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Publicado em 25 de fevereiro de 2022 às 20:31
- Atualizado há 4 anos
Homens armados, aeronaves, mísseis e tanques de guerra. Este é o cenário visível desde que a Ucrânia passou a ser atacada pela Rússia nesta quinta-feira (24). Segundo informações do governo ucraniano divulgadas na manhã desta sexta-feira (25), mais de 130 pessoas morreram por causa dos conflitos.>
Além das manobras bélicas nas ruas, os países também estão agindo no campo virtual. Sem disparar um tiro ou detonar uma bomba, os soldados digitais promovem incursões cibernéticas. Para imaginar o caos, basta pensar na possibilidade de conviver em cidades sem energia elétrica, abastecimento de água, acesso à internet ou sistemas financeiros inoperantes.>
Segundo especialistas em relações internacionais e da área da segurança da informação, a Rússia trabalha esse modo de operação desde 2014. O resultado foi visto na quarta-feira (23), quando sites do governo ucraniano ficaram inacessíveis após sofrerem, propositalmente, muitas solicitações de acesso.>
Os ataques atingiram endereços eletrônicos governamentais e vários bancos estatais. Com isso, serviços públicos digitais e o banco on-line no país foram interrompidos. >
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De acordo com especialistas, pelo que já foi demonstrado até aqui, os russos devem seguir apostando nesses ataques para desestabilizar o governo ucraciano.>
Igor Lucena, economista e doutor em relações internacionais, destaca que os países precisam definir limites de segurança para operar no mundo digital. Uma alternativa seria a definição de um modelo híbrido que permitiria, quando necessário, que as principais operações nacionais pudessem ser administradas por meios analógicos.>
Igor Lucena
Doutor em Relações InternacionaisO perito em computação forense e especialista em segurança da informação Gilberto Sudré, lembra que, em 2010, o vírus Stuxnet foi usado para atacar o sistema de enriquecimento de urânio do Irã. >
O invasor destruiu diversas centrífugas. A suspeita é de que o arquivo danoso, criado exclusivamente para atacar sistemas usados no controle de equipamentos industriais, tenha sido desenvolvido por algum governo. >
Gilberto Sudré
Especialista em segurança da informaçãoNa guerra cibernética, os grupos atacam infraestruturas sensíveis do alvo, como usinas responsáveis pela distribuição de energia e água, sistemas de telecomunicação e outros serviços importantes.>
"Depois vem a guerra cinética, que vai encontrar um ambiente muito mais caótico no outro país, sem energia, sem comunicação", assinala Sudré.>
Imagens da destruição em Kiev
O Brasil conta com o Comando de Defesa Cibernética Brasileiro (Comdciber), liderado pelo Exército e integrado por militares das três Forças Armadas. Anualmente, o órgão promove exercícios de treinamento de simulação de ataques cibernéticos. >
"O Brasil tem uma força militar preparada para essa guerra. Eles fazem exercícios de práticas de defesa e ataque a sistemas de infraestrutura básica como fornecimento de água e telecomunicação", informa Sudré.>
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