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Três candidatos com incentivo de Casagrande embolam disputa em Vitória

Três candidatos com incentivo de Casagrande embolam disputa em Vitória

O ex-prefeito João Coser (PT) disse que foi encorajado pelo socialista a disputar. Na corrida estão ainda Sérgio Sá (PSB) e Fabrício Gandini (Cidadania)

Publicado em 20 de setembro de 2020 às 08:00

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Governador Casagrande assinou o projeto de lei que trata da criação do Fundo de Aval nesta terça-feira (31)
Governador Casagrande já disse que não pretende participar diretamente do pleito em cidades em que houver mais de um aliado na disputa. (Helio Filho/Secom-ES)

Ser candidato a prefeito com o apoio do governo do Estado é algo que boa parte das lideranças políticas busca conseguir, principalmente dada a ampla base de sustentação em torno do Palácio Anchieta. Por esse mesmo fator, em alguns municípios o governador Renato Casagrande (PSB) se viu colocado diante de vários aliados, como é o caso da Capital.

Além de haver uma candidatura própria do PSB, com Sérgio Sá (PSB), há a de Fabrício Gandini pelo Cidadania, principal partido aliado do socialista nos últimos pleitos, e a de João Coser (PT), que revelou, em entrevista para A Gazeta após a convenção do PT de Vitória, ter sido incentivado por Casagrande a entrar na disputa.

"Conversei com o Renato mais de uma vez e ele sempre foi muito respeitoso, compreendeu a nossa candidatura e até incentivou. Mas não se envolveu muito, até por haver candidato do partido dele. Mas foi uma postura muito madura da parte dele", declarou o petista.

Nos últimos meses, o governador vinha afirmando que "não vai arbitrar eleição nos municípios". Ressalvou, contudo, que "regra é a não participação, mas toda regra tem exceção", e que "é preciso considerar aqueles que estão colaborando com o governo". Mas com o início oficial do jogo eleitoral e a movimentação das forças, o que se observa, na verdade, é que nos bastidores há a participação do socialista no pleito, inclusive em mais de uma frente.

A estratégia do Palácio Anchieta de incentivar a candidatura de tantos aliados pode ser a de dividir os votos para o provável 2º turno e, ainda, quem sabe, conseguir levar dois candidatos aliados para a reta final do pleito, avaliam colaboradores. Isso para não correr o risco de que representantes de grupos adversários, com o apoio do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), saiam vitoriosos, como os candidatos Lorenzo Pazolini (Republicanos) – que é do grupo do deputado Amaro Neto (Republicanos) – e Coronel Nylton Rodrigues (Novo).

A digital perceptível de Hartung, ainda que sutil e indireta na campanha tem se manifestado por intermédio de seus aliados políticos que estão com Pazolini, como os dois ex-vices-governadores Lelo Coimbra (MDB) e César Colnago (PSDB), e os presidentes do PSDB, Vandinho Leite, e do Republicanos, Roberto Carneiro, que foram seus secretários de governo. Hartung chegou a receber Pazolini e Vandinho para conversas sobre conjuntura política no ano passado. 

Já Nylton chegou ele próprio a pertencer à cúpula do governo passado, como secretário estadual de Segurança Pública, e conta com os economistas e ex-secretários do governo Hartung Regis Mattos e Haroldo Corrêa Rocha em sua equipe de campanha. Nylton admite que se aconselha com Hartung e "recorre a ele para se orientar nas decisões e no plano de governo".

Nas últimas eleições municipais, de 2016, Hartung, que estava como governador, também prometeu se manter fora dos debates eleitorais. Na Capital, disputaram Lelo e Amaro Neto, e embora Hartung não tenha aparecido em suas campanhas, admitiu que, em algumas candidaturas onde se envolveu, "foi em uma delicadeza extraordinária".

As posições adotadas pelo governo também já podem significar uma marcação de forças para a próxima eleição, mas há o custo do controle político, no qual ele vai se arriscando. "Se o governador estiver totalmente de fora, a aliança vira local. Depois de eleitos, qualquer um vai querer se aliar ao governo em torno de projetos, porque os municípios estão quebrados", avalia um analista político.

ESTRATÉGIA

Nas convenções, as formas de apoio indireto do governador têm sido manifestadas por meio de vídeos e da presença de secretários de seu primeiro escalão. Na convenção do PSB de Vitória, por exemplo, participaram e discursaram o secretário de Governo, Tyago Hoffmann, e o de Educação, Vitor de Ângelo – que são do partido – em apoio a Sérgio Sá.

