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Reconstrução

Contra especulação, Líbano fixa preço máximo para alumínio e vidro

Decreto ainda indica que é proibido anunciar valores diferentes para o mesmo produto, obrigar que o consumidor pague em dinheiro ou se negar a cobrar o preço em libras libanesas

Publicado em 15 de Agosto de 2020 às 17:08

Redação de A Gazeta

Publicado em 

15 ago 2020 às 17:08
Imagem desta quarta-feira, 05, mostra a destruição causada por duas fortes explosões que atingiram a região portuária de Beirute, no Líbano.
Imagem mostra a destruição causada por duas fortes explosões que atingiram a região portuária de Beirute, no Líbano. Crédito: HUSSEIN MALLA/ AP / ESTADÃO CONTEÚDO
O governo interino do Líbano fixou, neste sábado (15), um valor máximo de venda para o consumidor de produtos como alumínio e vidro, para evitar a especulação com bens que serão necessários para a reconstrução de parte de Beirute, após as explosões ocorridas na zona portuária da cidade.
A medida foi tomada em conjunto pelo ministro interino da Economia e Comércio, Raoul Nehme, e pelo ministro interino da Indústria, Emad Haballah, segundo comunicado. A tragédia destruiu bairros inteiros de Beirute, com um balanço de pelo menos 177 mortos e 6.500 feridos.
"Busca proteger os interesses dos cidadãos e evitar que alguns explorem a necessidade dos afetados, de restaurar as habitações e seus bens, após o lamentável incidente no porto de Beirute", diz o texto divulgado pelo Ministério da Economia e Comércio.
O preço fixado vale para venda e instalação de um metro quadrado de alumínio e vidro, "incluindo despesas, taxas e impostos".
O decreto ainda indica que é proibido anunciar valores diferentes para o mesmo produto, obrigar que o consumidor pague em dinheiro ou se negar a cobrar o preço em libras libanesas.
Atualmente, o Líbano tem economia altamente dolarizada, diante da desvalorização da moeda local, o que leva à especulação no mercado paralelo e à grande parte do comércio local só trabalhar com o dólar dos Estados Unidos.
A explosão ocorrida no porto de Beirute, de quase 3 mil toneladas de nitrato de amônio, afetou 601 prédios históricos da capital, além de residências e outras edificações.

EUA PEDEM INVESTIGAÇÃO TRANSPARENTE

Em visita ao porto de Beirute, o número três da diplomacia americana, David Hale, pediu neste sábado uma investigação "transparente" sobre o incidente. A investigação terá o auxílio de funcionários do FBI (Polícia Federal dos EUA), convidados pelas autoridades libanesas.
"Não podemos recuar e voltar a uma época em que qualquer coisa poderia entrar pelo porto ou atravessar as fronteiras do Líbano", destacou ele, em uma entrevista coletiva.
As autoridades estavam a par, havia anos, da presença das toneladas de nitrato de amônio, como admitiram algumas delas e fontes das forças de segurança.
O governo e a classe política do Líbano rejeitam uma investigação internacional, apesar dos pedidos no país e no exterior que defendem a medida. Ao mesmo tempo, a justiça da França abriu uma investigação: dois franceses morreram na tragédia.
O poderoso e influente movimento xiita libanês Hezbollah é acusado com frequência de ter suas entradas no porto de Beirute e administrar uma rede de contrabando na fronteira com a Síria, país vizinho que está em guerra.
Após a explosão, algumas pessoas acusaram o Hezbollah, considerado uma "organização terrorista" pelo governo dos EUA, de armazenar armas no porto, algo que o líder do movimento, Hassan Nasrallah, negou com veemência.
Hale pediu neste sábado às autoridades que retomem o controle da situação. O FBI se unirá a outros especialistas internacionais que já estão no país, alguns deles procedentes da França.
COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS.

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