser agora com propostas de alteração na Lei de Improbidade Administrativa. Novamente sob o comando de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e líder do Centrão, deputados têm buscado acelerar a votação do Projeto de Lei 10.887, que afrouxa as regras estabelecidas para coibir atos ilícitos. As mudanças são apoiadas por Bolsonaro, que afirma que a burocracia “engessa prefeito”.
A revisão de alguns pontos da Lei de Improbidade não é de todo má. É endossada inclusive por juristas, que entendem que é preciso pacificar questões que hoje levam a uma miríade de decisões judiciais nos tribunais no país e, ainda, para dar segurança aos gestores públicos. Mas muitas propostas aventadas na Câmara dos Deputados não são tão arrazoadas e levantam francas suspeitas de que podem descambar para o enfraquecimento de órgão de controle e o relaxamento de punições.
Um dos pontos em debate é a liberação do nepotismo, com a exclusão do artigo 11 da lei, que define como improbidade atos que violem “deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições”. Em todo o mundo democrático, a prática é consolidada como uma das brechas para a corrupção. Por aqui, mesmo vedada, não impediu que a família Bolsonaro, por exemplo, empregasse 102 pessoas com quem tinha laços familiares, de acordo com levantamento de O Globo. No ano passado, já no cargo de presidente, Jair Bolsonaro tentou emplacar o filho Eduardo como embaixador nos Estados Unidos.
Outra mudança prevista promete dificultar a punição de gestores públicos. Pela proposta, apenas seria possível a aplicação de sanções como perda de cargo e de direitos políticos em caso de dolo. Ou seja, investigações precisariam comprovar que houve intenção de cometer uma irregularidade. À guisa de exemplo, prefeitos que adquiriram respiradores superfaturados durante a pandemia, receberiam um perdão bíblico, simplesmente porque não sabiam o que faziam. O risco é cobrir com o manto da benevolência a ineficiência da gestão pública, que tantos danos causa ao erário e à população.
O Brasil que tanto avançou nas últimas décadas na promoção da higidez da administração pública, com a criação das leis Anticorrupção, da Ficha Limpa, das Estatais e de Acesso à Informação, parece agora retroceder. Neste episódio recente da revisão da Lei de Improbidade, o Congresso dá sinais de não só caminhar na contramão dos interesses da nação, como parece legislar em causa própria. Sete dos 24 integrantes da comissão criada na Câmara para discutir a revisão da legislação respondem a processos de improbidade e podem se beneficiar diretamente das alterações. Arthur Lira também é investigado.
Rever o arcabouço jurídico criado em 1992 pode ser bem-vindo, para modernizar parâmetros e processos. No entanto, o ritmo alucinante impresso à tramitação de uma PEC que trata de tema tão delicado sugere e as ameaças ao controle de atos ilícitos comprovam que este não parece ser o caso. Resta torcer para que tenha o mesmo fim da chamada PEC da Impunidade.

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