> >
'O futuro vai acontecer aqui no Brasil', diz Al Gore em evento sobre clima em SP

'O futuro vai acontecer aqui no Brasil', diz Al Gore em evento sobre clima em SP

Ex-vice-presidente dos EUA e renomado ativista climático anunciando que 80% de seus novos fundos serão alocados no país, principalmente, devido à matriz energética brasileira ser renovável

Publicado em 25 de julho de 2025 às 14:36

Al Gore falou sobre crise climática em evento em São Paulo
Al Gore falou sobre crise climática em evento em São Paulo Crédito: Reginaldo Martins

Em meio a discussões sobre o caminho para superar a crise climática, o Brasil surge como protagonista para estar à frente das soluções, principalmente por ter boa parte da sua energia do tipo renovável.

Para Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA e renomado ativista climático, o Brasil está no centro da conversa global sobre o papel da natureza nos negócios e na indústria, no clima, no futuro do mundo.

Durante sua participação no painel “A crise climática e suas soluções”, na Expert XP, em São Paulo, nesta sexta-feira (25), Gore também afirmou que o futuro dos investimentos está na aposta em tecnologias e práticas que contribuam para um planeta mais saudável.

Gore, que co-fundou a Generation Investment Management, uma gestora de investimentos global focada em sustentabilidade, reafirmou o compromisso de sua empresa com o Brasil, anunciando que 80% dos novos fundos da companhia serão alocados no país.

Uma das razões fundamentais é a matriz energética brasileira. Ele destacou que cerca de 90% da eletricidade do Brasil provém de fontes renováveis e livres de carbono — um feito que o resto do mundo aspira alcançar. Esse cenário confere ao país uma posição única em seu perfil de emissões e em suas vantagens competitivas de energia.

Além da energia, Gore frisou que o Brasil está  no centro do debate global sobre o sequestro de carbono no solo e como frear a queima e o desmatamento de grandes florestas, como a Amazônia, que representa 60% da biodiversidade do país.

Al Gore ressaltou que a natureza se tornou central para resolver a crise climática, e que há três vezes mais carbono no primeiro metro de solo do que em toda a vegetação do planeta, tornando o tratamento desse carbono uma peça-chave para o futuro.

Para o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, a decisão da Generation de focar seus negócios no Brasil se baseia na crença de que "o futuro vai se desenrolar aqui no Brasil".

A empresa busca identificar oportunidades que apontam para o futuro, investindo de forma sustentável e muito lucrativa. Gore afirmou, durante o painel, que, embora alguns pensem que investir em sustentabilidade pode comprometer os retornos, sua empresa provou o contrário: ao longo de 20 anos, superou o benchmark e figurou, entre as duas melhores entre 600 firmas globalmente em sua categoria.

O futuro está mais orientado para o investimento de forma sustentável. A economia global está mudando dramaticamente

Al Gore

Ex-vice-presidente dos EUA

Ele reitera que a transição energética é uma "oportunidade de negócio irresistível" — e não apenas um imperativo moral —, capaz de impulsionar a resiliência a longo prazo e gerar valor.

Alocação de fundos no Brasil

A alocação dos fundos da Generation no Brasil será orientada para o longo prazo, período em que os lucros da sustentabilidade são colhidos. A empresa busca projetos em diversos setores, com a seleção realizada por um comitê de investimento que se beneficia da expertise local.

O papel de liderança do Brasil será ainda mais evidente com a realização da COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) em Belém, em novembro.

Al Gore confirmou sua presença e vê o evento como uma oportunidade crucial para o mundo focar em soluções para a crise climática. Ele enfatiza a necessidade de resistir à influência da indústria de combustíveis fósseis, responsável por mais de 80% da poluição que retém calor na atmosfera.

Ele acredita que o Brasil, com sua matriz energética majoritariamente renovável, pode ser um modelo e enviar uma mensagem poderosa ao mundo, posicionando-se como uma liderança climática no cenário global. Para ele, a conferência em novembro representa uma chance de transformar a oportunidade de sediar um evento internacional em crescimento econômico e oportunidades de negócios para a região e para o país.

Aquecimento global

Durante a sua fala no painel, Gore destacou a necessidade de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, por serem responsáveis pela poluição que tem retido o calor na atmosfera e provocado tantos eventos climáticos nos últimos anos.

“Hoje, colocaremos mais 175 milhões de toneladas de poluição que retém o calor naquela fina camada que cerca a Terra. E ela permanece lá, em média, por cerca de 100 anos por molécula. É por isso que ela se acumula e retém tanto calor extra — o equivalente a 750 mil bombas atômicas classe Hiroshima explodindo todos os dias na Terra. É por isso que as temperaturas estão ficando tão altas. É por isso que estava 40°C em outubro aqui nesta cidade. É por isso que temos mudanças nas correntes oceânicas e nas correntes de vento. É por isso que os incêndios foram tão extensos. Não podemos continuar a encher o céu com poluição que retém o calor”, alertou.

Por isso, acredita que a COP 30 deve focar na redução da queima de combustíveis fósseis, como o Brasil já fez. “Sim, o Brasil tem desenvolvimento de petróleo, mas também é um modelo de país que obtém quase 90% de sua energia de fontes renováveis. É isso que o mundo precisa fazer”, destacou.

A reportagem viajou a convite da XP

Este vídeo pode te interessar

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

Tópicos Relacionados

Investimentos Sustentabilidade

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais