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Sem aceitar denúncia, juiz dá prazo para vereadores da Serra recorrerem sobre acordo ao MPES

Sem aceitar denúncia, juiz dá prazo para vereadores da Serra recorrerem sobre acordo ao MPES

Magistrado pontua que investigados não foram notificados formalmente sobre a recusa do MPES em firmar Acordo de Não Persecução Penal (ANPP)

Publicado em 21 de agosto de 2025 às 20:31

Saulinho da Academia (PDT), Cleber Lima Pereira (MDB); Wellington Alemão (Rede) e Teilton Valim (PDT), vereadores da Serra denunciados pelo MPES por suposto esquema de corrupção
Saulinho da Academia (PDT), Cleber Lima Pereira (MDB); Wellington Alemão (Rede) e Teilton Valim (PDT), vereadores da Serra denunciados pelo MPES por suposto esquema de corrupção Crédito: CMS/ Divulgação

 O juiz da 2ª Vara Criminal da Serra, Gustavo Grillo Ferreira, deixou de receber, momentaneamente, a denúncia contra quatro vereadores e dois ex-vereadores da Câmara Municipal da Serra por suposto esquema de corrupção, envolvendo o recebimento de propina. A decisão foi proferida no início da noite desta quinta-feira (21).

Na justificativa para não aceitar a denúncia neste momento, o magistrado pontua que o fato de os investigados não terem sido notificados formalmente sobre a recusa do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) em firmar Acordo de Não Persecução Penal (ANPP)  – a possibilidade de acordo evitaria uma ação penal contra o grupo denunciado – poderia levar à nulidade do recebimento da denúncia por falta de interesse de agir.

Conforme o magistrado, essa notificação é essencial para que os denunciados possam exercer seu direito de revisão perante à Procuradoria-Geral de Justiça. Eles terão dez dias para recorrer da decisão ao órgão máximo do MPES.

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Sem aceitar denúncia, juiz dá prazo para vereadores da Serra recorrerem sobre acordo ao MPES

Por fim, o magistrado ressalta que os feitos relacionados ao processo ficam suspensos até o fim do prazo sem manifestação da defesa ou o retorno da deliberação do órgão superior do MP. Só então será analisado o recebimento da denúncia.

Ao se manifestar no processo na quarta-feira (20), o MPES negou a possibilidade de um acordo com os denunciados. A Justiça havia dado cinco dias para que o órgão se manifestasse, antes de decidir se aceitaria a denúncia.

Os vereadores Saulinho da Academia (PDT), presidente da Câmara; Cleber Lima Pereira (MDB); Wellington Alemão (Rede); e Teilton Valim (PDT) são apontados pelo MPES como integrantes de um esquema de propina, que chegaria a R$ 100 mil. A motivação do suposto esquema seria a  aprovação de um projeto de lei encaminhado pela prefeitura em 2024. Dois outros ex-vereadores, Luiz Carlos Moreira, presidente do MDB na Serra, e Aloísio Ferreira Santana, também são citados como mediadores das negociações irregulares.

O pedido para que o MP avaliasse a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) foi feito pelo próprio juiz da 2ª Vara Criminal da Serra, na última segunda-feira (18). Na resposta do MP à solicitação, a promotoria de Justiça afirmou que o acordo não é suficiente para reprovação e prevenção do crime, diante da gravidade dos fatos.

Entre os motivos listados para negar o ANPP está a ausência de “confissão formal” dos denunciados, o que seria um requisito primário para a oferta de acordo. Segundo o MP, Cleber, Saulo, Teilton, Alemão, Luiz Carlos e Aloísio negaram qualquer envolvimento em esquema de corrupção.

"O Ministério Público tem que ser coerente com a manifestação que requereu o afastamento cautelar daqueles de suas funções públicas", afirma a promotoria na manifestação, a respeito do pedido de que os vereadores sejam retirados do cargo imediatamente.

Membros da Mesa Diretora denunciados

Com exceção de Teilton, todos os vereadores citados integram a Mesa Diretora da Casa. O pedido de afastamento leva em conta indícios de corrupção passiva — crime que se caracteriza quando um agente público solicita, recebe ou aceita promessa de vantagem indevida em razão do cargo. Segundo a denúncia apresentada à Justiça, anexada ao requerimento, os parlamentares teriam solicitado e aceitado promessa de vantagem indevida no primeiro semestre de 2024. O caso provocou indignação e um protesto foi realizado na última quarta-feira (20), na Câmara.

Já os ex-vereadores Moreira e Santana foram denunciados porque teriam intermediado interesses de um empresário para a construção de uma clínica e seriam os responsáveis pela promessa de pagamento. A denúncia não cita o empresário envolvido no suposto esquema.

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