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É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Eleições mornas não conseguiram a atenção do povo em 2020

O eleitor mediano não viu entre os candidatos opções e perspectivas para as suas aflições cotidianas. Diálogo de surdos entre a oferta dos candidatos e a demanda dos eleitores

Publicado em 14/11/2020 às 04h00
Eleições municipais de 2020 acontecem durante a pandemia da Covid-19
Eleições municipais de 2020 acontecem durante a pandemia da Covid-19. Crédito: Denny Cesare/Código 19/Folhapress

Amanhã (15) é o dia. Mas há expectativas de alto índice de alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções). Às vésperas das eleições, o eleitor esteve distante. Está cansado de promessas e brigas. Com medo da morte pela Covid-19 e à espera da fome, com o fim do auxílio e a disparada do desemprego. Desalento.

O eleitor mediano não viu entre os candidatos opções e perspectivas para as suas aflições cotidianas. Diálogo de surdos entre a oferta dos candidatos e a demanda dos eleitores. Mesmo os candidatos que entenderam a necessidade de focalizar os problemas locais – a chamada ênfase na zeladoria das cidades – entraram pelo beco sem saída das propostas “prêt-à-porter”. As exceções confirmam a regra, país afora e aqui no Espírito Santo também.

Os que não foram pela via da zeladoria "prêt-à-porter" tentaram reabilitar o clima de antipolítica de 2018. Aí, piorou. O cansaço do eleitor também engloba o fastio com a polarização dos ódios e dos donos da verdade portadores de “carteirinha de Deus”. Diálogo de surdos também.

Pesquisas observam aí o prenúncio da opção pela moderação. Carlos Pereira constata que a pandemia detonou a polarização ideológica e levou muitos eleitores de Jair Bolsonaro a “migrarem para o centro, em busca de moderação”. As pesquisas que ele está conduzindo, com 20 mil eleitores de diferentes espectros políticos, mostram que “as pessoas se tornaram dispostas a saídas menos radicais”.

Aqui e acolá, as eleições deste ano estão mostrando essa migração para a moderação. Trata-se de um novo contexto que levou os brasileiros à catarse pela vitória de Joe Biden nos Estados Unidos, um exemplo de moderação construída e tecida com agulhas de crochê. Será possível essa vibe progredir no Brasil? Não sabemos ainda.

Precisamos, por enquanto, conter nosso folclórico complexo de vira-lata (Nelson Rodrigues) e moderar nosso etnocentrismo político. Aqui, o que temos é que não faltam nomes para o centro político  — mas faltam votos e capacidade para tecer consensos, para além das idiossincrasias e dos egos.

Enquanto isso, aqui no Estado, três eleições prendem a atenção das elites políticas, mas não ainda do eleitorado: SerraVila Velha e Vitória. Na Serra, Sérgio Vidigal (PDT) corre para liquidar as eleições no primeiro turno. Desta vez, é possível. Em Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos) tenta quebrar a polarização entre Max Filho (PSDB) e Neucimar Fraga (PSD) na reta da chegada. Está difícil. Mas é uma possibilidade.

Já em Vitória, a joia da coroa, observadores políticos experientes dão como quase certa a ida de Pazolini (Republicanos) para o segundo turno. Gandini (Cidadania) e Coser (PT) disputariam o segundo lugar. Com mais chances para Gandini, pois a rejeição a Coser aumentou mais ainda nos últimos dias. Disputas acirradas. Os eleitores vão comparecer na undécima hora?

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