Amanhã (15) é o dia. Mas há expectativas de alto índice de alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções). Às vésperas
das eleições, o eleitor esteve distante. Está cansado de promessas e brigas. Com medo da morte pela
Covid-19 e à espera da fome, com o fim do auxílio e a disparada do desemprego. Desalento.
O eleitor mediano não viu entre os candidatos opções e perspectivas para as suas aflições cotidianas. Diálogo de surdos entre a oferta dos candidatos e a demanda dos eleitores. Mesmo os candidatos que entenderam a necessidade de focalizar os problemas locais – a chamada ênfase na zeladoria das cidades – entraram pelo beco sem saída das propostas “prêt-à-porter”. As exceções confirmam a regra, país afora e aqui no Espírito Santo também.
Os que não foram pela via da zeladoria "prêt-à-porter" tentaram reabilitar o clima de antipolítica de 2018. Aí, piorou. O cansaço do eleitor também engloba o fastio com a polarização dos ódios e dos donos da verdade portadores de “carteirinha de Deus”. Diálogo de surdos também.
Pesquisas observam aí o prenúncio da opção pela moderação. Carlos Pereira constata que a pandemia detonou a polarização ideológica e levou muitos eleitores de
Jair Bolsonaro a “migrarem para o centro, em busca de moderação”. As pesquisas que ele está conduzindo, com 20 mil eleitores de diferentes espectros políticos, mostram que “as pessoas se tornaram dispostas a saídas menos radicais”.
Aqui e acolá, as eleições deste ano estão mostrando essa migração para a moderação. Trata-se de um novo contexto que levou os brasileiros à catarse pela
vitória de Joe Biden nos Estados Unidos, um exemplo de moderação construída e tecida com agulhas de crochê. Será possível essa vibe progredir no Brasil? Não sabemos ainda.
Precisamos, por enquanto, conter nosso folclórico complexo de vira-lata (Nelson Rodrigues) e moderar nosso etnocentrismo político. Aqui, o que temos é que não faltam nomes para o centro político — mas faltam votos e capacidade para tecer consensos, para além das idiossincrasias e dos egos.
Enquanto isso, aqui no Estado, três eleições prendem a atenção das elites políticas, mas não ainda do eleitorado:
Serra,
Vila Velha e
Vitória. Na Serra,
Sérgio Vidigal (PDT) corre para liquidar as eleições no primeiro turno. Desta vez, é possível. Em Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos) tenta quebrar a polarização entre
Max Filho (PSDB) e
Neucimar Fraga (PSD) na reta da chegada. Está difícil. Mas é uma possibilidade.
Já em Vitória, a joia da coroa, observadores políticos experientes dão como quase certa a ida de
Pazolini (Republicanos) para o segundo turno.
Gandini (Cidadania) e
Coser (PT) disputariam o segundo lugar. Com mais chances para Gandini, pois a rejeição a Coser aumentou mais ainda nos últimos dias. Disputas acirradas. Os eleitores vão comparecer na undécima hora?