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Quando o amor de um pet ajuda na recuperação de uma criança

Maria Alice perdeu a mãe em um acidente e ficou muito tempo praticamente sem falar,  mas encontrou no amor pela cachorrinha Susy, e no carinho da família, o que precisava para enfrentar a dor

Publicado em 11/07/2020 às 09h01
Atualizado em 13/07/2020 às 09h12
Maria Alice e a cachorrinha Susy
Maria Alice na festinha de aniversário da cachorrinha Susy, sua melhor amiga. Crédito: Aquivo pessoal

Em fevereiro de 2020, a pequena Maria Alice Oliveira Poubel, de 8 anos, sofreu um acidente em um parque de diversões, em Itaipava, Itapemirim, cidade do sul do Espírito Santo. No dia, ela estava com a mãe, que acabou falecendo. Já ela, ficou um bom tempo no hospital, mas, graças a Deus se recuperou e hoje vive, cercada de amor, com o pai e toda a família.

Um momento difícil que, com toda a razão, nenhum dos familiares quer reviver. O importante é a vida daqui para a frente e todos os cuidados estão voltados para a doce Maria Alice. Se para um adulto compreender isso é difícil, imagine para uma criança?

O processo de recuperação de Maria Alice está sendo aos poucos. Logo após o acidente, quando saiu do hospital, ela falava pouco e preferia não perguntar sobre a mãe. Ia vivendo o dia a dia, cercada pelo carinho da família, todos voltados para a sua plena recuperação.

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Mas nesse meio tempo, os tios de Maria Alice começaram a levá-la para passear no sítio de uma amiga, a empresária Eliene Rodrigues de Souza, em Domingos Martins. No local, vivem 41 cães resgatados, incluindo uma cachorrinha de nome Suzy.

E entre tantos cães, Maria Alice se apaixonou à primeira vista pela Susy, uma poodle. E nesse encontro de duas vidas – humana e animal – tudo começou a tomar um outro rumo.

Segundo Eliene, são duas histórias de superação que se encontraram, pois Suzy também precisou lutar muito para se recuperar após ser abandonada em frente a casa de Huandra, presidente da Ong Pra Mia. “Como a gente se conhece, resolvi dar lar temporário para a cachorrinha, que estava muito, muito debilitada e até hoje precisa de vários cuidados, ela é velhinha, já tem uns 10 anos. E os mais idosos, infelizmente, estão entre os animais mais abandonados”, lamenta.

Eliene conta que quando Maria Alice encontrou a Susy, o brilho nos olhos dela voltou. Ela começou a falar mais e, enfim, perguntou sobre a mãe. “A cada visita que ela me fazia, voltava para sua casa cheia de histórias da cachorrinha para contar. Começou até sentir vontade de se arrumar de novo, ficar bonita para esses encontros aqui em Domingos Martins, que agora estão cada vez mais frequentes”.

Eliene ressalta que esse encontro com Susy fez Maria Alice começar a absorver melhor tudo o que aconteceu com a mãe. “Quando ela está aqui, as duas passam o tempo todas juntas, brincam, conversam, é só felicidade. Há poucos dias fizemos o aniversário de um mês de uma ninhada de cachorrinhos que nasceu aqui no sítio, momentos tranquilos, felizes, que só fazem bem a todos nós”.

Segundo Eliene, Susy estava em lar temporário e seria colocada para adoção. “Mas, agora, ficará aqui para sempre. Falo para Maria Alice que a Susy é dela, mas por ser uma idosa precisa continuar morando aqui no sítio”.

Segundo o psiquiatra Paulo Bonates, na vida, o objeto externo, o Outro, só existe quando há uma representação interna. A mãe é a primeira representação, primeiro objeto de relação. Ela tem de ser suficientemente boa para se deixar representar, a mãe se deixa inventar. “Nessa relação materna, a criança vai criando o mundo”, explica.

Segundo ele, Maria Alice, com essa perda muito sofrida, foi buscar uma representação externa para ativar os elementos que a mãe deixou para sustentar a sua vida. Então, Susy, a cachorrinha, se deixou inventar.

“Maria Alice, até conviver com a cachorrinha, ainda não tinha encontrado um Outro que tivesse a capacidade de reativar a sua criatividade, que foi adquirida pela mãe. Susy, então, está sendo fundamental neste momento. Com a companhia dela, Maria Alice está assumindo o próprio barco”.

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