Foram
eleições mornas e de alta alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções). A maior alienação dos últimos 20 anos. No país, em 483 municípios a alienação superou a votação do primeiro colocado. No Espírito Santo, isto ocorreu em 16 municípios. Este fato tem significado simbólico: o cansaço do eleitor com a mesmice política e a fadiga de material de velhas lideranças.
Aqui, o fenômeno da fadiga perpassa as eleições nos quatro municípios. Sinaliza um movimento de placas tectônicas em busca da renovação. Sem o mantra espalhafatoso da antipolítica e da “nova política”. Meio que silencioso, mas efetivo. Aquele mantra provou ser mais uma onda de marketing do que uma atitude consequente. Agora, parece haver uma busca consistente por experiência, renovação e moderação.
Em
Vila Velha, há o exemplo mais simbólico. Na reta de chegada, a onda da pretensa “zoeira” de
Arnaldinho Borgo (Podemos) derrubou o ex-prefeito
Neucimar Fraga (PSD) e superou o prefeito
Max Filho (PSDB). Sem padrinhos políticos, Borgo terminou em primeiro lugar e agora vai continuar desafiando o cacique Max Filho. Ele aponta a fadiga de material das oligarquias locais. Simples assim. A onda está crescendo. Já é um fenômeno político. Max Filho reage, pois eleições não se ganha de véspera.
Em
Vitória, o outro fenômeno político é
Lorenzo Pazolini (Republicanos). Desafiou e venceu
Gandini (Cidadania), o candidato do prefeito Luciano Rezende, também vítima de fadiga de material. Sem padrinhos, Pazolini entrou no segundo turno reafirmando que é independente e que vai continuar a disputa sem padrinhos. Acossado pela ascensão de forte onda antibolsonarista, reage ao rótulo de Bolsonarista. E enfrenta uma disputa com o renascimento da militância do PT na Capital. A onda Pazolini está crescendo, pela forte rejeição ao PT. Arena para fortes emoções. O PT mostrou que é bom de chegada. A conferir.
Na
Serra,
Sérgio Vidigal (PDT) perdeu fôlego na reta final e está disputando com
Fábio Duarte (Rede), o candidato do prefeito Audifax Barcelos (Rede). A duração do segundo turno é muito curta e vai ser difícil, embora não impossível, Fábio Duarte vencer. Lá, também, é patente a fadiga de material. Ironicamente, ela atinge Vidigal e Duarte. Já em
Cariacica, a fadiga de material trouxe pulverização de candidaturas e votos e forçou a entrada de “padrinhos” na disputa: Marcelo Santos (Podemos) apóia
Euclério Sampaio (DEM) e Helder Salomão (PT) apóia
Célia Tavares. Resultado imprevisível e provável alienação eleitoral alta.