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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Amaro, amaristas e os aliados de Hartung com Pazolini em Vitória

O movimento para transformar o deputado em prefeito da Capital na eleição de novembro carrega impressões digitais de alguns dos pesos-pesados da política capixaba

Publicado em 16/09/2020 às 05h02
Atualizado em 16/09/2020 às 07h47
Lorenzo Pazolini e seus aliados para chegar à Prefeitura de Vitória
Lorenzo Pazolini e seus aliados para chegar à Prefeitura de Vitória. Crédito: Amarildo

Mesmo ainda sem aparecer – e talvez nem sequer apareçam –, ou mesmo que indiretamente, há impressões digitais de alguns pesos-pesados da política capixaba no movimento para eleger o deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos) prefeito de Vitória.

O primeiro que podemos destacar é o deputado federal Amaro Neto. O Republicanos é o partido de Amaro e é presidido no Espírito Santo por um dos maiores parceiros políticos do deputado e apresentador de TV: Roberto Carneiro, diretor-geral da Assembleia Legislativa e vice na chapa de Amaro a prefeito de Vitória em 2016.

Há, ainda, uma presença perceptível do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), ainda que sutil e indireta. Essa “presença” se manifesta por intermédio de aliados políticos de Hartung que estão com Pazolini. Um deles: Lelo Coimbra, presidente estadual do MDB e vice de Hartung no primeiro governo dele (2003/2006). Outro: César Colnago, ex-presidente estadual do PSDB e vice de Hartung em seu último governo (2015/2018).

A propósito, a ala do PSDB próxima a Pazolini é a de César Colnago e Vandinho Leite (secretário de Ciência e Tecnologia no último governo PH). Ambos estiveram na convenção dos tucanos em Vitória, na última segunda-feira (14), ao lado de Pazolini.

Foi a mesma ala hartunguista do PSDB que, em novembro de 2017, derrotou a chapa de Luiz Paulo Vellozo Lucas e Max Filho na disputa ferrenha pelo controle do partido no Espírito Santo. Agora, resultados daquela vitória da “chapa hartunguista”, liderada por Colnago e por Vandinho, ainda se manifestam.

Na convenção do PSDB em Vitória, Luiz Paulo foi engolido pelo grupo político da vereadora Neuzinha de Oliveira, agora, oficialmente, candidata do PSDB a prefeita de Vitória. Mas Neuzinha, com Vandinho e Colnago, ainda pode levar o PSDB a apoiar a candidatura de Pazolini, talvez já no 1º turno.

Ainda a respeito de conexões com Hartung no entorno de Pazolini, vale lembrar que o próprio Roberto Carneiro, no último governo, foi secretário estadual de Esportes e chefe da Casa Civil de Hartung, enquanto Amaro chegou a ser convidado para assumir pessoalmente a Secretaria de Esportes.

Outro parceiro de Pazolini, também filiado ao Republicanos, é o deputado estadual Erick Musso, que chegou à presidência da Assembleia, no início de 2017, com as bênçãos de Hartung. Em sua última campanha eleitoral (à reeleição, em 2018), Erick foi o único candidato que chegou a receber do então governador um vídeo com declaração explícita de apoio.

Não há nenhuma prova concreta de que Hartung esteja influenciando de alguma forma esse comportamento, orientando diretamente aliados a seguirem com Pazolini. Mas é fato que o deputado, a esta altura do processo, já se encontra rodeado de aliados hartunguistas – alguns deles históricos.

ENCONTROS COM O EX-GOVERNADOR 

É fato, de todo modo, confirmado por ambos e publicado pela coluna à época, que Hartung chegou a receber Pazolini e Vandinho para conversas sobre conjuntura política no ano passado, em endereço particular de sua família em Vitória. Coincidência ou não, os dois deputados estaduais (não alinhados ao governo Casagrande) começavam a aquecer as turbinas para lançar as respectivas candidaturas a prefeito de Vitória e da Serra. 

O FATOR MAGNO MALTA

Além dos pesos-pesados citados acima (e no caso dele a expressão se justifica mesmo, como lutador de jiu-jitsu que é), não se pode ignorar a possível e até muito plausível participação do ex-senador Magno Malta na campanha de Pazolini em Vitória. Tudo bem, o Partido Liberal (PL), controlado no Estado por Magno, confirmou na tarde desta terça-feira (15), em sua convenção municipal, o lançamento do engenheiro Halpher Luiggi à prefeitura, em chapa puro-sangue do partido.

Entretanto, tem muito observador da cena política na Capital (e me incluo nesse rol) suspeitando de que esse lançamento de Halpher corresponde, no fundo, a uma estratégia ditada por Magno para dobrar a aposta e valorizar o passe do partido na negociação do vice de Pazolini. Como o próprio ex-senador resumiu para a reportagem de A Gazeta há alguns meses, "onde o PL não for cabeça, será pescoço". E Magno é duro na queda e osso duro de roer. Por isso, o PL estaria esticando a corda. 

INIMAGNÁVEL

A tese exposta acima faz total sentido até pelo seguinte: em política tudo é possível, ok, está certo; mas, se mantida a candidatura de Halpher Luiggi até o fim, o ex-superintendente do Dnit e ex-diretor-presidente do DER-ES será um enorme azarão nessa corrida pela Prefeitura de Vitória. Hoje, um triunfo eleitoral do afilhado político de Magno é, simplesmente, iniMagnável. 

 FAVORITA PARA A VAGA

Ainda a preços de hoje, se tiver que arriscar um nome, aposto em Neuzinha de Oliveira, na cabeça, para ser esse "pescoço" na chapa encabeçada por Pazolini. Perfil por perfil, ela acrescenta mais à chapa de Pazolini. O grande trunfo de Halpher são suas credenciais de técnico reconhecidamente competente. Pazolini, embora exerça seu primeiro mandato político, também pode dizer que tem perfil técnico, por conta dos mais de dez anos atuando como delegado concursado no Espírito Santo antes de se eleger deputado em 2018.

Halpher é um homem branco de meia-idade, que cresceu no Centro de Vitória (classe média). Pazolini é um homem branco de meia-idade, que cresceu em Jardim da Penha e estudou no Leonardo Da Vinci (classe média para alta). Até os respectivos sobrenomes são italianíssimos! Não o de Da Vinci, por óbvio, mas os de Luiggi e Pazolini. Parece nome de dupla de zaga da seleção italiana de futebol (Avanti, Azzurri!!!).

Neuzinha, por sua vez, além de mulher, tem história intimamente vinculada à periferia e às classes de baixa renda da Capital, especialmente nos morros da cidade, como Jesus de Nazareth, Gurigica e Consolação, onde começou a sua trajetória, como líder comunitária, antes de se eleger, no ano 2000, para o primeiro de seus cinco mandatos consecutivos na Câmara de Vitória.

O PESO DE CADA PARTIDO NA BALANÇA

Como se não bastasse, se Neuzinha for assegurada como vice, ela leva o PSDB, é óbvio, para a coligação de Pazolini. E, com todo o respeito a Magno, a Halpher e ao PL, embora um tanto quanto em baixa desde 2014, o partido que já governou Vitória por três mandatos (entre 1993 e 2004) é muito maior que o do ex-senador e muito melhor estruturado.

Tudo isso com certeza será levado em conta na decisão de Pazolini. E o deputado, enfim, terá de se entender com Magno, com quem estreitou relação nos tempos de luta do então senador contra a pedofilia na CPI presidida por ele no Congresso Nacional. 

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