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Paulo Hartung diz que não é hora de pensar nas eleições de 2022

Ao analisar a saída de Sergio Moro do ministério da gestão de Bolsonaro, o ex-governador do ES criticou o clima de disputa política no governo federal

Publicado em 24/04/2020 às 22h30
Atualizado em 25/04/2020 às 11h11
Paulo Hartung, ex-governador do ES
Na opinião de Paulo Hartung, o governo federal precisa assumir o seu papel no enfrentamento da crise de saúde. Crédito: Flickr

Atento à condução que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) tem feito diante da crise de saúde provocada pelo novo coronavírus (Covid-19), o ex-governador Paulo Hartung (sem partido) avalia que a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça é mais um componente de uma gestão "desarranjada", permeada pela disputa política. Para ele, este não é o momento de se pensar nas eleições de 2022. 

"Tudo o que é ruim, agora, é ter luta política, briga de vaidades, intrigas. Uma crise de tal magnitude que estamos vivenciando na saúde, não é hora de pensar em 2022. É preciso gastar energia boa para que todos os atores e todas as lideranças do nosso país sentem à mesa para, juntos, enfrentar o desafio da pandemia", ressalta Hartung.

Na opinião de Hartung, a saída de Sergio Moro se insere em uma sequência de desarranjos da administração de Bolsonaro, mas o ex-governador destaca que seu posicionamento é mais uma tentativa de alerta para ver se "a ficha vai cair" no governo federal. 

"Já se teorizou para fazer a união do Parlamento com a Justiça para o enfrentamento da crise, mas isso não é possível. O governo federal precisa assumir a liderança. Se o presidente Jair Bolsonaro não se sentir vocacionado, pode delegar alguém para cumprir a missão. É importante montar um grupo de elite técnico, com a academia, com a ciência, para vencer esse desafio", argumenta. 

Questionado sobre Moro, cuja exoneração foi o fato que mais mobilizou o cenário político e econômico durante toda a sexta-feira (24), Hartung fez questão de ressaltar, a todo instante, que a crise no governo federal é anterior, devido à pandemia. 

O  ex-governador observa que a doença chegou ao Brasil encontrando duas fragilidades. A primeira, uma situação econômica e social delicada, com 12 milhões de desempregados e o país muito endividado.  "E o Estado brasileiro produziu uma segunda fragilidade: o vazio de liderança, descoordenação muito grave, falta de diálogo preocupante entre o Executivo nacional, Parlamento e Supremo, e também com os governos estaduais e municipais, e em relação à própria sociedade."

Ele frisa que toda crise tem começo, meio e fim, e o governo federal precisa saber o Brasil que quer ter quando a pandemia passar: um país de joelhos, ou de pé e capaz de prover as necessidades da população. O momento, diz Hartung, é de o governo federal assumir o seu papel porque não há lugar para atitude pequena. 

Pronunciamento de Sergio Moro

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala a imprensa sobre seu pedido de demissão do cargo
Em pronunciamento nesta sexta-feira (24/04), Sergio Moro informou que deixa o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro. Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala a imprensa sobre seu pedido de demissão do cargo
 Afirmou que vai encaminhar a carta de demissão em breve ao presidente da República. Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala a imprensa sobre seu pedido de demissão do cargo
 A decisão foi tomada, segundo o ex-juiz, após o presidente não fornecer uma justificativa para demitir o diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo, publicada no Diário Oficial da União. Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala a imprensa sobre seu pedido de demissão do cargo
Moro afirmou que o presidente queria ter uma pessoa que pudesse ligar para colher informações e relatórios de inteligência. Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala a imprensa sobre seu pedido de demissão do cargo
Na saída da entrevista Moro foi cercado pelas pessoas. Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala a imprensa sobre seu pedido de demissão do cargo
Sergio Moro foi aplaudido na saída do pronunciamento. Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Sergio Moro foi aplaudido na saída do pronunciamento
Sergio Moro foi aplaudido na saída do pronunciamento
Sergio Moro foi aplaudido na saída do pronunciamento
Sergio Moro foi aplaudido na saída do pronunciamento
Sergio Moro foi aplaudido na saída do pronunciamento
Sergio Moro foi aplaudido na saída do pronunciamento

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