Casagrande se fez presente por vídeo, citou Sá, mas o apoio não chegou a ser enfático: "Quero abraçar todos os companheiros do PSB, cumprimentar o Sérgio Sá, que está se tornando o candidato. Gostaria de desejar muita sorte, muito trabalho, e que o partido apresente uma excelente proposta. Tenho certeza que será um debate frutífero, de alto nível, e que vai possibilitar o enriquecimento das eleições. É um partido que respeita todas as candidaturas e vai fazer um debate qualificado, por isso que estou aqui enviando o meu abraço, desejando boa sorte a todos que vão disputar a eleição".

Na convenção do Cidadania, que lançou Gandini, o prefeito Luciano Rezende (Cidadania), que é um dos principais aliados do governador, revelou, em seu discurso, ter recebido um telefonema de Casagrande, desejando a eles boa sorte. No evento, Hoffmann também esteve presente com outros dois secretários, Fábio Damasceno (PSB) e Lenise Loureiro (Cidadania), e foi direto no apoio a Gandini. 

"Somos partidos irmãos, temos a candidatura do Sérgio, mas minha presença traz muito simbolismo, para dizer que o governador, o PSB estarão ao seu lado para ajudar a gerir a cidade de Vitória. O governo do Estado não faltará, estará aqui realizando obras importantes e ajudando na sua gestão", disse o secretário.

Como apoio explícito de Casagrande, por enquanto, um dos poucos beneficiados foi o candidato a prefeito de Guarapari, o ex-vereador Gedson Merízio (PSB), que recebeu um vídeo de Casagrande para sua convenção. 

"Eu tenho plena convicção de que o Gedson será um excelente líder que contribuirá com o debate, com a apresentação de propostas, com toda a ação necessária para o desenvolvimento de Guarapari", afirmou o governador.

Na última terça-feira (15), penúltimo dia das convenções, Casagrande comentou sobre os vídeos com a reportagem de A Gazeta.

"Foi para saudar convencionais, não foi de um pedido de voto. O Gedson é meu amigo, gravei pra ele, para Victor (Coelho, prefeito de Cachoeiro), para 2 ou 3 candidatos, como uma forma de desejar sorte para a campanha que vai começar. Não é uma declaração de apoio porque ainda não começou a campanha. Quando começar, vou analisar cada candidato."

OUTROS MUNICÍPIOS

A situação delicada de Casagrande não se resume a Vitória. Na Serra, o PSB tem a candidatura de Bruno Lamas (PSB), mas há também Sergio Vidigal pelo PDT, um dos mais importantes partidos da coalização do governador, que levou Casagrande a vencer a eleição de 2018. 

Em Vitória e Serra houve alianças entre Vidigal e Gandini e o Cidadania. Para tanto, Casagrande entrou em campo para participar pessoalmente das articulações. O governador também teria chegado a sondar Vidigal sobre a possibilidade de o partido apoiar João Coser na Capital. Além disso, o secretário da Casa Civil, Davi Diniz, marcou presença na convenção do pedetista.

Em Cariacica, a situação embaraçosa se coloca com a divisão das forças aliadas ao Palácio Anchieta entre as candidaturas de Saulo Andreon (PSB), que já agrega o PV e o PDT, e a do deputado estadual Euclério Sampaio (DEM), importante aliado de Casagrande na Assembleia.

O QUE ELE JÁ DISSE

"Me comportarei como governador, não vou arbitrar eleição nos municípios. Poderei participar de uma ou outra campanha se os meus aliados estiverem todos juntos na mesma posição política. Mas, se eu tiver aliados disputando, vou respeitar todos os aliados. Não serei um árbitro nem tentarei colocar a mão forte do governo para tentar definir eleição em cada município. A população tem o direito de escolher o gestor que acha mais adequado. Minha posição não pode se limitar à posição do meu partido. É meu partido, mas tenho diversos aliados e tenho que respeitar esses aliados", alegou.

No início deste mês, fez novas ponderações. "Não pretendo participar (da campanha eleitoral), só participarei em um ou outro local, se for necessário. A regra é a não participação, mas toda regra tem exceção. No governo, não posso ter comportamento de dirigente partidário, como governador eu tenho que manter relação com todos que são aliados", disse.

Para quem analisa o cenário político do Espírito Santo, a conduta do governo reflete a complexidade natural das eleições municipais, tendo em vista que sua base de sustentação é muito mais ampla que seu partido.

No entanto, alguns movimentos podem gerar contradições que podem atrapalhar a segunda fase do governo, dos próximos dois anos, caso alguns desses aliados se incomodem com esse posicionamento.

"É possível que tenha dissonâncias de parte da base. Vai depender muito de quem irá para 2º turno. Mas alguns que caírem no 1º turno podem ficar insatisfeitos, porque esperavam um apoio maior do governo. Será difícil agradar todo mundo", afirma um pesquisador.

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