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Tragédia em Beirute

Comitiva brasileira leva mantimentos e quer tentar apaziguar o Líbano

A missão que viajou para o país na manhã desta quarta-feira (12) é liderada pelo ex-presidente Michel Temer e tem como promessas 'ajudar a solucionar os embates políticos'

Publicado em 12 de Agosto de 2020 às 14:26

Redação de A Gazeta

Publicado em 

12 ago 2020 às 14:26
Imagem desta quarta-feira, 05, mostra a destruição causada por duas fortes explosões que atingiram a região portuária de Beirute, no Líbano.
Imagem mostra a destruição causada por duas fortes explosões que atingiram a região portuária de Beirute, no Líbano. Crédito: HUSSEIN MALLA/ AP / ESTADÃO CONTEÚDO
Uma missão brasileira liderada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) viajou para o Líbano na manhã desta quarta (12) para enviar insumos e sob promessas de tentar "ajudar a solucionar os embates políticos" do país.
Temer e outros representantes brasileiros, como o presidente da Fiesp (Federação de Indústrias de São Paulo), Paulo Skaf, devem se encontrar com o presidente do Líbano, Michel Aoun, nesta quinta (13), logo após a chegada da comitiva no país do Oriente Médio.
O governo libanês enfrenta uma série de protestos após a enorme explosão que destruiu parte de Beirute no último dia 4. Na capital manifestantes pedem inclusive a saída de Aoun, acusado pela população de ser um dos responsáveis pela tragédia, que deixou ao menos 220 mortos.
Com a comitiva, o governo brasileiro enviou pelo menos seis toneladas de alimentos, insumos e remédios ao Líbano.
"[Temos] Convicção de que lá seremos muito bem recebidos e todos lá [estarão] desejosos de que o Brasil possa exercitar não apenas função humanitária, mas, tendo em vista os vínculos tradicionais entre ambos os países, também possa ajudar a solucionar os embates políticos, com autorização naturalmente das autoridades libanesas", disse Temer em cerimônia na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos (SP), antes de embarcar.
Segundo ele, que não deu mais detalhes, a intenção é "dar a nossa colaboração para a pacificação interna daquele país".
Ao seu lado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também discursou, mas com tom menos político que seu antecessor.
"O mundo atravessa uma pandemia, todos nós sofremos com isso. Quis o destino, lamentavelmente, que nossos irmãos do Líbano fossem acometidos também por esse desastre", afirmou antes de agradecer aos enviados e elogiar a comunidade libanesa no Brasil. Ele saiu sem falar com os jornalistas.
Além de Temer e Skaf, irão ao Líbano outras 11 pessoas, entre políticos, empresários e militares.
Convidado por Bolsonaro a liderar a missão, o ex-presidente teve de pedir à Justiça uma autorização para deixar o país. O pedido foi acatado pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pelas decisões da Lava Jato do Rio.
Temer, que é filho de libaneses, responde a sete processos, que tramitam no Rio, no Distrito Federal e em São Paulo, e chegou a ser preso preventivamente, em março de 2019.
Ao deixar a cadeia, ele teve o passaporte retido, uma das condições impostas ao sair da prisão. Por duas vezes, em 2019, recorreu a juízes de segunda instância para fazer viagens internacionais.
Na lista da comitiva que a caminho do Líbano estão também os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Luiz Pastore (MDB-ES).
O grupo deve chegar na quinta-feira ao país, onde cumprirá agenda de encontros com autoridades locais do Executivo e do Legislativo. A expectativa é que retorne ao Brasil na sexta (14).
"Eu espero que a gente encontre uma situação tranquila", disse Skaf antes do embarque.
"Se nós pudermos ajudar em alguma coisa para apaziguar os ânimos, e a temperatura está bastante alta lá, vamos pensar em fazer também."
No total, dois aviões da Força Aérea Brasileira partiram para o Líbano. Um deles transporta ventiladores pulmonares, máscara cirúrgicas, kits de primeiros-socorros e material de construção, além de ao menos 500 cestas básicas e meia tonelada de medicamentos e equipamentos doadas pela Câmara de Comércio Brasil-Líbano. O outro leva a comitiva.

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